sábado, 19 de julho de 2008

Dark Knight Fever


Não, este post não é um comentário sobre "O Cavaleiro das Trevas". Só devo ver o novo filme do Batman quando sair em dvd, no final do ano. Isso porque o Moviecom, a única e péssima empresa de cinema que tem aqui, lançou uma cópia dublada do filme. E aí não dá.


Mas estou impressionado com a sensação que virou este novo filme, que já ganhou status de "obra-prima" antes mesmo de ser lançado e que neste fim de semana certamente quebrará alguns recordes de bilheteria: atualmente, nos EUA, é o Homem-Aranha 3 o filme que mais arrecadou no fim de semana de estréia (incríveis 151 milhões de dólares), mas parece que o novo Batman deve fazer algo em torno dos 160 milhões. E a que se deve isso?


Claro que no final das contas, não importa quanto um filme arrecada, mas sim o que ele nos causou, mas acho muito interessante tentar entender esses fenômenos, até porque a forma que percebemos um filme muitas vezes é influenciada por esses fatores: pode-se amar uma obra por conta de todo o marketing envolvido ("Po! É o novo filme do Batman que até a crítica tá babando! Difudê..."), como pode-se odiar, seja por uma antipatia que muitos têm com tudo que nos é empurrado goela abaixo, seja pra ser do contra mesmo. Fato é que às vezes fica difícil avaliar uma obra como essa apenas pelo que está ali na tela.


No caso de "O Cavaleiro das Trevas", não é só a brilhante campanha de marketing, que envolve cartazes geniais e excelentes trailers. Acredito que a morte de Heath Ledger tenha sido o principal catalisador dessa febre que virou o filme. Claro que de qualquer forma ia ser um dos filmes mais assistidos do ano. Mas duvido muito que se Ledger estivesse vivo, o filme seria o que certamente vai ser: um recordista e a maior bilheteria do ano. E isso não se deve ao fato de ter morrido um ator querido e talentoso, mas (talvez a morbidez de tudo isso) ter morrido o cara que fez o Coringa, aquele personagem sádico, feio, tão facilmente associado a morte, ao bizarro, ao macabro. E possível suicídio, como foi o caso de Ledger, é bizarro, macabro. As pessoas estão indo em massa ver o último trabalho de um ator, mas na verdade o motivo maior é saciar uma curiosidade mórbida, de ver um filme novinho com alguém que já não está entre nós, e ainda mais interpretando um símbolo do mal, ainda que seja um símbolo inofensivo, um personagem de história em quadrinhos. Na época da morte do ator, houve até a suposição absurda de que interpretar o Coringa teria mexido psicologicamente com ele, o que só comprova nosso fascínio pelo macabro e como a arte do entretenimento é tão levada a sério pela nossa sociedade.





Seja como for, "O Cavaleiro das Trevas" acabou juntando toda uma campanha de marketing brilhante, com o fator Heath Ledger e possivelmente bastante qualidade, ou ao menos o suficiente para impressionar platéias e críticos mundo afora, que na sua maioria só tem elogios a fazer ao filme. De minha parte, enquanto não vejo o filme, perdi um pouco de tesão quando soube que a censura era 12 anos, o que não condiz com a aura sinistra e pesada passada pelo trailer que vi, ou pela própria imagem aterrorizante do Coringa. A censura está obviamente ligada a uma necessidade de mercado e só vou poder imaginar que filme teríamos caso o diretor Christopher Nolan pudesse ter a liberdade de fazer algo mais adulto. Também fico com um pé atrás com a duração: um filme do Batman não precisa de 150 minutos, mas essa é uma praga presente em todo filme-evento de Hollywood atualmente. A auto-importância que os produtores e diretores dão a esses filmes (penso em Piratas do Caribe e o último Homem-Aranha) não os permite trabalharem com menos de 120 minutos. Viva o Shyamalan, que nos presenteou com desconcertantes 90 minutos de cinema!


Mas vou parar por aqui os pré-julgamentos. Quando o filme chegar em dvd, volto a falar sobre ele.

4 comentários:

Wally disse...

Cara, nem sou você e já fiquei todo angustiado só de me imaginar em sua situação! Dublado! Ridículo um filme com censura 14 anos chegar só dublado em algum lugar. E depois reclamam da pirataria. É fato que o que mais vende são os filmes dublados. Só não colocá-los nos cinemas. Poxa, fiquei até triste por tu.

Verei o filme hoje, felizmente legendado, mas não vou esfregar na sua cara. Espero que você tenha mais sorte da próxima vez.


E o filme realmente ta MUITO elogiado. Mais que ele só Heath Ledger mesmo. Hoje será de um dia de emoção e de luto. Ver o filme e me despedir de um grande talento do cinema.

Ciao!

Vinícius P. disse...

Espero não ter que passar por essa de filme dublado por aqui, pois assim realmente não dá - por mais que esteja muito ansioso por "The Dark Knight". Recordes de bilheteria devidamente quebrados, resta torcer para o sucesso do filme nas premiações. Abraço!

. disse...

Aqui Batman chega junto com Papai Noel...há! que podre...
mas sei que vc ainda me ama...

Rafael Carvalho disse...

De fato, é uma grande pena. Toda a empolgação para ver esse novo Batman murchou nessa última semana, mas mesmo assim eu fui ver, não conseguiria esperar muito tempo. Mas quero revê-lo numa cópia decente para ter uma opinião mais sólida, muito embora a impressão é muitíssimo positiva. E mesmo com duas horas e meia de duração, o filme não dá descanso momento algum!