sexta-feira, 31 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 11

Domingo foi dia de compromissos sociais, e felizmente a programação da Mostra não trazia grandes atrações. Foram apenas três filmes, dois deles que arrisquei por conta do horário que estava apropriado. Em pelo menos um, me arrependi amargamente.




43. Mão Morta Bate à Porta, de Ramon Costafreda - Filme "mosaico" sobre vários personagens que vivem em Barcelona e se cruzam diariamente. A diferença para o que estamos habituados a ver é o tom fantástico que invade a trama nos momentos mais inesperados. Por exemplo: um dos personagens morre no meio do filme (em acidente automobilístico filmado de forma interessante) e logo há uma hilária narração sua pós-morte sobre como sua família ficou melhor sem ele. Em outro momento, outro personagem conta como morreu e pediu para São Pedro uma nova chance. Morte e histórias de amor estão o tempo todo na tela, ora com seriedade, ora com pura avacalhação. A parte técnica é pobre demais, os atores são ruins. São boas idéias perdidas aqui e ali filmadas toscamente. Mas me fez rir algumas vezes. Já foi um feito e tanto. (Nota 3)




44. Tedium, de Bahman Motamedian - fui ver pela sinopse: documentário sobre transexuais do Teerã, contando como é viver na cultura islâmica. a a primeira cena já mostra a fria que entrei: vários transexuais em uma sessão de terapia em grupo discutindo sobre o direito que eles têm de amar. Sabendo que sessões de terapias não podem ser filmadas, percebi que o que iria ver era um show de encenação para a tela. E de fato "Tedium" mostra a difícil vida de seus personagens (que podem ser atores ou não) dramatizando várias situações nas ruas, no trabalho, em casa, brigas com a família... digno das piores reportagens que temos visto no "Fantástico". Há temas riquíssimos para discussão (como o travesti que desejaria fazer mudança de sexo, caso as mulheres não fossem tão privadas de direito em sua cultura), mas tudo jogado no lixo em prol de uma representação que spostamente estaria fazendo o bem e a denúncia. Horrível. (Nota 1)




45. Juventude, de Domingos Oliveira - três amigos ricos, bem de vida, já com mais de 60 anos, reúnem-se para um final de semana de comemoração e recordação dos velhos tempos. Filme delicioso e muito largado de Domingos Oliveira, filmado em digital (projeção ruim, aliás) e cheio de licenças poéticas (a câmera aparece algumas vezes), onde basicamente temos a diversão desses homens, conversando sobre os mais diversos assuntos. Engraçado e carinhoso, é obra de quem está de bem com a vida e quer mostrar isso na tela grande. Há um ou dois dramas mais sérios no filme, mas nada que acabe com a diversão. No entanto, é de se perguntar o quanto não há de preguiça e má vontade em se fazer um cinema de maior qualidade técnica e artística. Mas aí é uma exigência de espectador e certamente o cineasta está pouco se lixando e fez o filme que quis. Recomendo para ser visto em dvd. (Nota 3)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 10

Estou aqui no último dia de Mostra, a poucos minutos para encarar as mais de quatro horas do "Che". Tentando agilizar os comentários do que andei vendo, vamos ao sábado. O dia que mais rendeu filmes, alguns deles muito esperados e concorridos.




37. Depois da Escola, de Antonio Campos - Um dos filmes mais comentados da Mostra. Saí com a sensação de que o cinema independente americano precisava ter esse filme, uma tentativa de tornar mais palatável o "Elefante" de Gus Van Sant. A diferença é pouca na abordagem: estamos numa escola típica americana, acompanhamos a rotina de alguns jovens, uma tragédia ocorre. Também não há uso de trilha sonora, e há longos silêncios. Mas o que interessa ao filme de Campos (que é de Nova York, apesar do nome) é fazer o retrato de uma juventude e sua relação com a imagem. Estão lá os vídeos pornôs e violentos disponíveis para qualquer um via internet, imagens capturadas pelo celular, personagens que fazem um vídeo documentário. Muitas vezes a câmera de Campos parte do ponto de vista destas imagens e surpreendentemente se sai bem, porque a narrativa poderia facilmente se tornar maçante, mas não é o caso. De todo modo, há um certo vazio e frieza no modo como o filme se relaciona com os estudantes, algo bem distante do talento que Van Sant tem em nos colocar ao lado dessas pessoas. O que se vê em "Depois da Escola" é quase como uma tese de alguém que quer comentar um certo estado de coisas e que se distancia o suficiente para tal. Como um cientista e seu objeto de estudo. Ainda assim, digno de interesse. (Nota 3)









38. Leonera, de Pablo Trapero - Sem dúvida o melhor filme de Trapero e um dos grandes da Mostra. O diretor argentino dá continuidade ao belo trabalho de câmera que já havia mostrado no anterior "Nascido e Criado" e impressiona na história de uma moça grávida que, acusada de cometer um assassinato, vai para uma prisão onde vivem outras gestantes e presidiárias com filhos de até 4 anos de idade. Trapero esquadrinha cada canto da prisão, criando lindos planos seqüências que acompanham de perto sua protagonista. Inevitável lembrar dos Dardenne, inclusive pela postura ética do diretor. Não há julgamentos morais, maniqueísmos ou clichês para contar a história de uma mulher que é uma força da natureza (Martina Gusman, atriz excepcional) imprevisível nas suas atitudes. Sequer sabemos se ela é culpada ou não pelo crime que a levou para a prisão. Emocionalmente forte, ao final saí me lembrando de Kill Bill, também sobre uma leoa que faz de tudo por sua cria. (Nota 5)









39. Serbis, de Brillante Mendoza - Inexplicável o bombardeio que esse filme filipino recebeu em Cannes. Não dá pra acreditar que a crítica "especializada" seja tão pudica. Sim, porque "Serbis" tem nudez feminina, masculina, sexo explícito, masturbação, travesti botando a boca na butija, etc. Mas isso ainda assusta alguém hoje em dia? O filme é sobre uma família dona de um cine pornô, local também onde moram. Durante as sessões, homens ficam no corredor perguntando aos clientes "Serviço?" (Serbis), para os que querem uma "mãozinha". Não é uma obra-pima, e nem pretende ser (pouco mais de 80 minutos mostrando o cotidiano dessa família), mas é um exercício de cinema bem interessante, com as personagens transitando por local tão peculiar: uma criança que espia pelos cantos, relacionamentos às escondidas ou platônicos, e a matriarca, que parece tratar tudo como um negócio qualquer, mas é moralista o suficiente para achar o fim do mundo a traição de seu ex-marido. A se destacar o som do filme, que insiste em colocar a cidade dentro daquele ambiente, e ao menos uma seqüência memorável: durante a sessão de um filme, com serviços ocorrendo, uma cabra invade o lugar... Filme inusitado, corajoso e nada imoral. (Nota 4)






40. Desierto Adentro, de Rodrigo Plá - Uma das nulidades desta Mostra, o novo filme de Plá (de quem eu gostei muito, mesmo que maniqueísta, "Zona do Crime") é aposta do México para o Oscar. Uma bobagem de bela fotografia sobre um pai de família que acredita que foi abandonado por Deus e será punido junto com seus filhos, e por isso resolve passar sua vida construindo uma igreja. Talvez tenha sido meu cansaço, mas a narrativa não me prendeu um segundo, muitas vezes mudando de foco, ora o protagonista é o pai de família, ora um de seus filhos. E cheio de auto-importância, com pinturas religiosas e frases de efeito (umas da biblia, outras de Nietzsche) abrindo os "segmentos" do filme. Tedioso. Não recomendo. (Nota 1)



41. Cry Me a River/24 City, de Jia Zhang-Ke - Dobradinha de um dos mais cultuados cineastas da atualidade. "Cry Me a River" é um curta que estreou no Festival de Veneza, sobre quatro amigos que um dia já foram casais, e que agora discutem o que foram, o que são, o que poderiam ter sido. E claro que a cidade está lá presente para se relacionar com as suas memórias. Filme de 20 minutos que acaba como um filme "de arte" tem que ser: sem respostas, deixa o espaço para a reflexão. É bonito, mas um grande "e daí?" surgiu na minha cabeça. Talvez uma boa idéia para um longa. Depois veio a atração principal, o documentário "24 City" que concorreu em Cannes. O diretor entrevista operários de uma enorme fábrica que fechou suas portas para dar lugar a um complexo residencial em uma cidade da China, misturando depoimentos verdadeiros com o de atores. Lembrar de "Jogo de Cena" é inevitável, mas a proposta é bem diferente. Zhang-ke dá continuidade ao seu tema predileto, que é registrar em imagens a passagem do tempo e transformação de seu país. Infelizmente, a projeção em digital não foi das melhores, mas o filme traz belos e impressionantes depoimentos, quase sempre com grandes prédios ou construções ao fundo. Eu juro que estava esperando um dos prédios voar a qualquer momento... De interesse, mas não me ganhou. (Nota 3)



42. Waltz with Bashir, de Ari Folman - Outra sensação vinda de Cannes, a animação israelense é o Persepolis deste ano: técnica não usual (não me perguntem qual, sou total ignorante em animações), tema autobiográfico sobre situação social e política vivida pelo autor. No caso aqui, um homem (talvez o próprio diretor) buscando resgatar a memória que lhe falta sobre um evento envolvendo sua participação na Guerra do Líbano. Através de depoimentos, reconstruímos a guerra junto com o protagonista, através de imagens surreais, oníricas e também próximas da realidade. A diferença gritante para "Persepolis", é que este israelense não faz concessões, é sisudo, violento e há até uma cena de sexo explícito. Vez ou outra, as soluções visuais são bem interessantes, mas na maior parte do tempo são óbvias (se um homem diz que estava cheio de culpa, logo as folhas de uma árvore fazem enorme sombra nele) e os monólogos/depoimentos são enormes e enfadonhos. Filme de boas intenções e experimenta partindo para uma linguagem que não é utilizada para o tema em questão. Mas seu final, com cenas "reais", mostra que o cara acaba não botando muita fé no seu projeto como forma de impactar e chamar a atenção para o que quis mostrar. (Nota 2)

São Paulo - Dia 9

Na sexta-feira foram quatro filmes. Seriam cinco, se eu não tivesse sucumbido no filme bósnio "Neve": com menos de quinze minutos de duração fechei os olhos e quando abri o filme já estava acabando. Menos efeito da obra em si do que o cansaço e sono acumulado dos últimos dias. Os outros foram:




33. Machan, de Uberto Pasolini - Baseado na história real de um grupo de homens do Sri-Lanka que, sem boas condições de trabalho, tentam sem sucesso visto para saírem do país. É quando têm a idéia de formarem um time de Handebol para disputar um torneio na Alemanha, como seleção convidada. O problema é que eles nunca ouviram falar de Handebol... Filme simpático, um dos sucessos com o público por aqui. Acho que, pelo final da trama (que não vou contar), renderia um documentário interessante. Do jeito que está, é filme comercial, com diluição de dilemas, um certo pieguismo, mas não deixa de ser visto com um sorriso no rosto, pelo carisma dos atores, principalmente. (Nota 3)



34. Romance, de Guel Arraes - Parece que a única certeza de um bom filme com o selo Globo Filmes é quando tem por trás os nomes de Guel Arraes ou Jorge Furtado. No caso de "Romance", há os dois dividindo o roteiro e Arraes dirigindo, e o resultado é dos mais interessantes. É a história de um ator/diretor de teatro (Wagner Moura) que monta a peça de Tristão e Isolda ao lado de uma atriz (Letícia Sabatella), por quem se apaixona e ambos têm um caso. Que logo não vai durar, e entre os motivos está o fato de ela conseguir um importante papel em uma novela que a eleva a estrela, enquanto ele é um homem do teatro que abomina a televisão. Alguns anos se passam e eles se reencontram quando ela o convida para dirigir um especial de final de ano para a tv, justamente sobre Tristão e Isolda. O filme é uma delícia de se ver, com texto ágil e inteligente brincando de metalinguagem, fazendo comentários ácidos sobre os interesses de mercado da televisão, falando apaixonadamente sobre a arte da dramaturgia e de amar. Apesar de sua famosa linguagem televisiva, Arraes faz cinema de verdade (ao contrário das anomalias do tipo Os Normais, etc.) com elegantes movimentos de câmera, belos enquadramentos, num roteiro bem amarradinho, com destaque para os personagens de Andrea Beltrão e José Wilker, hilários representantes dos inescrupulosos produtores de tv que pouco se importam com arte e sempre de olho no ibope. Filme engraçado, cheio de situações e sacadas inteligentes, que só peca um pouco na verossimilhança de um "quadrângulo" amoroso que surge e na pouca confiança na inteligência do público ao entregar algumas sutilezas da trama. É um filme de mercado, apesar de tudo. E dos bons. (Nota 4)




35. A Erva do Rato, de Júlio Bressane - Nunca tinha visto um filme de Bressane, mas sabia da sua fama de "ame-o ou deixe-o". Como eu não consigo ser extremista com cineastas que certamente são talentosos, achei este seu novo filme uma obra curiosa, mesmo que não tenha gostado. Selton Mello, Alessandra Negrini e um rato são os únicos seres vivos desta estranha história de... amor? Os dois atores se conhecem por acaso num cemitério e após um breve diálogo, ela passa a morar com ele, que durante todo o filme irá dita textos mais saídos de uma enciclopédia, além de preocupações com um misterioso rato que anda roendo as fotos que ele tira. Absurdamente lento, o filme tem uma fotografia linda (cortesia de Walter Carvalho, obviamente) para nos prender a toda a bizarrice vista em tela, além de seqüências muito bem filmadas que atraem o olhar. A parte final tem de misterioso e assustador tanto quanto tem de triste, embora o espectador que tenha admirado aquilo tudo de longe possa sentir um vazio ainda maior ao sair do cinema. (Nota 2)




36. Sinédoque, Nova York, de Charlie Kaufman - Não morro de amores pelos filmes roteirizados por Kaufman, embore admire muito a beleza e criatividade de suas tramas. Sua tão aguardada estréia na direção só deve mesmo agradar aos fãs mais ardorosos, porque Kaufman investiu todo seu talento em algo tão pretensioso como se fosse o último filme de sua vida, como se não houvesse amanhã. A ambição é enorme, o roteiro é bastante engenhoso, mas a coisa toda vai ganhando em complexidade na mesma medida em que perde em interesse. Isso porque Kaufman tem uma visão um tanto depressiva da vida e expressa isso num tom igualmente "pra baixo", miserável mesmo (a parte final de "Quero Ser John Malkovich" deixava isso muito claro). Seus personagens chegam a um fundo do poço que francamente não me interessa. Na verdade isso pode ser sentido desde o início do filme, quando acompanhamos um dramaturgo (Philip Seymour Hoffman, sempre bom) descendo ladeira abaixo, na relação com esposa, filha e trabalho. Mas toda essa miséria, pra mim, cheira a sofrimento de boutique. Não vejo muita verdade na sua obra, embora este filme vez ou outra traz uma piada engraçada. Tem gente que achará brilhante, complexo, objeto de estudo por conta de todos os detalhes, referências e blablablas que se acumulam até o final. Eu achei uma das experiências mais insuportáveis da Mostra. (Nota 1)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 8

A quinta-feira foi o dia com menor número de filmes vistos - três, no total. Mais uma vez troquei um filme por mais tempo de sono, e o grande filme do dia (entre duas bombas) além de ser longo (150min), passou num cinema longe do circuito principal.



30. A Canção dos Pardais, de Majid Majidi - Um homem é demitido da fazenda que trabalha nos arredores de Teerã, por conta de ter perdido um avestruz e, nas ruas da cidade, é confundido com um mototáxi, passando a ganhar dinheiro assim para sustentar a família, que inclui uma filha que danificou seu aparelho de surdez e um filho que insiste com seus amigos em criar peixes para ficar milionário. Mais um filme iraniano de boas intenções, onde o protagonista tem que confrontar seus valores morais com a suposta perda deles de uma sociedade cada vez mais...ah... perdida. Típico filme "engraçadinho e bonitinho", mas de mim não tirou um sorriso, já cansado da obviedade deste cinema proposto por Majidi, maniqueísta e simplório nas suas pretensões. Tem uma bela fotografia, tentado resgatar Kiarostami, e só. (Nota 2)



31. Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes - Dificilmente teremos algo mais original e inventivo nesta Mostra. É um documentário, e é uma ficção. E não é nem uma coisa, nem outra. Filme surpreendentemente engraçado, se passa na região de Arganil, em Portugal, e capta as festividades do local no mês de agosto, além do cotidiano dos moradores. Só que isso não é feito de maneira comum, a metalinguagem está presente no filme todo, que é dividido em duas partes: a primeira, em estilo documentário; a segunda, aparentemente uma ficção, mas que discute o tempo todo a sua própria realização. Pontuado sempre por ótimas canções portuguesas, o filme é riquíssimo na sua aproximação do local, ao mesmo tempo que se fala do prazer de fazer cinema. É um filme em que vemos diretor e técnico do som conversando tendo divergências. É também filme complexo que merece uma revisão, pois elementos da ficção acabam fazendo referência a outros da parte "documentário". Tenho certeza que não peguei nem metade das sutilezas da obra numa única sessão. Infelizmente não dá pra encaixá-lo novamente na programação sem sacrificar dois filmes no processo. Mas é o mais recomendado da Mostra, pea sua originalidade. (Nota 5)



32. 10+4, de Mania Akbari - A atriz de "Dez", de Abbas Kiarostami, está com câncer e resolve fazer uma continuação do filme (segundo consta na abertura, sugestão do próprio Kiarostami), como forma de expressar sua experiência com a doença. Com estrutura que começa de forma semelhante ao filme anterior (câmera fixa, um carro, duas pessoas dialogando, sendo uma delas a própria atriz/diretora a motorista), Akbari faz da obra algo muito pessoal, mas que infelizmente como cinema é de uma pobreza que só comprova que a simplicidade de "Dez" não significa que qualquer um pode fazer uma obra-prima, como Kiarostami o fez, usando apenas duas câmeras fixas dentro de um carro. Tudo que se pode elogiar no filme anterior é feito ao contrário pela atriz, que até parte da afirmação da vida diante da morte, mas sem sutilezas ou o mínimo de encenação, tão característico do mestre iraniano. Para se ter uma idéia, numa das primeiras seqüências do filme, uma mulher derrama mais lágrimas do que todos os filmes de Kiarostami juntos já teve. De curiosidade, fãs de "Dez" podem ver o menino já adolescente, e a bela Akbari com seu corpo tristemente afetado pela doença. É muito pessoal e certamente importante para ela, e discussões sobre o câncer podem chamar a atenção de pessoas que convivem com a doença. Mas cinema não é só feito de boas intenções. (Nota 1)

domingo, 26 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 7

Com a Mostra consumindo todo meu tempo, tá difícil atualizar isso aqui. Não sei como jornalistas e críticos conseguem se manter "online" com um evento como este.
Enfim, na quarta-feira troquei o novo filme do Majid Majidi por mais um tempinho de sono, então foi um dia de apenas quatro filme:


26. A Rotina Tem Seu Encanto, de Yasujiro Ozu - O primeiro filme que vejo de um dos cineastas mais importantes da história e o último feito por ele, que morreu no mesmo ano (1962). Ao menos por este filme, uma quase comédia sobre um homem que percebe que precisa casar sua filha para que esta não envelheça cuidando dele, não é um cineasta de difícil assimilação. Ozu filma com câmera fixa, um pouco abaixo da altura dos personagens, que quase sempre estão sozinhos no quadro, olhando por sobre a câmera quando conversam entre si. Mas o que parece rigidez é só aparência mesmo, porque a vida acontece o tempo todo na tela, personagens em constante movimento nas situações mais banais filmadas por Ozu. E é dessa banalidade que se constrói a narrativa, engraçada e sensível, até ingênua demais para os dias de hoje. O diretor capta momentos, e destes momentos se faz a vida. O título é mais do que apropriado. (Nota 4)


27. Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte - Fui ver esse nacional sem saber do que se tratava e se eu soubesse que era protagonizado por Cauã Reymond, novo "galã" da Globo, eu teria passado longe. Mas que sorte eu não ter visto isso antes! Inacreditável dizer isso, mas Reymond está muito bem em um filme maravilhoso, certamente o filme nacional do ano. É a história de gente fudida: Reymond interpreta jornalista que vive de bicos, quase sempre sem ser pago, com milhares de contas a pagar, cuida de uma mulher bulímica e seu filho pequeno, além de viver com a empregada, que não recebe salário há quatro meses e só continua com ele porque pelo menos lá ela tem um teto. Ele vai conhecer Macim, personagem absolutamente fascinante de Caroline Abras, que vive como um homem, e trafica pequenas quantidades de drogas. Juntam-se a eles um motorista de Taxi (vivido pelo onipresente João Miguel), sempre carregando uma arma e que anda tendo "pensamentos estranhos", e logo, quando nada mais der certo, o jeito é passar para o outro lado da lei. O filme impressiona o tempo todo, Belmonte foge de todos os estereótipos possíveis e faz uma crônica do brasileiro médio que cada vez mais perde as esperanças de ter um lugar ao sol nesta nossa sociedade tão maravilhosa. Os personagens não são meras vítimas, a crueldade dos acontecimentos não trazem um cinismo e pessimismo típico de um "Cronicamente Inviável", a direção é constantemente inventiva, a trilha sonora é usada com brilhantismo (um assalto ao som de Saltimbancos certamente ficará para a história), a criança não está lá para ser engraçadinha (sua busca pela última figurinha do álbum do campeonato brasileiro, um jogador que desafiou os cartolas do futebol, é a grande metáfora do filme) e até a narração em off do Cauã Reymond é muito boa. Pasmém! Foi meu choque da Mostra. (Nota 5)


28. Horas de Verão, de Olivier Assayas - O filme abre com crianças brincando numa enorme casa de campo, para logo vermos que se trata de uma comemoração do aniversário de 75 anos de uma senhora, viúva, com três filhos e dona da obra de um grande pintor falecido, parente de seu marido. Muito belo, o francês "Horas de Verão" vai trabalhar sempre neste trânsito entre o novo e o velho, após a senhora morrer e seus filhos começarem fazer a repartição dos bens. Dois deles moram muito longe (a filha, nos EUA; um dos filhos, na China), então é inviável manter todas as obras de artes e a casa de campo que sempre pertenceu a família, para tristeza do filho mais velho, economista que mora em Paris e para quem sua mãe pede, logo no início do filme, para que a família mantenha todos estes pertences. A câmera de Assayas é de uma elegância incrível, planos que dão a idéia de movimento que se instaura na narrativa. O filme é sobre a preservação da memória, sobre a transmissão de valores, mas é também sobre mudança, transformação, e o grande mérito de Assayas é não se apegar a um pessimismo que não aceita a renovação, o novo. É um filme "pra cima", os conflitos não alcançam um nível neurótico de uma possível disfunção e crise da família, com um final que retoma o início, na idéia de que as coisas mudam, não importam se para pior ou melhor. Não é intenção de Assayas discutir isso. Ainda bem. (Nota 5)


29. Perro Come Perro, de Carlos Moreno - Filme colombiano que o país selecionou para concorrer a uma das vagas ao Oscar de Filme Estrangeiro do ano que vem. Certamente não será escolhido: um filme policial, em que um bandido rouba dinheiro de poderosos criminosos e tenta entregá-lo para ex-mulher e filha. O problema é que o próprio criminoso que foi roubado, e que não sabe quem roubou, o convoca para procurar pelo dinheiro. Então passa seus dias num hotel vagabundo, ao lado de outro bandido, que por ter matado quem não devia começa a ser afetado por uma magia negra que lhe lançaram. Enquanto tenta se safar desta situação, nosso protagonista (pessoa nada agradável que tortura e mata sem problema nenhum) ainda tenta não se irritar com os constantes telefonemas de um homem que quer falar com uma tal Adele, que ninguém conhece. Filme de gênero divertido, chupa muito da tradição criada com "Amores Perros", onde a fotografia suja impera tanto quanto cães vira-latas que logo são associados a natureza humana dos personagens. Vale uma conferida. (Nota 3)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 6

21. Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson - A velha história de um garoto de 12 anos, solitário, vivendo apenas com a mãe e sem amigos, que constantemente é humilhado por seus colegas, começa a se relacionar com uma vizinha de sua idade, também sozinha e cada um encontrará no outro conforto ára seus problemas. A diferença aqui é que a menina é uma vampira e o drama pré-adolescente ganha interessantes contornos de filme de terror. Na verdade, o filme talvez fosse bem melhor caso o diretor investisse mais nos ataques que a garota faz em busca de sangue, porque as seqüências são muito bem filmadas, com ótimo clima de suspense e imagens marcantes (a última, numa piscina, é muito bonita). Como está, é um simpático filme sobre gente desajustada buscando um lugar ao sol. (Nota 3)
22. Sob Controle, de Jennifer Lynch -Uma boa surpresa o filme da Senhorita Lynch, que há mais de dez anos havia feito uma bizarrice chamada "Encaixotando Helena" que não impressionou quase ninguém. Agora está de volta com um suspense policial muito bem construído e tenso, cheio de referências ao cinema do pai. A abertura, com ares de ritual satânico poderia muito bem abrir uma obra de David Lynch. A história gira em torno de um massacre numa estrada, onde apenas três pessoas sobreviveram e narram a história para dois agentes do FBI. Acompanhamos o que aconteceu através da narrativa desses três personagens que nos levam a flashbacks que muitas vezes contradizem o discurso mentiroso deles. A tensão e a curiosidade com o que e o como aconteceu é enorme, e Miss Lynch sabe muito bem criar climas e situações que beiram o doentio. No final, temos a velha "big fuckin´ surprise", que normalmente eu costumo fazer cara feia, mas é quando o filme abraça de vez a perversão e o resultado é tão engraçado quanto assustador. Ressalva apenas para Bill Pullman, que acho um canastrão de marca maior (seu melhor papel foi justamente num filme de Lynch pai, "A Estrada Perdida"). (Nota 4)
23. Ninho Vazio, de Daniel Burman - Uma das melhores surpresas que tive ano passado foi com o filme "As Leis de Família", do argentino Daniel Burman, um drama familiar dos mais cativantes, sobre um homem aprendendo a ser filho e a ser pai. "Ninho Vazio" é só uma variação do que Burman havia feito antes, muito simpático, engraçado e comovente, tudo na medida certa, o que acaba decepcionando quem gostaria de ver algo mais. Há duas pequenas transgressões que invadem a narrativa, rápidos momentos que ameaçam se transformar num musical, e que se houvesse mais destes momentos, talvez eu me interessasse mais pelo que estava vendo. É a história de um homem de meia idade, dramaturgo de sucesso, mas que em casa é um desastre na relação com sua esposa e filhos (todos saíram de casa para seguir profissões em outros países, algo que sua esposa não acha se tratar de coincidência). Como no filme anterior, é um percurso de aprendizado para alguém que se permite muito pouco em termos de afeto e preocupado com aparências e um saber científico das coisas (aqui, o personagem gosta de ver os diplomas de seus médicos, e até busca resposta com um neurocirurgião sobre sua atração por uma dentista). O final traz uma pequena surpresa que dialoga bem com tudo o que o drama tratava e que torna o filme ainda mais "fofo". Eu teria gostado mais se não fosse tão certinho. (Nota 3)
24. Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase - Sucesso no ano passado no Festival do Rio, um filme japonês que ainda não tem distribuição no país. Dos mais lentos que vi até agora, basicamente trata-se de uma jornada de um senhor de idade acompanhando por uma enfermeira da casa de repouso em que vive, no meio de uma floresta. Ele, viúvo há 33 anos e que nunca aceitou a morte da esposa; ela, também com uma tragédia no seu passado. É um filme que explora o drama de seus personagens não com diálogos ou situações criadas por um roteiro, mas na sua relação com a natureza, as imagens são poderosas, a câmera não pára de se mover um minuto, a floresta engole os personagens, uma experiência puramente sensorial. É um filme místico, religioso mesmo, de muita beleza, mas que vez ou outra surpreendentemente apela para um sentimentalismo mais fácil. Mais uma recomendação para quem deseja ter novas experiências no cinema. (Nota 4)
25. Segurando as Pontas, de David Gordon Green - Eu disse que poucas vezes vi uma sala de cinema rindo, como no novo filme dos Coen? Pois nada se comparou a esta nova comédia da trupe responsável por "Superbad" (um dos meus filmes prediletos do ano passado). É incrível a verdadeira overdose de piadas, que vão se amontoando durante o filme, quase todas geniais. Você não termina de rir de algo, e lá vem outra atropelando. Ao meu lado, uma moça engasgava de tanto rir; do outro lado, uns rapazes aplaudiam várias cenas. Curiosamente, divide com o filme dos Coen duas piadas: a primeira, uma forma divertida e eficaz de se entregar um mandato judicial; a segunda, pessoas comuns confundidas com perigosos espiões. E o filme retoma o que há de melhor em "Superbad", que é uma valorização da amizade, um filme todo feito para exarcebar a camaradagem, um amor incondicional pelo outro. No fim das contas, é um romance. Ou como já apelidaram, um "bromance". James Franco é a verdadeira surpresa e sensação do filme. Nunca poderia imaginar que fosse comediante tão bom. (Nota 5)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 5

A segunda-feira foi boa em escolhas, e mais um dia cheio.






16. Tulpan, de Sergey Dvortsevoy - Há quem ache que numa Mostra como esta, não vale a pena rever um filme, já que o tempo poderia ser usado para conhecer novas obras. Mas "Tulpan", como eu já havia dito, me impressionou demais, e eu queria me maravilhar novamente. A revisão não mudou em nada minha percepção. Comovente e engraçado, incrível como o filme poderia facilmente ter tomado uma visão antropológica e tratado região e personagens com um olhar superior de quem está examinando uma cultura exótica e distante, mas está longe disso. A boa notícia é que o filme já vem com as legendas em português (não são postas na hora como em alguns filmes), o que significa que deve ter distribuição garantida no país. (Nota 5)






17. Queime Depois de Ler, de Joel e Ethan Coen - Depois do Oscar com o apocalíptico "Onde Os Fracos Não Têm Vez", os Coen voltam à comédia de erros, criando um filme absurdamente tolo e extremamente engraçado. Poucas vezes vi uma sala de cinema rir tanto, chegando ao final num clímax de gargalhadas, quando até mesmo derramei lágrimas com as hilariantes seqüências finais. No filme, há a clássica trama de intrigas, envolvendo espiões da Cia, e gente comum que acidentalmente se envolve com este meio. A diferença é a brincadeira muito bem construída com o que Hitchcock chamava de mcguffin, o elemento do roteiro que move a narrativa mas que é irrelevante. Todos os atores têm espaço para brilharem, mas certamente é Brad Pitt quem mais arranca risadas da platéia. Mais um acerto destes brilhantes cineastas. (Nota 4)






18. Linha de Passe, de Walter Salles - Uma escapada da Mostra para ver o novo de Salles. Embora goste de seus filmes, há algo na visão de mundo do diretor que me incomoda. Um olhar meio piedoso para seus personagens, uma valorização e ênfase de situações que tornam suas obras quase militantes, tomando partido dos fracos e oprimidos. Mas o homem filma como poucos, tendo um incrível domínio da narrativa. E "Linha de Passe" talvez seja seu melhor filme, justamente por ter o que Salles sabe fazer de melhor, ao mesmo tempo que é mais honesto e respeitoso com a realidade de seus personagens, sem muitas possibilidades de discursos demagógicos ou piedade e carinho em excesso. A subtrama que acho mais interessante é a do filho evangélico, porque seria muito fácil (e até tentador) destilar ironia, criticar e fazer graça dos cultos, do pastor que cobra dinheiro, do batismo. Mas Salles entende que a busca do personagem é tão válida como a de seus irmãos, o motoboy que corre as ruas de São Paulo por dinheiro, o que sonha em ser jogador de futebol, o garoto que passeia de ônibus atrás de seu pai. E no centro de tudo isso, a mãe que não perde a fé no Timão, que corre o risco de ser rebaixado - e o fato de já sabermos que o Corinthians vai parar na segunda divisão me faz pensar no quanto de fatalismo Salles está injetando na sua obra. É um filme de muitas camadas, que traz muitas realidades e com um roteiro que consegue dividir a importância de todos com muita justiça. Para rever em outra ocasião. (Nota 5)




19. Sonata de Tokio, de Kiyoshi Kurosawa - Um filme engraçado, triste, fantástico, dramático e assustador. Pode tudo isso em uma única obra? O filme do "outro Kurosawa" é sobre uma família (marido, esposa e dois filhos homens) que começa a desmoronar quando o patriarca é demitido de seu emprego e passa a andar pelas ruas de Toquio sem ter coragem de dar a notícia para sua esposa. Algo parecido já foi visto em "A Agenda" ou "O Adversário", mas a diferença aqui é de tom, de interesse pelos demais da família (os anseios da esposa, o filho mais velho que se alista no exército, o mais novo que toma aulas de piano escondido dos pais), de construção narrativa. A destruição desta família meio que funciona como símbolo da decadência de alguns valores da sociedade japonesa, muito mais preocupada com aparências do que com verdadeiros afetos. A transformação na vida dos personagens também é contada por meio da fotografia, das luzes dos ambientes, da posição da câmera que filma a casa deles. Um filme que também arrisca com situações absurdas próximas ao final, podendo causar estranhamento e até rejeição. Mas quem estiver disposto a aceitar o diferente e o imprevisível, sem dúvida ficará encantado com o filme. (Nota 5)




20. A Fronteira da Alvorada, de Philippe Garrel - O novo filme de Garrel é odiado por muitos e amado por poucos. Fiquei no meio termo, apesar de entender mais aqueles que odeiam do que aqueles que amam. Em uma narrativa extremamente lenta, temos a história de um fotógrafo (o filho de Garrel, Louis, conhecido por "Os Sonhadores", "Em Paris", "Canções do Amor") que se envolve com uma atriz e vive uma complicada história de amor, até que lá pelo meio do filme, a trama sofre uma reviravolta e o filme caminha para um desfecho que pode ser interpretado como pessimista, esquisito, "pra baixo", e até mesmo ridículo e hilário, porque para os padrões normais, é realmente complicado aceitar a proposta do filme. Quem estiver disposto, pode se maravilhar com a belíssima fotografia em preto e branco do filme, e como Garrel filma o rosto de seus personagens. São muitas cenas lindas com ares de nouvelle vague, mas é difícil ter simpatia pelos personagens, sentir o amor que os move, e mesmo a insistência do diretor em signos que fazem o filme parecer um filme das antigas, ultrapassado. (Nota 3)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 4

Depois do fraco sábado, veio um glorioso domingo na Mostra, com três muito bons e uma obra-prima que dispensa maiores apresentações.



12. Amigos de Risco, de Daniel Bandeira - Arrisquei ver este filme pernambucano apenas por sua sinopse (dois amigos na madrugada de Recife tentando carregar um terceiro amigo em overdose para um hospital), que é algo que só vai acontecer na metade da trama. Foi uma grata surpresa, ainda que não tenha sido possível vê-lo na cópia oficial. O diretor apresentou o filme pedindo desculpas pelo extravio da cópia e que estaríamos vendo a "cópia zero", com a imagem um pouco inferior. Não fez mal. "Amigos de Risco" é o tipo de filme que eu gostaria de ver mais vezes no nosso cinema nacional. É um filme de gênero, pois o percurso dos protagonistas é recheado de ação e suspense, mas com a realidade brasileira pulsando na tela o tempo todo. Ou seja, não se pretende denunciar nada nos impondo uma visão da sociedade, e nem é algo que maqueia a realidade. É divertido, há discussões morais e éticas, mas não chama a atenção para si ou para o discurso. Os atores estão bem, embora no início parece não haver um despojamento, com atuações que estão longe da naturalidade tão explorada em "Feliz Natal", por exemplo. Mas o que cativa mesmo está nos detalhes: clonagem de cartão, pedintes que "guardam" o carro, bordéis com putas nada confiáveis, greve de ônibus, a atividade noturna de uma capital... Tudo funciona de maneira orgânica a serviço de um roteiro que explora os limites de uma amizade. Não alcança os níveis de brilhantismo e relevância de "O Invasor", mas vale a pena uma conferida. (Nota 4)


13. Chove em Nosso Amor, de Ingmar Bergman - Meu primeiro e talvez único filme de Bergman na Mostra (os horários e distância dos cinemas são infelizes). É um dos primeiros de sua carreira e desta fase eu só havia visto "Monika e o Desejo". Ambos têm em comum o fato de girarem em torno de casais que idealizam um futuro perfeito, mas que constantemente são atravessados pela dura realidade. A chuva do título na verdade é uma verdadeira tempestade que assola os protagonistas, dois estranhos que após um encontro no trem se relacionam e resolvem morar juntos, cada um com seu passado misterioso. É um filme agradável e gostoso de se ver, bem distante das pancadas que são filmes como Sonata de Outono ou Gritos e Sussurros. Começa de forma parecida com as comédias americanas dos anos 30 para terminar de forma parecida com um filme de Frank Capra (daí ter gostado menos da parte final). Há um carinho pelos personagens que eu nunca havia visto nas obras do sueco. (Nota 4)


14. O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola - E lá estava eu em uma sessão para toda a vida. Uma tela gigante, sessão lotada com pessoas deitadas no corredor e eu muito bem posicionado em uma poltrona no meio da sala para ver uma das maiores obras de artes do século passado. O filme me faz arrepiar e emocionar desde a tela escura que dá início a saga, com a trilha de Nino Rota de fundo, título aparecendo e um "I believe in America", ainda na tela preta, pronunciado por Bonasera, homem que vai pedir um favor a Don Vito Corleone no dia do casamento de sua filha. A partir daí, um festival de seqüências inesquecíveis que ficaram para a história: a câmera que lentamente vai se afastando de Bonasera para mostrar parcialmente as costas do Don culminando naquele corte magnífico que nos revela um Marlon Brando preenchendo toda a tela; a exuberância do casamento de Connie que nos familiariza com os negócios e as relações da família; Michael explicando para Kay como seu pai conseguiu algo de alguém com "uma proposta que ele não pode recusar"; a cabeça de um cavalo; o atentado a Vito Corleone; Michael se fingindo de guarda-costas e descobrindo que suas mãos não tremem como as de Enzo, o padeiro; o atentado elaborado por Michael, com a câmera o enquadrando pela primeira vez como o futuro chefe da família; o atentado em si; a fuga para Itália; etc; etc; etc... Tudo é grandioso neste filme, a trajetória de Michael Corleone é impressionante, os valores morais de uma sociedade sendo corrompidos (a chegada do tráfico de drogas), a família como valor maior, tantos atores que brilham com atuações que acabaram deixando marcas nos seus trabalhos futuros (James Caan, Robert Duvall e, claro, Al Pacino). Ver essa restauração lindíssima numa tela gigante como a do Cinesesc já valeu toda a viagem. Só lamentei profundamente ter deixado para ver esta que foi a segunda e última sessão do filme na Mostra. Eu devia ter visto também a primeira, no dia anterior. (Nota... ãnh... sério?)
15. Alexandra, de Alexander Sokurov - Lição aprendida na Mostra: após uma maratona de filmes, nunca termine o dia com um filme de Sokurov. Embora nunca tinha visto um filme do cineasta russo, sabia que não era coisa fácil, mas lá fui eu ver sua última obra absolutamente exausto, com sono (já alguns dias tendo em média 5 a 6 horas de sono), e emocionalmente arrasado (sério, o filme do Coppola acaba comigo sempre). O resultado é que gostei muito do que vi, mas fiquei com a impressão que teria apreciado muito mais, se tivesse assistido em melhores condições. O filme exige bastante do espectador: seus primeiros 15 minutos são basicamente preenchidos pela protagonista Alexandra chegando a um acampamento militar na Chechênia. Alexandra é idosa, anda lentamente, os soldados precisam ajudá-la a subir em um trem, colocá-la dentro de veículos militares. Só depois descobrimos que esta senhora está indo visitar seu neto, soldado instalado nessa base. É possível que muita gente ache maçante, mas só a presença física desta senhora em um lugar que naturalmente não lhe pertence já é imagem forte o suficiente para sustentar o olhar. E o que se segue são as pequenas mudanças que vemos por conta desta presença estranha, sua conversa com os soldados, discussões sobre o sentido da guerra, sua bela relação com o neto. É fácil associar Alexandra com a pátria mãe (ou melhor, avó) Rússia, mas alegorias políticas vão além da minha capacidade de análise pelo estado em que me encontrava. É um filme que gostaria de rever, mas ficará para outra oportunidade (os horários são ruins). Foi o primeiro filme que vi por aqui que recebeu modestos aplausos no final, puxados por um espectador bastante empolgado. Aplaudir parece não ser característica do público da Mostra. (Nota 4)

sábado, 18 de outubro de 2008

São Paulo - Dia 3

Após um ótimo primeiro dia de Mostra, fui infeliz na escolha dos filmes de sábado. Nas cédulas de votação que recebemos para votar nos filmes, marquei uma nota 1 (ruim), duas notas 2 (regular) e uma nota 3 (bom), além de ter desistido de um pela metade.
7. Liverpool, de Lisandro Alonso - O dia começou com o pé esquerdo. Um típico filme em que "nada acontece", só que aqui realmente o "nada" é bastante improdutivo, com um homem desinteressante regressando para sua terra em busca de notícias de sua mãe. Mais da metade do filme é o personagem em atividades prosaicas até chegar ao local de destino (jantando, caminhando, pegando carona, indo a um clube, etc.), mas o tédio e a falta de comunicação (temas do filme?) acaba afetando negativamente a quem assiste. Se a idéia era nos colocar ao lado do personagem em sua trajetória, realmente Alonso consegue cumprir o objetivo. O problema é que estar ao lado deste personagem é uma coisa muito chata, e o filme só consegue ganhar algum interesse e vida na sua parte final, quando há uma mudança de perspectiva. Só que já era tarde demais e só comprova que o que menos interessava ao diretor era seu protagonista. (Nota 1)

8. O Menino do Pijama Listrado, de Mark Herman - Uma sessão especial, por ter assistido com o amigo e crítico Pablo Villaça, pessoa que conheço virtualmente há mais de dez anos, mas que só agora foi possível nos conhecermos pessoalmente. Ele gostou muito mais que eu deste filme de boas intenções que já ganha o espectador pela explicação do título: o tal pijama listrado nada mais é que a roupa que os judeus usam no campo de concentração, e o tal menino é uma criança aprisionada que o protagonista de 8 anos de idade irá conhecer quando sua família se muda para perto de um campo de concentração supervisionado pelo seu pai. Como "A Vida é Bela", veremos o horror do nazismo pelos olhos de uma criança, desta vez do lado de fora dos guetos. O filme é bem produzido e certamente arranca lágrimas do público. Mas é um drama convencional, com mais do mesmo: nazistas malvados (enfatizados por closes, situações malignas, elevação do som a cada maldade) e judeus sofridos (é claro que tem que ter um judeu serviçal que antes era médico). Tema assim só me desce com algum toque de originalidade. Não é o caso. Mas vai ser um sucesso. (Nota 2)

9. Las Meninas, de Ihor Podolchak - Numa maratona como esta, em que às vezes não dá tempo nem de comprar uma água porque o próximo filme já vai começar (especialmente porque os filmes exibidos no Arteplex TODOS estão atrasando em média 15 minutos), é melhor abandonar um filme que não vale a pena terminar e abastecer as energias para os que virão. Provável campeão de abandonos da platéia, desisti do ucraniano "Las Meninas" com quase 1 hora de projeção, após vários outros terem saído (alguns caíram fora já com 15 minutos de filme). Pensem na sensação que é assistir a "Inland Empire" de Lynch, só que com outra estética: uma família dentro de uma casa com fotografia que torna a imagem uma verdadeira pintura (o título deve ter sido retirado da famosa obra de Velazquez, pois todo o filme lembra aquele uso de cores) falando coisas aparentemente sem sentido e com uma incrível exacerbação dos sons do ambiente. Eu poderia ter ido até o fim, porque a experiência estava sendo curiosa (embora vazia), mas com fome e sede, deixei pra lá. Nem é justo avaliar.

10. Gomorra, de Matteo Garrone - Sensação do Festival de Cannes, traz várias histórias paralelas de personagens envolvidos com a máfia italiana. É um filme painel dos mais chatos porque se pretende fazer denúncia (é baseado em fatos, com direito a créditos explicativos no final), então se apega a realidade, mas com personagens sem muito espaço para um desenvolvimento mais rico. Uma espécie de "Traffic italiano", com muitas seqüências empolgantes de assassinato, o que deve render pontos com o público geral. Mas o todo é muito frágil, tanto nas tramas isoladas (nem sempre interessantes), quanto na costura entre elas. (Nota 2)

11. Feliz Natal, de Selton Mello - Tive o privilégio de ver o filme ao lado da atriz, diretora e cantora Maria de Medeiros, mas na minha timidez e falta de assunto, nem pedi um autógrafo. Ia falar o que, se não conheço praticamente nada de seu trabalho? De Pulp Fiction, há quase 15 anos? De jeito nenhum! Enfim, ela não deve ter gostado desta estréia de Selton Mello na direção (que estava lá também apresentando o filme), pois cochilou em vários momentos. Quanto a mim, gostei da parte técnica e das escolhas de Mello como diretor na encenação dos embates familiares. Como em "O Casamento de Rachel", há uma pessoa visitando um irmão em época de festas e isso vira motivo para lavagem de roupa entre a família, já que esta pessoa é a ovelha negra com acontecimento trágico marcando o passado. Mas a família aqui é extremamente disfuncional, com pais que se odeiam, pai que odeia filho, nora que não suporta nada daquilo, etc. A câmera de Selton Mello fica quase o tempo todo colada no rosto dos personagens, o que torna tudo mais incômodo e enervante, e isso é positivo. Há tambem uma montagem interessante, alternando cortes rápidos com longos planos sequência, e elipses que tornam tudo bem esquizofrênico. Do lado negativo, Selton Mello como roteirista exagera no lero-lero "naturalista", que faz com que os atores tenham conversinhas prosaicas e engraçadinhas quase o filme todo, vindo do nada. É engraçado às vezes (adorei a frase "Vamu parar com nostalgia, ploc monster?"), mas na maior parte ficou foi um sorriso amarelo. Criança fazendo graça também é um mal que pegou mesmo no cinema nacional. O início e o final são bem mais interessantes que o miolo. Uma estréia promissora, mas que exagera no exibicionismo. (Nota 3)

São Paulo - Dia 2

Primeiro dia de Mostra, cinco filmes vistos. Uma obra-prima (mas talvez seja a minha empolgação inicial), dois filmes muito bons, um legal e uma decepção: o que eu mais estava ansioso acabou sendo o pior filme do dia. E acho que expectativa não teve nada a ver com isso.
A seqüência é por ordem em que foram vistos, com numeração dando continuidade ao "Cegueira", do post anterior.
2. Acne, de Federico Veiroj - minha Mostra começou com este muito simpático filme uruguaio, sobre um rapaz nos seus 13 anos de idade, cheio de espinhas, que está prestes a perder a virgindade. O tema poderia ser esse, mas o garoto descobre o sexo logo no início do filme e sua busca passa a ser muito mais singela: a busca pelo primeiro beijo. "Acne" acompanha esse trajeto do personagem, apaixonado pela colega de escola, tímido demais para falar com ela (mas não para buscar prostitutas, de quem vive tentando roubar um beijo), as saídas e conversas com amigos, sua família não tanto disfuncional quanto o seria em um filme independente americano. As tramas paralelas passam discretas pela tela (como a separação de seus pais) e nada de realmente dramático acontece. Mas é um filme tão agradável, sem preconceitos, com sexo tratado com a curiosidade própria da idade, que se torna irresistível. Uma grata surpresa.
3. Nascido e Criado, de Pablo Trapero - Penúltimo filme de Trapero, um pouco melhor que os dois anteriores que eu vi, que já eram bem interessantes (escrevi rapidamente sobre eles aqui). É a história de um homem casado e com filha, classe média e feliz, e uma tragédia irá levá-lo sozinho para um fim do mundo, vender peles de animal com duas outras pessoas com seus respectivos problemas conjugais. Os temas simples e o minimalismo da trama permanecem,o que difere aqui é um tratamento mais apurado do filmar. A primeira parte do filme, mostrando a felicidade da família, dá o tom da intensidade do que será perdido, e o percurso do personagem é acompanhado com a lentidão típica e necessária de uma narrativa que pretende fazer o espectador sentir o drama interior do protagonista. Muito bom, e fico mais ansioso ainda pelo seu último e mais elogiado filme, "Leonera".
4. Tulpan, de Sergey Dvortsevoy - Vencedor da Mostra Um Certo Olhar, em Cannes, este filme do Cazaquistão foi a grande experiência do dia. Um filme incrível, cuja sinopse não dá conta do que realmente o filme é: um jovem retorna do serviço prestado à Marinha para sua família, nômades de terras distantes do país, onde não há nada em lugar nenhum. Ele pretende se tornar pastor de ovelhas, mas para isso precisa se casar e há apenas uma única pretendente no local (a Tulpan do título), que não se interessa por ele. Esse fiapo de trama é o mote dos primeiros 15 minutos do filme, e o que se vê depois é o cotidiano dessa família em meio a vastidão do deserto, tempestades de areia e a morte misteriosa que ronda as ovelhas da região. Tudo em "Tulpan" impressiona: primeiro, a própria relação dos personagens, que alcança níveis elevados de humor (a platéia lotada gargalhava durante toda a projeção), mas também define muito bem cada um dos membros da família; segundo, toda uma parte técnica impressionante, a fotografia absurda de linda que explora toda a região inóspita em que vivem e a relação dos seres vivos com essa natureza, sem falar do som, um vento que parece onipresente em toda a obra, mais as belas canções entoadas por uma irmã do protagonista; terceiro, a beleza dos movimentos de câmera, que captam tudo isso: a câmera na mão segue personagens e animais das formas mais surpreendentes, com o extracampo igualmente valorizado. Algumas vezes o filme me lembrou o Kiarostami, com essa comunhão de humanos e paisagens, além da afirmação da vida perante a morte. E talvez nunca na história do cinema uma seqüência de parto foi tão impressionante e tensa. E foi o parto de uma ovelha! Bom demais, fiquei maravilhado com "Tulpan". Passa mais algumas vezes durante a proxima semana e penso seriamente em revê-lo.
5. O Silêncio de Lorna, de Jean e Luc Dardenne - Não vou perder muito tempo com esse. Depois de três obras-primas seguidas ("Rosetta", "O Filho" e "A Criança"), os Dardenne erraram FEIO a mão neste aqui. Um filme que até segue os princípios estéticos e éticos que quem gosta dos cineastas já está acostumado, mas uma trama de soluções facéis e até mesmo bizarras, e que perde o que havia de melhor nas obras anteriores: a capacidade de nos fazer acompanhar seus protagonistas com empatia e sem julgamentos, independente das escolhas que façam. O filme também é menos câmera na mão e tem mais planos e contraplanos que nos filmes anteriores, o que fez perder um pouco do charme de algo que já não era tão interessante. Uma decepção.
6. O Casamento de Rachel, de Johnattan Demme - Dificilmente alguém não se lembrará de "Margot e o Casamento", caso só leia a sinopse deste. Porque é exatamente a mesma coisa: irmã volta para casa por conta do casamento da outra irmã e ressentimentos guardados começam a aflorar. A atriz que faz Rachel inclusive lembra bastante a Nicole Kidman. Mas as semelhanças páram por aí. Enquanto o filme do Baumbach é cheio de amarguras que até parecem bem pessoais e que dá um estranhamento ao filme todo, esse novo filme de Demme é mais convencional na lavagem de roupa suja, apesar de ser surpreendente em tantas outras coisas: filmado em digital, subverte algumas regras de gênero (quando voce acha que sabe o que vai acontecer, o filme toda outra direção) e passa muito tempo com acontecimentos que muitos diriam que não acrescentam nada à trama. Os diálogos são bem espertos e cortantes e eu estava achando até bem legal, mas infelizmente o ato final é adocicado demais para o que eu esperava ver. De qualquer forma, Anna Hathaway está numa dessas atuações que clamam por Oscar, e é a grande razão de se ver o filme. E talvez nunca se tenha filmado casamento (festa e ensaio) tão animado na história. Apesar do estranhamento que pode causar no público a filmagem digital (às vezes lembra um doc, algo tipo "The Office"), acredito que vá encontrar muitos simpatizantes.

São Paulo - Dia 1

O dia antes de começar a Mostra foi destinado ao credenciamento, uma análise da programação sobre quais filmes e quando assistir, visitar o sogro e conferir "Cegueira", meu primeiro filme da viagem e único do dia.

1. Cegueira, de Fernando Meirelles - Um filme que mereceu a recepção negativa que teve em Cannes. E isso porque Meirelles fez alterações importantes para melhorar o resultado final, desde então... Como adaptação, o filme fracassa na narração dos eventos, com elipses que condensam muito mal a história de Saramago (que já não é a obra prima que tanto pintam). As transições de cena que eram pra dar fluidez ao todo, incomodam por não ter critério.

As opções estéticas também não são das melhores, óbvias na tentativa de representar a cegueira, com uma fotografia que lembra mais um anúncio publicitário (e aí não vamos esquecer do passado do diretor). Tecnicamente, o destaque fica com alguns momentos inspirados da trilha sonora (mas em outros diluem a força de cenas dramáticas) e a edição de som que dá ênfase aos ruídos do cotidiano dos personagens. Já o elenco, apenas Julianne Moore e Gael Garcia Bernal se salvam. O resto beira o desastre. Ainda assim, o filme não chega a ser intragável. Mas é de se lamentar uma obra tão pouco criativa e ousada para as possibilidades que existiam.


Exausto com as poucas horas de sono dos últimos dias, vou deixar para amanha os comentarios sobre os cinco filmes que vi hoje no primeiro dia da Mostra Internacional de Cinema.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

São Paulo!

Depois de uma semana de merecido descanso em Arraial D´Ajuda (Porto Seguro), cá estou eu em Sampa para a Mostra Internacional de Cinema, que tem início amanha e exibirá quase 500 filmes pelos próximos 15 dias.
Dentre os destaques do ano, espero muito por alguns vindo de Cannes, como o novo Dardenne, "O Silêncio de Lorna", o polêmico filipino "Serbis", "Leonera", do argentino Pablo Trapero (que está aqui para um workshop e terá exibição de toda sua curta filmografia) e "Che", de Soderbergh; além dos muito elogiados vindos do Festival do Rio, como "Aquele Querido Mês de Agosto", "Sonata de Tokio" e "Floresta dos Lamentos" (este, exibido no Rio ano passado).
Para o cinéfilo que não pode perder certos clássicos em película, vai ser possível conferir alguns filmes do Bergman em cópias tinindo de novas, um Godard (O Pequeno Soldado), dois Truffaut e dois Ozu. Oportunidade também de conhecer a filmografia de Kihachi Okamoto, cineasta japonês desconhecido por aqui, mas que influenciou gente do peso de Samuel Füller e Quentin Tarantino. Mas minha atração maior sem dúvida será ver a novíssima restauração de "O Poderoso Chefão", que passa neste fim de semana. E duas maratonas prometem: as 15 horas de "Berlim Alexanderplatz" de Fassbinder (exibido em 4 dias), e o filipino "Melancholia", com suas 7h30min sendo exibidas de uma vez só.
Minha intenção é postar comentários rápidos do que eu assistir por aqui, apenas impressões, sem spoilers, da maratona cinematográfica que pretendo fazer. Vamos ver se consigo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Filmes vistos em Setembro

Blog pouco atualizado, mas a média de filmes vistos foi bem superior ao mês passado: 25 filmes, no mesmo período em que algumas séries que acompanho retornaram com novas temporadas.

A lista abaixo não consta "O Procurado", cuja sessão abandonei com cerca de uma hora de projeção. O filme não era ruim o suficiente para não conseguir chegar até o final (mas quase...), mas junto com o péssimo som da sala de cinema, a experiência se tornou insuportável.

Mais ou menos em ordem de preferência - um espaçamento divide os grandes, pois uns são "mais grandes" que os outros:


As obras-primas

1. Uma Mulher é uma Mulher, de Jean-Luc Godard (1961)
2. Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman (1972)


Os grandes

3. Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder (1960)
4. Amores Parisienses, de Alain Resnais (1997)
5. Sombras de Goya, de Milos Forman (2007)
6. A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsia-Hsien (2007)
7. Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais (1959)


8. Sonata de Outono, de Ingmar Bergman (1978)
9. Bande à Part, de Jean-Luc Godard (1964)
10. Speed Racer, dos Irmãos Wachowski (2008)
11. Zona do Crime, de Rodrigo Plá (2007)


Os legais

12. Coração Selvagem, de David Lynch (1990)
13. Através de um Espelho, de Ingmar Bergman (1961)
14. Angel, de François Ozon (2007)
15. A Morte num Beijo, de Robert Aldrich (1955)
16. O Banheiro do Papa, de César Charlone e Enrique Fernández (2007)
17. Homem de Ferro, de Jon Favreau (2008)
18. O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse (1956)
19. Tempo de Guerra, de Jean-Luc Godard (1963)
20. Irina Palm, de Sam Garbarski (2007)


Os medíocres

21. Capítulo 27, de Jarrett Schaeffer (2007)
22. Efeito Dominó, de Roger Donaldson (2008)
23. Como Festejei o Fim do Mundo, de Catalin Mitulescu (2006)
24. Três Vezes Amor, de Adam Brooks (2008)
25. Quebrando a Banca, de Robert Luketic (2008)