sábado, 27 de setembro de 2008

R.I.P. Paul Newman

Paul Newman, 1925-2008


"Um homem só pode ser julgado por suas ações, e não por suas boas intenções ou crenças."
"Não vejo nada de excepcional ou nobre em ser filantrópico. É não ser que me confunde."


Newman, ator excepcional e que já doou mais de 150 milhões de dólares para instituições de caridade.




quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Dexter e Californication (sem Spoilers)

Duas séries que acompanho, ambas da Showtime, tiveram seus episódios de estréia de temporada disponíveis na internet a poucos dias da estréia oficial na tv americana: a terceira temporada de "Dexter" e a segunda temporada de "Californication".


"Dexter" é uma das séries mais cultuadas da atualidade e acho a primeira temporada uma quase perfeição, onde uma trama policial inteligente é narrada via personagem fascinante, com doses de humor negro e reflexão desconcertante sobre sua própria vida (sociopata tentando viver uma "vida normal"). O mais brilhante foi conseguir desenvolver a história do protagonista de forma coerente e verossímil, sem utilizar recursos que abusassem da inteligência do espectador.


Infelizmente, não foi o que houve na segunda temporada: embora o desenvolvimento da trama fosse quase natural dentro dos acontecimentos da série (os crimes de Dexter descobertos), as resoluções foram as mais cretinas possíveis e vimos um sociopata com crise de consciência sem saber se deveria matar um conhecido para se salvar e uma personagem inicialmente interessante mas que é obrigada a se tornar uma ciumenta-possessiva-psicótica digna de um filme do Supercine, para que o protagonista pudesse se safar. Me senti vendo "Smallville" (com melhores diálogos e atores, claro) ou qualquer história de super-herói, onde quem descobre a identidade secreta do mocinho acaba morrendo - mas não pelas mãos do mocinho, óbvio.


O primeiro episódio da nova temporada me deu a sensação de que já cansei de "Dexter" e que aquele primeiro ano vai permanecer na minha memória como um grande momento da tv americana desta década, mas que poderia acabar por ali. O fato é que a narração em off do brilhante Michael C. Hall continua apostando nos comentários ambíguos e sarcásticos, mas faltam a novidade e o impacto que antes tinham. E os personagens coadjuvantes, que eu nunca me simpatizei, vão insistir em protagonizar suas próprias histórias, em sua maioria um grande saco.


Para um season premiere, dá conta do recado, sem grandes empolgações: o assassinato da vez é o início da próxima desestruturação do mundo de Dexter, regido pelo código de seu pai, enquanto a frase final do episódio dá o mote para a próxima reestruturação de seu mundo. Em que isso vai dar, eu não sei, mas vou continuar acompanhando. Quando "Dexter" é mediano (e já tem sido por muito tempo), ainda consegue ser melhor que a maior parte dos programas da tv.


Já "Californication", é uma série muito preocupada em falar de sexo, que não escapa do moralismo vez ou outra, mas que traz seus momentos divertidos, em sua grande maioria graças a um David Duchovny iluminado, que torna tudo muito assistível. As cenas de sexo com mulheres deslumbrantes também contribuem, com um clima de sexo, drogas e rock´n roll muito convidativo, mas às vezes excessivo. É uma série em que seqüências de humor antológicas incluem uma transa que termina em vômito e um ménage à trois que termina com uma super ejaculação feminina. Já os relacionamentos em cena, o destaque fica para o do protagonista com a filha, responsável por alguns dos momentos mais singelos da temporada anterior.


O primeiro episódio da nova temporada parte de uma vasectomia como gancho, o que dá uma idéia de como a série ameaça afundar de vez na merda, o que pode acabar fazendo bem ao todo para quem deseja ver coisas mais bizarras e legais na tv. Seja como for, "Californication" tem uma das aberturas mais bacanas da atualidade. Deve perder apenas (justamente) para "Dexter".

Última Parada 174

E pra surpresa de quase ninguém, o filme de Bruno Barreto, "Última Parada 174", foi o escolhido para representar o Brasil na briga por uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A escolha parecia óbvia porque o diretor tem lobby, não só no cinema nacional, mas também em Hollywood (é casado com a atriz Amy Irving, ex de Spielberg e são todos amigos).


Como eu havia dito no outro post, não vi e não gosto do filme. Nunca vi nada do Bruno Barreto que não fosse medíocre, e, desconsiderando seus sucessos de mais de 20 anos atrás, é adepto de um cinema voltado para o "mercado", o que na verdade nada mais é do que uma tentativa risível de americanizar seus filmes ("Bossa Nova", "O Que é Isso, Companheiro?") ou realizar bobagens ditas populares, mas que ninguém vai ver porque são ruins mesmo ("Caixa 2", "O Casamento de Romeu e Julieta" - e olha que eu até ri nesse! mea culpa, mea culpa...).


Como disse o Rafael no comentário do post anterior, não há necessidade de fazer uma ficção com um fato que rendeu um dos grandes filmes nacionais da retomada, que é o "Ônibus 174", do José Padilha. E a coisa fica pior, quando leio no UOL o Barreto dizendo que seu filme é uma "história humana"... que medo.

sábado, 13 de setembro de 2008

Qual filme nacional vai para Hollywood?

Amanhã será divulgado qual filme representará o Brasil na disputa por uma das cinco vagas para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. São 14 filmes concorrendo e, como disse um amigo, a boa notícia é que este ano não haverá nervosismo em saber se vamos conseguir indicação: não há nenhum grande título que pareça chamar a atenção dos membros da Academia. Eis a lista dos concorrentes:


A Casa de Alice, de Chico Teixera
A Via Láctea, de Lina Chamie
Chega de Saudade, de Laís Bodanski
Era uma Vez, de Breno Silveira
Estômago, de Marcos Jorge
Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima
Mutum, de Sandra Kogut
Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro
Olho de Boi, de Hermano Penna
Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
O Passado, de Hector Babenco
Os Desafinados, de Walter Lima Júnior
O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli
Última Parada 174, de Bruno Barreto



Infelizmente, só vi cinco deles, sendo o meu preferido "A Casa de Alice" (e nem é tão bom assim). De minha parte, gostaria que ele ou "A Via Láctea" fosse selecionado, embora as chances de isso acontecer sejam mínimas. O favorito, claro, é "Última Parada 174", filme que me desperta os maiores preconceitos: não vi e não gostei. E só verei se os comentários de gente em quem confio forem MUITO positivos. Correndo por fora, temos "O Passado" (falado em espanhol, mas dirigido por outro nome de peso do cinema nacional, além ser protagonizado por Gael Garcia Bernal), "Meu Nome Não É Johnny" (o maior sucesso de bilheteria) e "Chega de Saudade", um filme que certamente cairia nas graças dos velhinhos acadêmicos, caso eles conhecessem nossa boa e velha música.


A grande surpresa fica por conta da ausência de "Linha de Passe". Boatos garantem que o próprio Walter Salles optou por não indicá-lo, o que é perfeitamente coerente com o cineasta, que está pouco se lixando para a Academia. Outros nomes fortes de nosso cinema que também preferiram ficar de fora (mesmo com chances zero de indicação) são: Carlos Reichenbach (Falsa Loura), Júlio Bressane (Cleópatra) e José Mojica Marins (A Encarnação do Demônio).


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Melhores Filmes da Década de 90 - #6 e #5



6. Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson (1997)



5. Magnolia, de Paul Thomas Anderson (1999)








De todos os cineastas que surgiram nos anos 90, Paul Thomas Anderson é, ao lado de Quentin Tarantino, o que faz um cinema que mais me fascina, que me faz retornar a seus filmes sempre que possível. Depois da estréia modesta em "Jogada de Risco", seus dois filmes seguintes me conquistaram desde a primeira vez que os vi. E eu já vi ambos cerca de dez vezes cada.


O curioso é que "Boogie Nights" e, principalmente, "Magnolia", estão longe da perfeição e detratores do diretor dispensam seu trabalho por conta de uma suposta visão ingênua e juvenil de mundo. Eu até consigo enxergar, vez ou outra, esse simplismo de seus filmes. Mas PT Anderson tem um tesão tão grande em filmar, compõe seqüências tão maravilhosas e de tirar o fôlego (estetica e dramaticamente), que acabo fazendo vista grossa pra qualquer probleminha que seus filmes possam ter.


"Boogie Nights" é tão cheio de energia que seus 150 minutos passam voando. A história de ascensão, glória e decadência de um jovem que nos anos 70 entra para a indústria do cinema pornográfico é pretexto para um dos retratos mais empolgantes já feitos dessa época - ou pelo menos do que o cinema tem nos mostrado o que foi esse período (para os que não o vivenciaram, como eu).


A estrutura é claramente inspirada em Robert Altman, diretor que sabia como ninguém conduzir narrativas focadas em vários personagens. "Magnolia" vai um passo além porque em "Boogie Nights" ainda temos um protagonista que conduz a trama, mas o roteiro é generoso com a maioria dos personagens, que consegue espaço o suficiente para que o espectador tenha simpatia e compreensão de seus atos. Aliás, carinho pelos personagens é uma das marcas do diretor, que tenta ao máximo fugir do discurso moralizante ao mostrar essa quase família que vive de sexo e drogas.


Em "Boogie Nights" vemos o pleno domínio que Anderson tem de ritmo, uso de música, movimentos de câmera e, claro, na escrita, ao dar nomes (Dirk Diggler! RollerGirl! Brock Landers!) e falas memoráveis a seus personagens. Cada seqüência é realizada com o máximo de inventividade, sejam planos longos ou cortes rápidos, há um senso de ritmo, de organicidade, que funciona como um todo. E, claro, há os detalhes que enriquecem o filme, como as tentativas dos personagens em fazer um filme sério, ou música séria, ou vídeo documentário sério, levando em conta os recursos e a mentalidade da época.


E se Anderson deixa clara sua paixão pelos anos 70, igualmente claro é seu repúdio pelos anos 80, que já começa com uma morte trágica (um dos brilhantes longos planos-seqüência do filme) e o anúncio da chegada do vídeo para matar de vez a indústria do cine pornô e os sonhos do diretor Jack Horner (Burt Reynolds) de ser lembrado como um verdadeiro cineasta.


Do lado negativo, há uma compaixão quase exagerada por esses personagens que são de uma ingenuidade ímpar. E quem não é ingênuo, como um caso de pedofilia que surge no filme, merece todo o castigo possível. Mas como disse antes, o talento de PT Anderson diminui qualquer porém do filme.


Já "Magnolia", não é tão redondo quanto "Boogie Nights", mas quando funciona (na maior parte de suas 3 horas de duração) é uma coisa absurda. Lembro que da primeira vez que vi o filme, logo quando saiu em VHS (pra minha infelicidade, nunca vi um filme de PTA no cinema), tive que rebobinar a fita assim que terminou o prólogo para revê-lo. Depois que o revi (as incríveis histórias de coincidência), veio a apresentação dos personagens ao som da linda música "One", de Aimee Mann, e novamente voltei a fita. O filme todo poderia não funcionar e só essa abertura já valeria mais que boa parte dos filmes que são feitos em Hollywood hoje em dia.


Mas felizmente, há outras tantas grandes seqüências em "Magnolia", tão brilhantes quanto em "Boogie Nights", mas emocionalmente mais fortes. Isso porque as pretensões de Anderson são bem maiores, trazendo uma dúzia de personagens lidando com a morte e o arrependimento em 180 minutos. Algo dessa grandiosidade inevitavelmente esgota o espectador, que depois da metade do filme já entende muito bem a proposta do diretor (daí que uma seqüência como a que Jason Robards no leito de morte tem um enorme monólogo sobre a vida me parece enfadonho e desnecessáro). Só que todo o talento do cineasta, visto no filme anterior, não é mero acaso: mais uma vez a narrativa é segura, mais uma vez as seqüências isoladas são surpreendentes, mais uma vez os efeitos são devastadores.


O filme alterna seu ritmo, num crescendo de clímaxes durante toda a projeção, que tem uma trama (ou melhor, tramas) que se passa em apenas um dia. Por conta disso, as seqüências marcantes são facilmente identificadas em episódios isolados: Julianne Moore desabafando toda sua dor em uma farmácia; Tom Cruise e sua aula de como "pegar mulher" (que lembra as pregações do pastor de Paul Danno em "Sangue Negro"); a tensão alimentada pelo programa de perguntas e respostas guiando momentos dramáticos de todos os personagens; Cruise sendo desmascarado, aos poucos, pela jornalista; todo o elenco cantando mais uma bela e triste música de Aimee Mann ("Wise Up"); e, claro, uma chuva inesperada que mostra a coragem de PT Anderson em fazer o filme que queria.


Em suma, filmes marcantes do cinema americano dos anos 90, que infelizmente não tiveram tanta repercussão quanto mereciam, mas que ficam na memória do cinéfilo que se permitir a incrível experiência emocional e estética que são, desse jovem cineasta que certamente ainda fará outros tantos filmes maravilhosos ("Embriagado de Amor" e "Sangue Negro" além de confirmarem seu talento, mostram sua versatilidade).

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Filmes vistos em Agosto

Praticamente duas semanas sem internet, blog abandonado, volta às aulas, mudança de endereço... Agosto não foi rico em filmes, mas a arrancada no início do mês fez com que a coisa não ficasse tão feia: 17 filmes vistos, sendo apenas duas atrocidades.

E ainda estou devendo o restante da lista dos melhores dos anos 90...

Os filmes de Agosto, mais ou menos em ordem de preferência:


As obras-primas

1. Acossado, de Jean-Luc Godard (1960)
2. Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodovar (1999)
3. En La Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerín (2007)
4. A Salvo, de Todd Haynes (1995)
5. A Casa de Bambu, de Samuel Fuller (1955)


Os grandes

6. O Beijo Amargo, de Samuel Fuller (1964)
7. O Pagamento Final, de Brian De Palma (1993)
8. Carne Trêmula, de Pedro Almodovar (1997)
9. A Teia de Chocolate, de Claude Chabrol (2000)
10. Tudo que o Céu Permite, de Douglas Sirk (1955)


Os legais

11. Um Beijo Roubado, de Wong Kar-Wai (2007)
12. Minha Mãe, de Christophe Honoré (2004)
13. Chega de Saudade, de Laís Bodanzky (2007)
14. O Filho de Rambow, de Garth Jennings (2007)
15. Monty Python Flying Circus - O Melhor por John Cleese (2006)


Os medíocres

16. Ponto de Vista, de Pete Travis (2008)
17. Be Kind Rewind, de Michel Gondry (2008)