A revista francesa Chronicart, em comemoração de seus dez anos, lançou um top 10 dos melhores filmes realizados entre 1997 e 2007. Ficou assim:
1. Cidade dos Sonhos, de David Lynch
2. De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick
3. O Tempo e a Maré, de Tsui Hark
4. Tropas Estelares, de Paul Verhoeven
5. 2046, de Wong Kar Wai
6. Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul
7. Gerry, de Gus Van Sant
8. Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick
9. Inteligência Artificial, de Steven Spielberg
10. A Vila, de M. Night Shyamalan
Como se sabe, a crítica francesa tem uma percepção muito mais ampla de cinema, desde que críticos como Andre Bazin, Truffaut, Godard e filósofos como Gilles Deleuze, mostraram que a linguagem cinematográfica é arte complexa e mais cheia de possibilidades do que se pensava (ou do que muitos pensam até hoje). Só assim nomes como Alfred Hitchcock, Orson Welles, Howard Hawks, Samuel Fuller e John Cassavetes se tornaram os gênios que são reconhecidos hoje em dia.
A lista aí de cima me parece trazer este reconhecimento para os gênios de hoje, alguns bem incompreendidos e ignorados pela crítica "de massa". À exceção do filme de Lynch, meu top 10 certamente seria diferente, mas é bom ver o filme de Verhoeven lembrado como a obra-prima insana que é; e Shyamalan e Van Sant, que merecem estar em qualquer lista sensata desta década - no caso do indiano, não consigo escolher entre "A Vila", "Sinais" e "Corpo Fechado"; e como não vi "Gerry", "Elefante" seria minha escolha.
De Spielberg, acho "Munique" muito melhor, maior e intenso que "A.I."; adoro o filme de Malick e o de Kubrick só vi uma vez no cinema, acho que necessita de uma revisão.
E o cada vez mais cultuado e importante cinema oriental foi representado pelo tailandês de nome impronunciável (que prefere ser chamado de Joe no Ocidente), cuja obra infelizmente só chega no Brasil por meio de mostras e festivais ("Mal dos Trópicos" foi o único dele que vi e só posso dizer que não existe nada nesse mundo parecido), pelo chinês Hark que faz maravilhas com o cinema de ação em "O Tempo e a Maré" (filme que só vi recentemente, por conta desta lista) e pelo cultuado e odiado em iguais proporções Wong Kar Wai, cujo "2046" eu não vi.
O que eu acrescentaria? Não sei exatamente, mas além de "Cidade dos Sonhos", Elefante" e um Shyamalan, teria que ter "Kill Bill" completo, um Almodovar ("Tudo Sobre Minha Mãe" ou "Fale com Ela"), um dos Dardenne ("Rosetta" ou "O Filho"), um PTA (provavelmente "Boogie Nights") e um Kiarostami ("Gosto de Cereja", "O Vento nos Levará" ou "Dez"?! Céus!).
A revista também lançou seu top 10 deste ano, também uma seleção bem curiosa (e satisfatória pro meu gosto):
1. Two Lovers, de James Gray
2. Onde os Fracos Não Têm Vez, dos Irmãos Coen
3. Wall-E, de Andrew Stanton
4. Redacted, de Brian DePalma
5. A Troca, de Clint Eastwood
6. Trovão Tropical, de Ben Stiller
7. Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan
8. Viagem a Darjeeling, de Wes Anderson
9. Na Guerra, de Bertrand Bonello
10. Speed Racer, dos irmãos Wachowski
O novo filme do James Gray só estreou em alguns países da Europa, não sendo (ainda) reconhecido pelos americanos como um dos grandes autores que existe por lá. Só mesmo os franceses... A inclusão dos filmes dos Coen, DePalma, Shyamalan e Eastwood parecem óbvias por serem autores fortes, que continuam expandindo seus universos de formas surpreendentes (exceto pelo "A Troca" que ainda não vi). Wes Anderson é outro autor, mas este ainda não consegui encarar, faltou química entre a gente. O filme do Bonello foi um dos mais elogiados no último Festival do Rio, o de Stiller é impossível ficar imune ao brilhantismo da sátira e da brincadeira, enquanto ao menos por lá a incrível linguagem "cine-game" dos Wachowski foi merecidamente reconhecida. E parece que nem os franceses resistiram ao encanto de Wall-E.
1. Cidade dos Sonhos, de David Lynch
2. De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick
3. O Tempo e a Maré, de Tsui Hark
4. Tropas Estelares, de Paul Verhoeven
5. 2046, de Wong Kar Wai
6. Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul
7. Gerry, de Gus Van Sant
8. Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick
9. Inteligência Artificial, de Steven Spielberg
10. A Vila, de M. Night Shyamalan
Como se sabe, a crítica francesa tem uma percepção muito mais ampla de cinema, desde que críticos como Andre Bazin, Truffaut, Godard e filósofos como Gilles Deleuze, mostraram que a linguagem cinematográfica é arte complexa e mais cheia de possibilidades do que se pensava (ou do que muitos pensam até hoje). Só assim nomes como Alfred Hitchcock, Orson Welles, Howard Hawks, Samuel Fuller e John Cassavetes se tornaram os gênios que são reconhecidos hoje em dia.
A lista aí de cima me parece trazer este reconhecimento para os gênios de hoje, alguns bem incompreendidos e ignorados pela crítica "de massa". À exceção do filme de Lynch, meu top 10 certamente seria diferente, mas é bom ver o filme de Verhoeven lembrado como a obra-prima insana que é; e Shyamalan e Van Sant, que merecem estar em qualquer lista sensata desta década - no caso do indiano, não consigo escolher entre "A Vila", "Sinais" e "Corpo Fechado"; e como não vi "Gerry", "Elefante" seria minha escolha.
De Spielberg, acho "Munique" muito melhor, maior e intenso que "A.I."; adoro o filme de Malick e o de Kubrick só vi uma vez no cinema, acho que necessita de uma revisão.
E o cada vez mais cultuado e importante cinema oriental foi representado pelo tailandês de nome impronunciável (que prefere ser chamado de Joe no Ocidente), cuja obra infelizmente só chega no Brasil por meio de mostras e festivais ("Mal dos Trópicos" foi o único dele que vi e só posso dizer que não existe nada nesse mundo parecido), pelo chinês Hark que faz maravilhas com o cinema de ação em "O Tempo e a Maré" (filme que só vi recentemente, por conta desta lista) e pelo cultuado e odiado em iguais proporções Wong Kar Wai, cujo "2046" eu não vi.
O que eu acrescentaria? Não sei exatamente, mas além de "Cidade dos Sonhos", Elefante" e um Shyamalan, teria que ter "Kill Bill" completo, um Almodovar ("Tudo Sobre Minha Mãe" ou "Fale com Ela"), um dos Dardenne ("Rosetta" ou "O Filho"), um PTA (provavelmente "Boogie Nights") e um Kiarostami ("Gosto de Cereja", "O Vento nos Levará" ou "Dez"?! Céus!).
A revista também lançou seu top 10 deste ano, também uma seleção bem curiosa (e satisfatória pro meu gosto):
1. Two Lovers, de James Gray
2. Onde os Fracos Não Têm Vez, dos Irmãos Coen
3. Wall-E, de Andrew Stanton
4. Redacted, de Brian DePalma
5. A Troca, de Clint Eastwood
6. Trovão Tropical, de Ben Stiller
7. Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan
8. Viagem a Darjeeling, de Wes Anderson
9. Na Guerra, de Bertrand Bonello
10. Speed Racer, dos irmãos Wachowski
O novo filme do James Gray só estreou em alguns países da Europa, não sendo (ainda) reconhecido pelos americanos como um dos grandes autores que existe por lá. Só mesmo os franceses... A inclusão dos filmes dos Coen, DePalma, Shyamalan e Eastwood parecem óbvias por serem autores fortes, que continuam expandindo seus universos de formas surpreendentes (exceto pelo "A Troca" que ainda não vi). Wes Anderson é outro autor, mas este ainda não consegui encarar, faltou química entre a gente. O filme do Bonello foi um dos mais elogiados no último Festival do Rio, o de Stiller é impossível ficar imune ao brilhantismo da sátira e da brincadeira, enquanto ao menos por lá a incrível linguagem "cine-game" dos Wachowski foi merecidamente reconhecida. E parece que nem os franceses resistiram ao encanto de Wall-E.