sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Amor Sem Escalas, de Jason Reitman (2009)

Filminho agradável este “Amor Sem Escalas”. Durante boa parte dele, comenta sobre um certo estado das coisas, mas sem fazer drama com isso ou, pior, com sarcasmo e ironia típicos dos filmes espertinhos de nosso tempo. Quer dizer, você tem aquele protagonista vazio que tem um único objetivo na vida (chegar a certa quantidade de milhagem aérea) enquanto demite pessoas Estados Unidos afora. Não é fácil lidar com um personagem desses, mas a coisa toda funciona por ser discreta. E porque George Clooney é muito bom.

O comentário social existe, mas fica ali ao fundo. Porque é um filme de personagens e as mulheres que entram no mundo de Clooney são bem interessantes. A personagem de Anna Kendrick podia cair fácil no estereótipo da jovem megera gananciosa, mas ganha força pela possibilidade de estar aberta à mudança, a partir dos encontros que realiza durante a trajetória. E Vera Farmiga é um furacão, interessantíssima, misteriosa, um encanto. Acompanhar o movimento desses três num mundo sem referências, fragmentado, complicado é uma delícia. E esse mundo é visto assim por uma câmera que não acha importante enfatizar certas coisas, demonizar o personagem do Jason Bateman, por exemplo, ou apelar para técnicas que elevem ainda mais o drama de situações já dramáticas em si.

Uma pena, então, que tudo fique tão ruim já na parte final do filme, claramente destoante do todo e com toda pinta de “dedo de produtor”. A começar pelo desenvolvimento final da personagem de Farmiga, tudo vai ladeira abaixo até o cúmulo com uma constrangedora colagem de depoimentos reforçando a importância da família para aqueles que perderam o emprego. Extremamente moralista, ainda percebe-se o cuidado de Reitman (que curiosamente tem na conclusão de “Juno” uma de suas maiores qualidades) no material que está mexendo, tentando evitar ao máximo o embaraço. Mas não dá pra fazer milagre. Ainda assim, vale à pena.

Invictus, de Clint Eastwood (2009)

Basta apenas 10 segundos de “Invictus” para Clint Eastwood mostrar sua genialidade: o movimento que a câmera faz, do campo onde os brancos jogam para o campo onde os negros jogam, é um procedimento tão simples e bonito para sintetizar um contexto, mas ninguém mais faz isso. Só Eastwood.

O “filme de esporte” é gênero mais que batido e Eastwood não foge das convenções. O que o torna incomum é que, enquanto a convenção é trazer histórias de superação e motivação, o cineasta continua refletindo sobre o que o interessa a partir dos mesmos clichês de sempre desse tipo de coisa. Pois “Invictus” comenta sobre a violência, seus efeitos e os meios possíveis de combatê-la com a mesma propriedade que “Gran Torino” ou “Sobre Meninos e Lobos”, e se não ressoa como estas obras, isso se deve mais pelas próprias limitações do gênero.

Talvez o mais interessante seja notar as reações que o filme tem causado nas pessoas. Os mais cínicos (talvez os mesmos que acusam “A Troca” de ser maniqueísta?) se incomodam bastante com a “cena do ingresso pra empregada” ou “a cena do garoto negro e os policiais”, ou ainda “as cenas que criam um suspense gratuito”. Curiosamente, tenho visto muita gente admirar e se emocionar com estas mesmas sequências – bom, exceto a cena da empregada.

De minha parte, se estes não foram momentos que me “pegaram”, também não impedem de apreciar o classicismo e a simplicidade de Eastwood, seja naquela bela abertura, ou na relação construída entre os seguranças, ou a forma delicada com que conduz a crescente admiração do personagem de Matt Damon por Mandela. Nada disso, repito, tem a força e potência dos melhores filmes do cineasta nesta década, mas Clint segue tranqüilo fazendo o cinema que lhe interessa, comentando nossa época a partir de filmes de gênero de toda espécie.

Fogo Contra Fogo, de Michael Mann (1995)

“Fogo Contra Fogo” é um filme policial de quase 3 horas de duração. Para as ambições de Michael Mann, não poderia ser menos. Vejam, por exemplo, o personagem de Dennis Haysbert (desconhecido na época, hoje o David Palmer de “24 Horas”): aparece no filme em duas ou três cenas, sem qualquer relação com os demais personagens, para morrer logo quando finalmente faz parte da trama principal. Muitos diriam que não há uma “função narrativa”, mas com menos de 10 minutos de tela, Mann constrói uma pequena tragédia sobre um homem e suas escolhas e como estas afetam (e acabam) um relacionamento. Trama que se liga às demais por congruência.

Filme triste e melancólico, não há um único casal que sobrevive a esta história de homens obsessivos e obcecados pelo que fazem melhor. Absorvidos por suas atividades, os personagens de Pacino e De Niro se completam, ainda que estejam em lados distintos da lei (ou até por isso mesmo), e protagonizam esta obra que empolga como filme de gênero, mas que fascina mesmo pelos dramas dos personagens e como estes se desenvolvem a partir da decupagem precisa do diretor.

Cineasta do plano/contraplano, Mann utiliza a mais básica das técnicas com efeitos incríveis: quando estão estabelecendo uma ligação mais íntima, os personagens de De Niro e Brenneman são capturados por uma câmera que preenche o quadro com as luzes da cidade ao fundo. Promessa de um futuro ou o ambiente que os separará? Ao contrário, quando o policial de Al Pacino retorna para a esposa que o espera abandonada num restaurante vazio, o plano e contraplano de seus rostos são preenchidos por escuridão, num diálogo que claramente está marcando o fim de um casamento.

Mais do que com os textos (que são ótimos), os filmes de Michael Mann são fascinantes por contar suas histórias através da estética, fazendo do plano/contraplano um posicionamento ético. Pois é através da técnica que a já clássica sequência do encontro entre De Niro e Pacino se torna tão potente, ressaltando a ligação entre ambos de modo similar ao visto no recente “Inimigos Públicos”, onde o personagem de Johnny Depp se reconhece no personagem de Clark Gable do filme que vê no cinema.

Mann também cria sequências de ação com a mesma elegância e precisão com que filma seus personagens e traz aqui um longo tiroteio, que já marcou a história. É um filmaço por qualquer motivo que se queira assistir.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O Que Eu Gostaria de Ver nos Indicados ao Oscar

Coisas que eu gostaria, mas NÃO vão ocorrer nas indicações ao Oscar, na próxima terça:


- "Amantes" e "Vício Frenético" indicados a Melhor Filme, com seus respectivos diretores (James Gray e Werner Herzog) e atores (Joaquin Phoenix e Nicolas Cage) também lembrados em suas categorias;


- "Mary & Max", de Adam Elliot, de longe a melhor animação do ano, indicada para Melhor Animação;


- Marion Cotillard como Melhor Atriz Coadjuvante por "Inimigos Públicos";


- Adam Sandler, na melhor atuação de sua carreira, indicado a Melhor Ator por "Funny People";


- Falando em "bromances", os roteiros de "Funny People" e "Humpday" indicados a Melhor Roteiro Original;


- Filmes medíocres como "An Education" e "Precious" ignorados na categoria Melhor Filme;


- Uma ou mesmo todas as favoritas a Melhor Atriz ignoradas na categoria: Sandra Bullock, Meryl Streep, Carey Mulligan e Gabourey Sidibe. Todas simpáticas, nenhuma merecedora de prêmio;


- As excelentes Kim Hye-Ja ("Mother") e Giovanna Mezzogiorno ("Vincere") indicadas a Melhor Atriz.




Coisas que eu gostaria de ver e que NÃO SÃO IMPOSSÍVEIS de acontecer:


- "A Serious Man", mais um incrível filme dos Irmãos Coen, indicado a Melhor Filme;


- Pelo menos um filme atípico para o Oscar na categoria Melhor Filme: "Distrito 9" ou "Se Beber, Não Case" (com menos empolgação, "Star Trek");


- Tilda Swinton, lembrada pela excelente performance em "Julia", para Melhor Atriz;


- As atrizes de "Bastardos Inglórios", Melanie Laurent e Diane Krueger, indicadas para Melhor Atriz Coadjuvante;


- O medíocre "500 Dias Com Ela" ignorado em Melhor Filme e Melhor Roteiro Original; O mesmo para "The Blind Side" (que pode se beneficiar por bilheteria e Bullock);


- Lee Daniels não indicado a Melhor Diretor (os Coen no lugar? perfeito!);


- Se não os Coen, Neill Blomkamp indicado a Melhor Diretor.



Os indicados serão anunciados no dia 02 de Fevereiro, pela manhã. Espero que um ou dois desejos se realizem.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Blog de Ouro: Minhas Escolhas

Acabo de enviar meus votos para a terceira edição do Blog de Ouro, que escolherá os melhores de 2009 segundo os membros da SBBC. Não devo emplacar muitos dos meus favoritos, mas tentei ser o mais coerente possível nessa loucura que é comparar trabalhos às vezes tão distintos.


Queria ter visto pelo menos mais uns 12 filmes pra ser mais abrangente. No mínimo, dois filmes que não vi poderiam ter alterado minhas escolhas: Moscou, de Eduardo Coutinho e Avatar, de James Cameron.


Segue a lista abaixo que NÃO É minha lista definitiva de 2009, já que o Blog de Ouro segue a regra de eleger apenas os filmes exibidos comercialmente no Brasil, incluindo os lançados diretamente em DVD (exceção feita a Guerra ao Terror, inelegível por estrear em breve nos cinemas - algo que discordo completamente). Em uma outra ocasião, posto os melhores do ano seguindo meus critérios bem particulares.


Meus votos foram esses (resultado geral sai neste domingo):


CATEGORIA 1 - MELHOR FILME

(mínimo de 5 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. Amantes

3. Aquele Querido Mês de Agosto

4. Entre os Muros da Escola

5. Horas de Verão

6. A Troca

7. Ervas Daninhas

8. Inimigos Públicos

9. Se Nada Mais Der Certo

10. Vocês, os Vivos


CATEGORIA 2 - MELHOR DIREÇÃO

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

2. Miguel Gomes (Aquele Querido Mês de Agosto)

3. James Gray (Amantes)

4. Alain Resnais (Ervas Daninhas)

5. Michael Mann (Inimigos Públicos)


CATEGORIA 3 - MELHOR ATOR

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Joaquin Phoenix (Amantes)

2. Mickey Rourke (O Lutador)

3. James Franco (Segurando as Pontas)

4. Sharlto Copley (Distrito 9)

5. Jean Claude Van Damme (JCVD)


CATEGORIA 4 - MELHOR ATRIZ

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Sally Hawkins (Simplesmente Feliz)

2. Galina Vishnevskaya (Alexandra)

3. Kristin Scott Thomas (Há Tanto Tempo Que Te Amo)

4. Melanie Laurent (Bastardos Inglórios)

5. Angelina Jolie (A Troca)


CATEGORIA 5 - MELHOR ATOR COADJUVANTE

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Christoph Waltz (Bastardos Inglorios)

2. Eddie Marsan (Simplesmente Feliz)

3. Philip Seymour-Hoffman (Dúvida)

4. Zach Galifianakis (Se Beber, Não Case)

5. João Miguel (Se Nada Mais Der Certo)


CATEGORIA 6 - MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Caroline Abras (Se Nada Mais Der Certo)

2. Marion Cotillard (Inimigos Públicos)

3. Gwyneth Paltrow (Amantes)

4. Sabine Azéma (Ervas Daninhas)

5. Marisa Tomei (O Lutador)


CATEGORIA 7 - MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. Distrito 9

3. Simplesmente Feliz

4. Horas de Verão

5. Abraços Partidos


CATEGORIA 8 - MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Entre os Muros da Escola

2. Ervas Daninhas

3. Beijo na Boca Não!

4. Inimigos Públicos

5. Star Trek


CATEGORIA 9 - MELHOR ANIMAÇÃO

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

- CATEGORIA DE VOTO NÃO OBRIGATÓRIO -

1. Up – Altas Aventuras

2. Tá Chovendo Hamburguer

3. Coraline

4. O Fantástico Sr. Raposo

5. Valsa com Bashir


CATEGORIA 10 - MELHOR FILME NACIONAL

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

- CATEGORIA DE VOTO NÃO OBRIGATÓRIO -

1. Se Nada Mais Der Certo

2. Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei

3. Juventude

4. A Erva do Rato

5. Hotel Atlântico


CATEGORIA 11 - MELHOR ELENCO

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Entre os Muros da Escola

2. Bastardos Inglórios

3. Beijo na Boca Não!

4. Horas de Verão

5. Se Nada Mais Der Certo


CATEGORIA 12 - MELHOR FOTOGRAFIA

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. Aquele Querido Mês de Agosto

3. Deixa Ela Entrar

4. Inimigos Públicos

5. Ervas Daninhas


CATEGORIA 13 - MELHOR MONTAGEM

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. Aquele Querido Mês de Agosto

3. Distrito 9

4. Inimigos Públicos

5. Entre os Muros da Escola


CATEGORIA 14 - MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. A Troca

3. Beijo na Boca Não!

4. Distrito 9

5. Vocês, os Vivos


CATEGORIA 15 - MELHOR FIGURINO

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Bastardos Inglórios

2. A Troca

3. Beijo na Boca Não!

4. Inimigos Públicos

5. Milk


CATEGORIA 16 - MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Up – Altas Aventuras

2. A Troca

3. Inimigos Públicos

4. Milk

5. Harry Potter e o Enigma do Príncipe


CATEGORIA 17 - MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Gran Torino (Gran Torino)

2. The Wrestler (O Lutador)

3. Stu´s Song (Se Beber, Não Case)

4. Petey´s Song (O Fantástico Sr. Raposo)

5. Other Father Song (Coraline)


CATEGORIA 18 - MELHOR MAQUIAGEM

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. O Curioso Caso de Benjamin Button

2. Distrito 9

3. Arraste-me Para o Inferno

4. Deixa Ela Entrar

5. Star Trek


CATEGORIA 19 - MELHORES EFEITOS VISUAIS

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Distrito 9

2. O Curioso Caso de Benjamin Button

3. Star Trek

4. G.I. Joe – A Origem do Cobra

5. O Exterminador do Futuro: A Salvação


CATEGORIA 20 - MELHOR SOM

(mínimo de 3 votos pela ordem de preferência)

1. Inimigos Públicos

2. Bastardos Inglórios

3. Distrito 9

4. Arraste-me Para o Inferno

5. O Exterminador do Futuro: A Salvação


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Morte e Promessa de Ressurreição

Este blog morreu. Mas promete uma ressurreição para breve.

Juro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Comentário Geral e Melhores da Mostra de SP

Estou bastante atrasado com os comentários sobre os filmes vistos em São Paulo, já que a Mostra acabou faz quase uma semana (sem contar a repescagem) e só fiz mini resenhas de 41 obras - falta falar ainda sobre mais 31 sessões de cinema. Não é pra menos: a maratona lá foi pesada e, já em minha terra natal, há as maratonas de faculdade, séries de tv e, claro, mais filmes.


Peço desculpas pelos comentários curtos e superficiais, mas infelizmente não só falta tempo, mas também só faço anotações mentais quando vejo os filmes e tenho escrito apenas com o que puxo da memória de filmes vistos há dias. Em alguns casos, sem o acesso à net, nem acesso a ficha técnica do filme em questão eu tinha. Mas como prometi escrever sobre todos, ainda termino isso.


De qualquer forma, queria falar logo sobre como foi o evento, fazer um resumão e postar meus prediletos, esquema meio americano de premiação:


Em São Paulo, foram 72 sessões de cinema, sendo 66 filmes da Mostra e mais 4 filmes do circuito comercial. As outras duas sessões foram revisões de um filme da Mostra, e outro do circuito. Destes, apenas duas desistências: saí com mais da metade do filme visto ("Os Dispensáveis") e outro com apenas meia hora de projeção ("Síndrome de Pinocchio"). Também saí da sessão de "Belair", mas só fui vê-lo porque cobria o horário exato que eu tinha sobrando até o próximo filme. Infelizmente, um atraso de 20 minutos para seu início fez com que eu saísse antes do fim, ou perderia "Cabeça a Prêmio".


Da lista de prioridades que eu tinha, não consegui ver apenas "Polícia, Adjetivo". Quanto aos demais, a maioria correspondeu às expectativas, sendo que as grandes frustrações vieram do cinema nacional - nenhum entra para meu top 10 da Mostra.


Os prêmios dados pela organização foram bem estranhos: o público selecionou seus dez filmes prediletos (algo nunca confiável) e o júri, composto por gente que supostamente teria um gosto mais "apurado", iria selecionar o melhor dentre eles (só valiam filmes de diretores estreantes). Ganhou um coreano chamado "Voluntária Sexual", que não ouvi um único comentário elogioso de todas as pessoas boas que conheço, quando concorria também o belíssimo "A Família Wolberg". O filme que abandonei por estar achando desastroso, "Os Dispensáveis", ficou com prêmio de direção e ator. Já o prêmio da crítica (e eu nem sei que crítica é esta) considerou que o melhor longa-metragem estrangeiro, DE TODA A MOSTRA, foi o iraniano "Ninguém Sabe dos Gatos Persas", que é muito simpático (mas melhor?!) e o melhor longa-metragem nacional foi o meia-boca "O Sol do Meio-Dia".


Em relação à organização do evento, pareceu bastante pior em relação ao ano anterior. É verdade que presenciei poucos atrasos (o mais grave foi mesmo o de "Belair"), mas houve outros tantos problemas:


- Projeções ruins: muitas em dv-cam e, principalmente, o digital que matou um dos grandes filmes da Mostra - Ervas Daninhas;


- Alterações na programação: a maior palhaçada foi cancelar todas as exibições de Lebanon para fazê-lo o filme de encerramento - por que não pensaram nisso ANTES de programá-lo?


- Programação infeliz: havia dias em que os principais filmes passavam ao mesmo tempo, enquanto em outros somente desconhecidos já negativamente comentados. Os últimos dias de Mostra, então, foi um horror;


- Cabines para imprensa: este ano, consegui ver os filmes que eram exibidos para a imprensa pela manhã, o que permite ver mais obras durante o dia. Mas as escolhas foram horríveis e o único nome de peso que vi foi o filme do Manoel de Oliveira. Outros dois de importãncia foram desastrosos: Soul Kitchen, de Fatih Akin, teve sessão cancelada, enquanto o novo de Christophe Honoré, falado em francês, passou SEM LEGENDA NENHUMA, fazendo com que a maioria dos presentes se retirassem (o normal é que se o filme não tiver áudio em inglês, ao menos tenha as legendas);


- Yuki & Nina: Filme que eu havia escolhido para encerrar meu dia de Mostra, acabou tendo sessão cancelada, pois a cópia havia ficado presa no equipamento. Antes, nos fizeram esperar por quase uma hora, informando que uma nova cópia estava a caminho, para depois vir a informação que não havia outra cópia.


- Repescagem: a Mostra fez uma programação horrorosa para a repescagem. A intenção deveria ser exibir os principais filmes do evento, os mais requisitados e elogiados. O que vimos foi pouca coisa de interesse e eu, que esperava rever algumas coisas, acabei pegando apenas dois filmes.


E como este post já está bem grandinho, encerro com minha lista de melhores. Mais ou menos em ordem de preferência, porque não houve nada que tenha se destacado muito dos demais. Muita coisa excelente, num nível mais ou menos equivalente de qualidade. A preferência vai pelo momento em que escrevo e é bom lembrar que se trata apenas dos filmes QUE PARTICIPARAM DA MOSTRA, já que meu filme predileto que vi em São Paulo esteve fora dela (Bastardos Inglórios).


Melhor Filme

1. A Religiosa Portuguesa, de Eugéne Green
2. Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues
3. A Família Wolberg, de Axelle Ropert
4. O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman
5. Mother, de Bong Joon-Ho
6. Abraços Partidos, de Pedro Almodovar
7. Vício Frenético, de Werner Herzog
8. Shirin, de Abbas Kiarostami
9. Ervas Daninhas, de Alain Resnais
10. Vencer, de Marco Belocchio


Melhor Diretor

1. João Pedro Rodrigues, por Morrer Como um Homem
2. Eugéne Green, por A Religiosa Portuguesa
3. Elia Suleiman, por O Que Resta do Tempo
4. Alain Resnais, por Ervas Daninhas
5. Werner Herzog, por Vício Frenético


Melhor Ator

1. André Dussollier, por Ervas Daninhas
2. François Damiens, por A Família Wolberg
3. Filippo Timi, por Vencer
4. Alex Descas, por 35 Doses de Rum
5. Emmanuel Mouret, por Faça-me Feliz


Melhor Atriz

1. Leonor Baldaque, por A Religiosa Portuguesa
2. Krystyna Janda, por Alga Doce
3. Kim Hye-Ja, por Mother
4. Giovanna Mezzogiorno, por Vencer
5. Penelope Cruz, por Abraços Partidos


Melhor Roteiro

1. Mother
2. A Família Wolberg
3. O Dia da Transa
4. Vício Frenético
5. Ricky


Melhor Ator Coadjuvante

1. Gonçalo Ferreira de Almeida, por Morrer Como um Homem
2. Bin Won, por Mother
3. Ewan McGregor, por I Love You, Phillip Morris
4. Michael Fassbender, por Fish Tank
5. João Miguel, por Hotel Atlântico


Melhor Atriz Coadjuvante

1. Sabine Azéma, por Ervas Daninhas
2. Valérie Benguigui, por A Família Wolberg
3. Alycia Delmore, por O Dia da Transa
4. Alice Braga, por Cabeça a Prêmio
5. Imelda Staunton, por Aconteceu em Woodstock


Os Piores Filmes (apenas os vistos por completo)

1. Eu Matei Minha Mãe, de Xavier Dolan
2. Sedução, de Lone Scherfig
3. O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant
4. Insolação, de Felipe Hirsch e Daniella Thomas
5. Samson and Delilah, de Warwick Thornton
6. Os Famosos e os Duendes, de Esmir Filho
7. Lymelife, de Derick Martini
8. Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee
9. Perseguição, de Patrice Chéreau
10. Selvagens, de Lawrence Gough