quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Brasil na "semifinal" para Filme Estrangeiro

No maior clima de campeonato, a Academia do Oscar cada vez mais faz uma espécie de pré-seleção entre seus competidores nas categorias "menores". Como se não bastasse apenas um filme por país ter o direito a concorrer ao prêmio de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa (porque os ingleses podem ser estrangeiros lá, mas concorrem como filmes "normais", o mesmo vale para os australianos), a seleção dos 5 indicados é feita por um comitê específico da Academia, o que reflete não a preferência dos mais de 6 mil membros que votam no Oscar (o que já não é boa coisa), mas apenas deste seleto grupo, em sua maior parte composta pelos membros mais velhos e conservadores. Sabe-se lá porque, agora eles anunciam um número reduzido de candidatos que estão quase lá.

Ontem foram anunciados nove filmes para a semifinal e um deles é o brasileiro "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger. Ninguém está muito surpreso porque sempre pareceu haver um consenso de que o filme tem grandes chances de ser um dos 5 indicados. O surpreendente é que com esta pré-seleção, o filme brasileiro tem chances reais de até mesmo vencer o prêmio.

Isso porque os principais filmes de língua não-inglesa do ano (leia-se "os mais badalados") ficaram de fora da disputa: o francês Persepolis e o espanhol O Orfanato não "passaram" de fase, filmes aclamados como Piaf - Um Hino Ao Amor, Lust, Caution e O Escafandro e a Borboleta (que acabou de vencer o Globo de Ouro de diretor e filme estrangeiro) sequer foram submetidos pelos seus países e, surpresa das surpresas, o romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", até então favorito absoluto para ganhar o prêmio, também não está entre os 9 selecionados.

Já li em vários sites a insatisfação provocada com a ausência do filme romeno, mas cá entre nós, desde que "Cidade de Deus" ficou de fora, sabemos muito bem que certas coisas não devem ser filmadas ou ditas se quiser ganhar o Oscar, ainda mais nesta categoria onde os membros vêm mostrando que gostam mesmo é dos melodramas sem riscos que se aproximam do estilo narrativo hollywoodiano. Os últimos vencedores, o alemão A Vida dos Outros e o sul-africano Tsotsi (dois filmes fracos na minha opinião) são bons exemplos disso. O "4 Meses..." nem é a obra-prima que muitos andam pintando e acho o filme do Hamburger bem mais honesto nas suas intenções.

Quais os obstáculos agora? Sobraram filmes de gente conhecida, como Tornatore e Arcand (ambos ja disputaram entre si em 1990, inclusive, quando Tornatore levou a melhor por Cinema Paradiso - Arcand concorria por Jesus de Montreal e ganhou o prêmio 13 anos depois com As Invasões Bárbaras), "12" de Nikita Mikhalkov, que é uma versão russa do clássico americano "12 Homens e uma Sentença" e filme novo do cultuado polonês Andrzej Wajda. E sempre tem aquele desconhecido que acaba derrubando todas as previsões, simplesmente porque trata-se de uma categoria em que, para escolher o melhor, o votante tem que provar que viu todos os concorrentes e aí um boca-a-boca de última hora sempre pode ocorrer.

Como nenhum deles deve ter criancinha em comunidade judaica, eu aposto no brazuca.

A lista dos 9:

Austria, “The Counterfeiters,” Stefan Ruzowitzky, director
Brazil, “The Year My Parents Went on Vacation,” Cao Hamburger, director
Canada, “Days of Darkness,” Denys Arcand, director
Israel, “Beaufort,” Joseph Cedar, director
Italy, “The Unknown,” Giuseppe Tornatore, director
Kazakhstan, “Mongol,” Sergei Bodrov, director
Poland, “Katyn,” Andrzej Wajda, director
Russia, “12,” Nikita Mikhalkov, director
Serbia, “The Trap,” Srdan Golubovic, director

Nenhum comentário: