quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Curtas

Uma ou duas coisas sobre os últimos filmes vistos:


O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher - Quando vejo as descabidas comparações do filme de Fincher com "Forrest Gump", fico imaginando se as pessoas não conseguem enxergar nos filmes algo mais além de um roteiro. Porque fora alguns elementos de roteiro, não sobra nada do medíocre filme de Zemeckis: enquanto em Gump, vemos a história de um idiota alheio aos acontecimentos de sua própria vida e uma apologia à ignorância (quem tenta algo, como sua namoradinha, só se fode), o que interessa a Fincher é o efeito do tempo sobre o ser humano (algo já trabalhado em "Zodíaco", com maior intensidade psicológica). Seu filme atribui responsabilidade aos personagens por suas próprias vidas, que devem seguir adiante, não só frente à passagem do tempo, mas também diante das forças da natureza: o acaso (bela sequência a do atropelamento), os raios que por sete vezes já atingiram um homem, o Katrina em New Orleans. Eu queria ter gostado mais do filme, que é bem bonito, mas Fincher quase perde as estribeiras, encantado com os brinquedinhos tecnológicos de seu filme (efeitos, maquiagem e fotografia espetaculares) que quase sufocam a narrativa. É tudo muito over, eu já estava temendo que a Julia Ormond aparecesse envelhecida (deram um jeito até para Tilda Swinton), e aquela sequência final com cara de propaganda dos funcionários do Banco do Brasil é pavorosa. Mas o todo flui muito bem, Brad Pitt se sobressai no elenco, especialmente quando velho, e há mais belos momentos do que ruins.


A Troca, de Clint Eastwood - O grande filme deste início de ano. Recomendo enfaticamente as três críticas do filme publicadas na Revista Cinética, abordando muitos dos aspectos que fazem este filme de Eastwood tão especial. Do meu lado, fico com aquela primeira parte excepcional, uma aula de concisão, de como estabelecer uma relação com tamanha elegância de planos e montagem, como dizer tanto com simples movimentações e posicionamentos de câmera; fico com a facilidade com que Eastwood transita pelos gêneros, como torna assustadora a presença da criança trocada, como o horror vem de um serial killer, de um delegado, de um hospício; fico com a igualmente assustadora obsessão da protagonista, brilhantemente retratada numa sequência próxima ao final onde ela é enquadrada pela câmera como se estivesse atrás das grades; fico com todo o primor técnico do filme que nos leva a uma Los Angeles mítica; enfim, fico com Clint Eastwood, esse gênio que conta um melodrama como ninguém, e que no processo continua seus questionamentos sobre violência institucionalizada, sobre o mal que está presente na sociedade, mas que não sabemos ao certo de onde surgiu. Tudo de forma elegante, fina, nos lembrando que uma história bem contada em cinema significa saber até quando se continua um plano, o momento certo de se cortar, o local ideal para uma câmera e seus movimentos.


Rio Congelado, de Courtney Hunt - Com 15 minutos de "Frozen River", eu já sabia exatamente o tipo de filme que me esperava: o típico "cinema independente americano", a mais fiel cria de Sundance. E realmente é algo como "família savage no gelo", com personagens ordinários em situações banais de conflitos familiares e a visão condescendente da diretora, passando a mão na cabeça de todos e esvaindo qualquer possibilidade de complexidade. Nem mesmo o distante e isolado local onde se passa o filme tem utilidade para a câmera, nunca se tornando um espaço realmente interessante, e o filme poderia ter se passado na ensolarada Miami, que daria no mesmo. Se alguém enxerga nesse tipo de cinema algo de bom (e com certeza enxergam, duas indicações ao Oscar comprovam isso), vai adorar "Rio Congelado". Eu não tenho mais paciência pra esse tipo de coisa e vou pensar dez vezes antes de me arriscar por outro projeto com o selo de qualidade Sundance.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Slumdog Millionaire




O crítico português Vasco Câmara escreveu um artigo com questões pertinentes a “Slumdog Millionaire”, sob o título “Telelixo”, ressaltando seu aspecto televisivo a partir das críticas que o filme tem recebido na Índia por glamourizar e romantizar a pobreza da região vista no filme. É o que muitos tem chamado de “cosmética da fome” ou “pornografia da pobreza”: um tratamento estético que exalta e embeleza o que seria feio e miserável, no caso específico aqui, tornar atraente e consumível a triste realidade de uma população pobre em Mumbai, Índia.




Já vimos essa discussão antes com o nosso “Cidade de Deus”, de quem muitos, fãs e detratores de “Slumdog Millionaire”, admitem que Boyle teria sido influenciado. Para além da controvérsia, Câmara ainda chama a atenção para a linguagem televisiva do filme, em que Boyle se apóia para construir sua narrativa, que para mim foi totalmente desinteressante.




Segundo o crítico, “não há razão para começar a gostar agora do cinema de Danny Boyle. Que continua incorrigivelmente superficial, capaz de sacrificar a própria mãe (qualquer possibilidade de atribuir nobreza às personagens; qualquer hipótese de deixar a realidade mostrar-se) por um efeito. Ele quer gritar "pop" e fazer-se ao ar do tempo, multiculturalismo, mistura, "sujidade". Mas... isso é o quê? Mergulhar uma personagem num poço de excrementos e conseguir com isso provocar gargalhadas? É ter M.I.A. na banda sonora?”




E mais: “A relação que "Slumdog Millionaire" tem com a realidade (...) é a mesma de um concurso televisivo. Ou seja: ideias feitas que se pintam com ligeireza, facilidades redentoras que se simulam, vidas que se espremem no tempo de um espectáculo e para dar espectáculo. Passou a ser essa a fantasia da nossa existência: já não é o cinema, agora é a televisão. Danny Boyle atraca-se a isso como um parasita. E assim "Slumdog Millionaire" é uma apoteose. É muito "hoje". Torna-se significativo. “




Este é um dos problemas do filme. Com trucagens moderninhas, cortes rápidos e outros artifícios nada criativos, “Slumdog Millionaire” é mais influenciado por televisão do que pelo cinema. Não há um momento que seja essencialmente cinematográfico, exceto talvez pela sequência musical no fim do filme, homenagem clara aos musicais de Bollywood (indústria cinematográfica indiana).




Claro que as duas linguagens (televisiva e cinematográfica) são intercambiáveis, e nada é categoricamente definido. Mas a televisão depende muito mais de um bom roteiro do que o cinema. E aí o filme de Boyle falha miseravelmente, pois o roteiro é de uma estupidez, superficialidade e artifícios baratos que realmente para mim é incompreensível que o filme seja o sucesso que é.




Eu sempre tive problemas com relatos em flashback. O passado não surge involuntariamente na tela, como em “Lost” ou “Damages” (para citar televisão de boa qualidade). Ele é evocado, relatado pelo protagonista. Muitas vezes a situação é inconveniente para que a pessoa conte toda sua história de vida. É o caso de “Slumdog”: Jamal é torturado pela polícia, por suspeita de estar fraudando sua participação em “Quem Quer Ser um Milionário?”, onde falta acertar apenas mais uma pergunta para ser o maior vencedor da história do programa. Aí vem a brilhante idéia do torturado em relatar sua infância e adolescência para explicar porque acertou a resposta de todas as perguntas feitas até aquele momento.




Relevando este pretexto, até parece uma boa sacada relacionar as respostas com fatos da vida de Jamal. Mas o roteiro vai repisar nisto até o final do filme, apostando na simpatia do protagonista (o típico herói sofrido, nobre, que só quer conquistar seu grande amor) e em soluções “criativas” para cada pergunta feita e cada resposta dada. É aí que entra a tal “cosmética da fome”, onde roteiro e direção exploram a pobreza da região onde vive Jamal, tocando em assuntos delicados como a exploração de crianças e prostituição, mas com um distanciamento crítico, necessário para que o espectador apenas sofra e torça pelos personagens principais.




Mas o fundo do poço é mesmo o final do filme. E aqui aviso que quem não viu o filme, NÃO LEIA POR CONTER ALGUNS SPOILERS. Fiquei horrorizado em ter adivinhado, desde a metade do filme, qual seria a última pergunta do programa. Não só pela obviedade, mas pelo próprio contexto: num programa como este, a tendência é que o nível de dificuldade das perguntas seja cada vez maior. No caso, a questão além de ser ridícula, o protagonista acerta por um simples chute, evidenciando a pobreza do roteiro que sequer foi capaz de uma solução criativa para a tensão criada. O fato é que Slumdog Millionaire faz uma pergunta logo no seu início e a resposta (que só vem no final do filme) é o pretexto ideal para a série de coincidências vistas que torna o roteiro simplório de soluções facéis.




O elenco é apenas ok, já que não precisa se esforçar muito para o tipo de coisa exigida por Boyle. Na verdade, eu já não gostava muito de Dev Patel, que fazia o papel de Anwar, o único personagem insuportável da série britânica “Skins”. Sua cara de coitado continua a mesma em “Slumdog”. Na verdade, este aspecto “coitado” se reflete na própria visão deplorável do filme sobre uma suposta nobreza e integridade do protagonista: Jamal sofre o diabo na infância e adolescência, é injustamente torturado pela polícia, humilhado pelo apresentador do programa, mas resiste a tudo humildemente, tendo como único interesse conquistar a bela menina por quem sempre foi apaixonado.




Num ano em que concorre também ao Oscar um filme sobre um ativista político que fez de sua luta pelos direitos dos homossexuais um exemplo de como o ser humano pode transformar a ordem vigente, a passividade de Jamal diante da realidade é algo irritante e a se lamentar.




Como eu disse no post anterior... viva a mediocridade.

Acabou.

Com a vitória no SAG de Melhor Elenco, "Slumdog Millionaire" já pode ser considerado o grande vencedor do Oscar no mês que vem. Era o mais improvável dos prêmios, não só pelo fato de que o elenco é composto por atores desconhecidos e não americanos (o que já seria um feito extraordinário), mas acredito que nem os fãs do filme irão concordar que atuações é um ponto forte na obra.


Ontem já tinha ficado claro pra mim esse futuro triunfo no Oscar: além do prêmio do Sindicato dos Produtores, eu fui conferir no Youtube o anúncio dos indicados ao Oscar e lá estavam Danny Boyle, Dev Patel e a atriz do filme comemorando cada indicação ao vivo. Enquanto isso, leio entrevista de David Fincher dizendo que nem sabia o dia das indicações e o que importa para ele é continuar fazendo filmes. Admirável por parte dele, mas mata qualquer chance de prêmio.


Enfim, viva a mediocridade.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Prêmios dos Sindicatos

Os verdadeiros favoritos ao Oscar se confirmarão com os vencedores dos sindicatos de cada categoria, que começam a anunciar a partir de amanhã com o principal deles, o Sindicato dos Atores (eu achava que era hoje com o dos Produtores).


Com um ano sem favoritismo como este, e para o Oscar ficar mais animado, eu queria que Benjamin Button ganhasse o dos produtores, Gus Van Sant o dos diretores, "Dúvida" (que não concorre a Melhor Filme) no dos atores, que nas categorias específicas daria os prêmios para aqueles que não venceram o Globo de Ouro. Mas dificilmente será assim, então minhas apostas para o SAG são:


Elenco - Milk
Ator - Mickey Rourke
Atriz - Meryl Streep
Ator Coadjuvante - Heath Ledger
Atriz Coadjuvante - Kate Winslet


Embora acredite que uma surpresa sairá de uma das categorias. Para os prêmios da TV, Boston Legal não deve ficar sem um prêmio (torço pelo William Shatner) e 30 Rock naquela mesmice de sempre. Como vi hoje o episódio "The Duel" de The Office, estou na maior torcida pelo Carell, que é sempre genial.


Já nos sindicatos de produtores e diretores, aposto no Benjamin Button em ambos. Vamos ver se acerto pelo meno um palpite.


Update: Realmente o prêmio do Sindicato dos Produtores foi ontem, e o vencedor foi Slumdog Millionaire. Achava que este prêmio estava mais para o Benjamin Button do que o de Diretor. Os outros prêmios, a mesma lenga-lenga de sempre: Wall-E para animação, Man on Wire para Doc, John Adams, Mad Men, 30 Rock...


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Watchmen

Pela primeira vez vi o trailer de "Watchmen" no cinema. Ao contrário de muitos, acho a HQ bastante cinematográfica, é necessário apenas um roteirista capaz de condensar a trama com o mesmo brilhantismo que Curtis Hanson e Brian Helgeland adaptaram "Los Angeles - Cidade Proibida" do James Ellroy, por exemplo (onde os roteiristas criaram um artifício genial para unir as muitas tramas do livro).


Mas não espero muito do filme. Me respondam com sinceridade... alguém neste mundo acha "cool" aquele efeito de câmera lenta que Zack Snyder usou e abusou em "300" e que aparece em abundância no trailer de "Watchmen"? É irritante, cafona e ridículo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Indicados ao Oscar

Surpresas entre os indicados, para todos os gostos:


- Nada de "O Cavaleiro das Trevas" ou "WALL-E". A quinta vaga de Melhor Filme foi para "O Leitor", de Stephen Daldry, que também foi indicado para Melhor Diretor. A lição do dia no que diz respeito ao Oscar: Nunca subestime um filme sobre o Holocausto.


- Daldry, aliás, é o primeiro cineasta da história a ser indicado pelos seus três primeiros filmes. Os dois anteriores foram "Billy Elliot" e "As Horas".


- A indicação de "O Leitor" é mais uma vitória do todo-poderoso produtor/marketeiro Harvey Weinstein, que há anos vem conseguindo indicações e vitórias para os filmes de sua produtora. Mas sem dúvida houve o peso da morte de Sidney Pollack e Anthony Minghella, cineastas brilhantes e produtores do filme.


- Sally Hawkins ficou de fora da disputa de Melhor Atriz. Melhor para Angelina Jolie e Melissa Leo. Outra surpresa foi a indicação de Kate Winslet ter vindo por "O Leitor" (pelo qual esperava ser indicada como Coadjuvante), e não pelo filme de seu marido, "Revolutionary Road".


- Maior surpresa de todas: Bruce Springsteen e sua canção The Wrestler de fora da disputa. Com tantas canções no páreo, a Academia resolve indicar apenas 3 canções: a de "WALL-E" e duas (!!) de "Slumdog Millionaire". Bom para nós espectadores que teremos uma cerimônia um pouco menor este ano.


- Nas categorias de coadjuvante, o amor da Academia por Benjamin Button colocou Taraji P. Henson na disputa (no papel da mãe adotiva de Benjamin). E Michael Shannon, que deveria ter sido indicado um ano antes por "Possuídos", agora é lembrado por ter sido a melhor coisa de "Revolutionary Road".


- Nada de "Valsa para Bashir", como Melhor Animação. Mas tem grandes chances como "Melhor Filme Estrangeiro".


- "Rio Congelado" e "In Bruges" na categoria Melhor Roteiro Original, nas vagas que todos imaginavam ser de "Vicky Cristina Barcelona" e "O Casamento de Rachel". Infelizmente, estes dois só ganharam mesmo as esperadas indicações para Penelope Cruz e Anne Hathaway.


- Na categoria Melhor Trilha Sonora, três grandes nomes concorrendo e que nunca ganharam: Danny Elfman (quarta indicação), James Newton Howard (oitava indicação) e Thomas Newman (nona indicação). E podem acabar perdendo novamente, já que os dois menos conhecidos, Alexandre Desplat e A.R. Rahman, disputam pelos filmes favoritos.


- Por último, mas não menos importante, uma salva de palmas para a Academia que, pela primeira vez, lembra de Werner Herzog, um dos maiores cineastas da história recente, indicado para Melhor Documentário com o seu "Encounters at the End of the World".


No mais, como já era de se esperar, Benjamin Button com 13 indicações e Slumdog Millionaire com 10, são os grandes favoritos. Enquanto os sindicatos não divulgam seus vencedores, aposto no filme de David Fincher, mesmo que muitos achem que o momento é do filme de Danny Boyle. É esperar pra ver.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Previsões para o Oscar

Amanhã, dia 22, saem os indicados aos prêmios da Academia. Não vou fazer previsões, categoria por categoria. Apenas alguns comentários.


O que provavelmente irá acontecer amanhã:


- "Slumdog Millionaire", "O Curioso Caso de Benjamin Button", "Frost/Nixon", "Milk" e "O Cavaleiro das Trevas" serão os principais indicados. E aparentemente nesta ordem de preferência para a categoria Melhor Filme;


- Benjamin Button, Slumdog e O Cavaleiro das Trevas, por suas qualidades técnicas devem liderar o número de indicações. Aposto em Button como líder, algo em torno de 10 a 12 indicações (podendo ser mais, caso o amor pelo filme dê reconhecimento para Pitt e Blanchett), seguido de perto pelo Batman, também em torno de 10 indicações, e depois Slumdog, entre 8 a 10 indicações. Ou seja, um ano atípico caso isso se confirme;


- Para Melhor Diretor sempre há uma surpresa: nunca os melhores filmes tem os melhores diretores. Coisas da Academia. Quem vai ficar de fora este ano que é o problema. Espero que seja Ron Howard. Os favoritos pra essa vaga seriam Arronofsky e Mike Leigh. Mas não descarto o caso raro de coincidir melhores filmes e diretores este ano;


- Certos para Melhor Ator: Sean Penn, Mickey Rourke, Frank Langella. Concorrem pelas outras duas vagas: DiCaprio, Pitt, Richard Jenkins, Eastwood;


- Certas para Melhor Atriz: Winslet, Hathaway, Streep, Hawkins. Última vaga a briga parece ser entre Angelina Jolie e Cate Blanchett. Mas sempre acontece de surgir alguém do limbo, como Melissa Leo ou Kristin Scott-Thomas.



O que eu GOSTARIA que acontecesse amanhã:


- Que houvesse uma "big fuckin´ surprise" na categoria Melhor Filme, para sair do óbvio: Slumdog de fora é pedir demais, mas que tal um "fora!" com Frost/Nixon ou O Cavaleiro das Trevas?


- Que a surpresa NÃO fosse a inclusão de Wall-E para Melhor Filme. Ao contrário da grande maioria, sou a favor de que animações sejam reconhecidas na categoria de Melhor Animação - e nas técnicas e de roteiro, obviamente. Nada contra Wall-E (longe disso), mas cada qual no seu cada qual. Que tal valorizarmos mais a categoria de animação? Seja como for, o filme de Andrew Stanton deve chegar muito perto de uma indicação (acredito que se não fosse pelo Batman, seria uma certeza a essa altura);


- Que Clint Eastwood seja mais reconhecido do que realmente será com seus dois maravilhosos filmes: que Angelina Jolie seja indicada por "A Troca", assim como boa parte técnica do filme, como trilha sonora, figurinos, maquiagem, fotografia, direção de arte... E que o diretor fosse lembrado, se não como Melhor Diretor por "Gran Torino" (há sempre a possibilidade), como Melhor Ator. A possibilidade não é tão remota: além de Eastwood ser amado por todos, "Gran Torino" estourou nas bilheterias às vésperas do prazo final para os votantes escolherem seus melhores.


- Que Vicky Cristina Barcelona ganhasse mais reconhecimento, além da indicação para Penelope Cruz. Melhor Roteiro Original é uma possibilidade forte, mas é sonhar demais com Melhor Diretor? Tá, tá...


- Que haja muitas surpresas em todas as categorias. Das mais agradáveis (poucas indicações para Slumdog Millionaire) às mais desagradáveis (já pensaram em Dev Patel para Melhor Ator Coadjuvante, no lugar de Heath Ledger?!);


É, este ano eu tirei o filme de Danny Boyle pra Judas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Melhores do ano - SBBC

Em viagem e totalmente sem tempo, colo aqui os meus votos para a premiação dos melhores do ano proposta pela SBBC. Queria ter feito campanha para alguns concorrentes que certamente ficarão de fora da apuração final por terem sido pouco vistos. Outros tantos não tem muitos admiradores, então acho que vou emplacar apenas os candidatos preferidos de todo mundo.
Com mais tempo, volto aqui e posto comentários e fotos pra o post ficar mais bonitinho.

Os indicados saem no dia 18.



CATEGORIA 1: MELHOR FILME
1º: Não Estou Lá
2º: Onde os Fracos Não Têm Vez
3º: Sangue Negro
4º: Fim dos Tempos
5º: Leonera


CATEGORIA 2: MELHOR DIRETOR
1º: Todd Haynes, por Não Estou Lá
2º: M. Night Shyamalan, por Fim dos Tempos
3º: Joel e Ethan Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez
4º: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro
5º: Sidney Lumet, por Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto


CATEGORIA 3: MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
1º: Todd Haynes e Oren Moverman, por Não Estou Lá
2º: Kelly Masterson, por Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
3º: Olivier Marchan, por MR 73 (lançado diretamente em DVD)
4º: Ben Stiller, Justin Theroux e Etan Cohen, por Trovão Tropical
5º: Diablo Cody, por Juno


CATEGORIA 4: MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
1º: Joel e Ethan Coen, por Onde os Fracos Não Têm Vez
2º: Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro
3º: Frank Darabont, por O Nevoeiro
4º: Sarah Polley, por Longe Dela
5º: Sean Penn, por Na Natureza Selvagem


CATEGORIA 5: MELHOR ATOR
1º: Daniel Day Lewis, por Sangue Negro
2º: Mathieu Amalric, por A Questão Humana
3º: Daniel Auteuil, por MR 73
4º: Gordon Pinsent, por Longe Dela
5º: Sam Riley, por Control


CATEGORIA 6: MELHOR ATRIZ
1º: Martina Guzman, por Leonera
2º: Julianne Moore, por Pecados Inocentes
3º: Carice Van Houten, por A Espiã
4º: Ludivine Sagnier, por Uma Garota Dividida em Dois
5º: Ellen Page, por Juno


CATEGORIA 7: MELHOR ATOR COADJUVANTE
1º: Albert Finney, por Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
2º: Javier Bardem, por Onde os Fracos Não Tem Vez
3º: Paul Dano, por Sangue Negro
4º: Heath Ledger, por O Cavaleiro das Trevas
5º: Russel Brand, por Ressaca de Amor (lançado diretamente em DVD)


CATEGORIA 8: MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
1º: Cate Blanchett, por Não Estou Lá
2º: Penelope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona
3º: Sandra Corveloni, por Linha de Passe
4º: Amy Ryan, por Medo da Verdade (lançado diretamente em DVD)
5º: Darlene Glória, por Feliz Natal


CATEGORIA 9: MELHOR ELENCO
1º: Não Estou Lá
2º: Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
3º: Trovão Tropical
4º: Linha de Passe
5º: Na Natureza Selvagem


CATEGORIA 10: MELHOR ANIMAÇÃO
1º: WALL-E
2º: Persépolis
3º:


CATEGORIA 11: MELHOR TRILHA SONORA
1º: As Canções do Amor
2º: Na Natureza Selvagem
3º: Sangue Negro
4º: Um Beijo Roubado
5º: WALL-E



CATEGORIA 12: MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
1º: “Dracula´s Lament”, por Jason Segel (Ressaca de Amor)
2º: “Guaranteed”, por Eddie Vedder (Na Natureza Selvagem)
3º: “Je N´Aime Que Toi”, por Alex Beaupain (As Canções do Amor)
4º: “The Story”, por Norah Jones (Um Beijo Roubado)
5º: “Down to Earth”, por Thomas Newman e Peter Gabriel (WALL-E)


CATEGORIA 13: MELHOR FOTOGRAFIA
1º: Não Estou Lá
2º: Sangue Negro
3º: Onde os Fracos Não Tem Vez
4º: A Fronteira da Alvorada
5º: Um Beijo Roubado


CATEGORIA 14: MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
1º: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
2º: Angel
3º: Hellboy 2 – O Exército Dourado
4º: Sangue Negro
5º: A Espiã


CATEGORIA 15: MELHOR FIGURINO
1º: Angel
2º: Pecados Inocentes
3º: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
4º: A Espiã
5º: Sex and the City – O Filme


CATEGORIA 16: MELHOR MONTAGEM
1º: Não Estou Lá
2º: Onde os Fracos Não Tem Vez
3º: Sangue Negro
4º: Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
5º: Cloverfield - Monstro


CATEGORIA 17: MELHOR MAQUIAGEM
1º: Hellboy 2 – O Exército Dourado
2º: O Cavaleiro das Trevas
3º: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet



CATEGORIA 18: MELHORES EFEITOS VISUAIS
1º: Cloverfield - Monstro
2º: Hellboy 2 – O Exército Dourado
3º: Speed Racer


CATEGORIA 19: MELHOR SOM
1º: Onde os Fracos Não Tem Vez
2º: Speed Racer
3º: Sangue Negro
4º: Hancock
5º: WALL- E

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Shortbus





No fórum de "Shortbus" no IMDB, há um tópico em que uma pessoa escreveu: "Vamos chamar isso de pornô gay e evitar que héteros como eu vomitem".


A reação do machão é compreensiva: o filme de John Cameron Mitchell já começa com uma montagem alucinante onde apresenta alguns de seus personagens fazendo sexo totalmente explícito diante da câmera. Temos a dominatrix chicoteando um homem nú, amarrado à cama; um casal hétero nas mais variadas posições sexuais; e um homem tentando colocar na boca seu próprio pênis - até conseguir (que me lembrou imediatamente "O Balconista", de Kevin Smith: "Todo homem já tentou chupar o próprio pau!").



Se o filme já começa forte numa suposta gratuidade pornográfica (sempre que há sexo explícito nos filmes, muitas vozes já se levantam "Desnecessário! Gratuito! Apelativo!"), o restante não deixa por menos, ao contar a história de personagens tristes que buscam (ou tem) no sexo a razão de seus problemas.



Resumindo a trama: a mulher do casal hétero é terapeuta sexual e atende um casal gay, que tenta se firmar como parceiros, mas um deles quer maior liberdade sexual (o que praticou a "auto-felação"); o outro quer monogamia. A terapeuta tem seus próprios problemas: apesar de adorar sexo, nunca teve um orgasmo. O casal gay a leva, então, para conhecer o Shortbus, bar pansexual onde qualquer fantasia pode ser realizada, em incríveis orgias que Mitchell filme com bastante prazer.


Lá conhecemos uma galeria de personagens inusitados, inclusive um ex-prefeito de Nova York, um idoso com algumas belas palavras sobre a cidade. O 11 de Setembro, aliás, é citado mais de uma vez no filme, reforçando algumas idéias da obra. "Shortbus" é um filme triste, filmado de forma alegre (especialmente o sexo) sobre a desesperança de pessoas que não sabem muito bem como relacionar e nem porque isso os afeta tanto.


No fim, toda pornografia vista (a hilária e antológica sequência em que três homens fazem sexo oral um no outro deve espantar meio mundo de gente) é bastante coerente com a proposta do diretor: os traumas e as dificuldades de cada um não são por conta de repressão sexual; a liberação veio, os problemas continuam. Uma personagem diz: "É como nos anos 60, só que com menos esperança".



Apesar das boas idéias, o filme tem um desenvolvimento meio capenga, encenações e situações que beiram o amadorismo. Mas tudo é tão alegre e a proposta é tão simpática, que se torna obra importante no cenário atual do cinema independente americano, que ainda usa de cacoetes e um certo ranço e moralismo para tratar de sexo e sexualidade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Globo de Ouro - Vencedores

Ok, os palpites aí no post abaixo foram péssimos. Tudo bem que havia uma disputa acirrada entre Slumdog Millionaire e Benjamin Button, mas acho que ninguém imaginava que o filme de Boyle ia vencer tudo. Uma surpresa MUITO desagradável, de fato.

Ao menos justiça foi feita na categoria Comédia/Musical, com o filme de Woody Allen sendo o vencedor. Mas acho despropositado o prêmio dado a Colin Farrel: ele está ótimo em "In Bruges", mas a categoria é de melhor atuação cômica. Farrel faz o papel de um criminoso com crise de consciência após matar uma criança. Não vejo muita comédia naquilo...


Se o critério é "melhor atuação", eu diria que é um absurdo o (bom) trabalho de Kate Winslet em Revolutionary Road ganhar do incrível trabalho de Anne Hathaway em O Casamento de Rachel. Mas convenhamos que o melhor quase nunca é critério aqui. E Winslet merece todos os prêmios do mundo. Afinal, alguém já a viu fazendo coisas do tipo Bride Wars? Lamento mais por Penelope Cruz.


De resto, não houve muitas novidades: talvez Mickey Rourke se posicionando na frente pela corrida do Oscar, e Sally Hawkins garantindo ao menos a indicação. Como eu já havia dito em outro post, este ano é um verdadeiro desafio para o Globo de Ouro mostrar sua influência na Academia: já esnobou Milk e O Cavaleiro das Trevas. Se Slumdog Millionaire não vencer (e eu acho que não vencerá - ESPERO que não) e Winslet não ganhar nenhum prêmio, podemos esquecer em definitivo essa estranha Associação como relevante para o prêmio máximo de Hollywood. Ainda verei a festa de entrega e talvez faça mais comentários. O Oscar é tão engraçado que, mais do que a qualidade dos concorrentes, vale muito é como eles se portam, discursam e emocionam ao receber um prêmio.


Nas categorias de TV, acertei mais. A melhor coisa foi o prêmio para Gabriel Byrne. A mais estranha foi o prêmio para Anna Paquin. Gosto de True Blood, mas Paquin é uma das protagonistas mais tolas e irritantes de qualquer série que eu conheça. E 30 Rock já cansou. Vamos prestigiar outras coisas, que o humor televisivo é muito bom e abrangente.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Globo de Ouro - Palpites

Falta pouco para começar a cerimônia que anunciará os vencedores do Globo de Ouro deste ano. Ainda não vi boa parte dos indicados, mas a coisa este ano não está boa, com filmes realmente ruins com chances de levar algo (Revolutionary Road, Mamma Mia!). Vou arriscar uns palpites só pra não ficar de fora da brincadeira, colocando entre parênteses a opção mais provável depois do que acho ser o favorito:


Melhor Filme - Drama: O Curioso Caso de Benjamin Button (Slumdog Millionaire)

Não acredito que o vencedor aqui será automaticamente o vencedor do Oscar. O GG há muito deixou de ser influente com a Academia. De qualquer forma, prefiro acreditar no Benjamin Button, especialmente por ter achado Slumdog muito ruim. Ajudará no Oscar o fato do filme de Fincher estar indo muito bem nas bilheterias e ter se comunicado com o público.



Melhor Filme - Comédia/Musical: Happy-Go-Lucky (Vicky Cristina Barcelona)

Categoria fraca, sem grande favorito. Mas o filme do Leigh tem chamado a atenção da crítica. Meu voto iria fácil para Woody Allen (que num ano tão fraco, bem que poderia chegar às categorias principais da Academia), mas qualquer um que não seja Mamma Mia! está bom.


Melhor Diretor: David Fincher (Danny Boyle)

A grande diferença entre Fincher e Boyle é que o primeiro vem de um filme que todo mundo achava que merecia prêmios, mas não levou nenhum (Zodíaco). O filme de Boyle tem mais cara desse tipo de prêmio, mas assim como na categoria principal, meu horror com seu filme me faz apostar em Benjamin Button.


Melhor Ator - Drama: Mickey Rourke (Sean Penn)

Categoria ainda indefinida, Rourke pode ganhar pelo voto de simpatia. Até porque Milk acabou de fora da disputa, o que significa que nem todo votante é grande fã do filme com Penn. E não vamos descartar Brad Pitt: o GG adora certos atores e Pitt certamente está entre eles e já ganhou uma vez em disputa igualmente complicada há 13 anos (Melhor Ator Coadjuvante por 12 Macacos).


Melhor Atriz - Drama: Anne Hathaway (Kate Winslet)

Eu acreditaria mais na Winslet se não tivesse aparecido o nome de Hathaway como vencedora no site do Globo de Ouro. A desculpa é que foi um erro técnico ao acaso. Mas quem acredita?


Melhor Ator - Comédia/Musical: James Franco (Javier Bardem)

Pura especulação em cima de quem eu realmente espero que vença. Aqui a aposta é que eles escolham o melhor. E não há ninguém melhor que Franco (Oscar, cadê voce?). Bardem ganhou ano passado, mas com Farrel e Gleeson podendo se anular (disputando pelo mesmo filme) e Dustin Hoffman velho de guerra, seria uma boa categoria para reconhecer o filme de Woody (se Penelope Cruz falhar, claro).


Melhor Atriz - Comédia/Musical: Sally Hawkins (Rebecca Hall)

A segunda opção nem é necessária. Única da lista com chances de indicação ao Oscar, Hawkins deve ser a barbada da noite.


Melhor Ator Coadjuvante: Heath Ledger (Robert Downey Jr)

Falando em barbada...


Melhor Atriz Coadjuvante: Penelope Cruz (Viola Davis)

O GG não é muito de seguir as unanimidades dos prêmios da crítica, mas acredito que eles não vão resistir em premiar Cruz, linda, insana, divertida no filme de Woody. Mas é uma categoria difícil. Além de Davis, há Winslet, que parece ter mais chances aqui do que na categoria principal.


Melhor Roteiro: Slumdog Millionaire (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Mais uma briga feia entre os dois. Troquei a ordem, porque espero que o filme de Boyle não ganhe nada, mas também não adianta me iludir.


Melhor Canção: The Wrestler (Gran Torino)

Gostaria muito que a música do Eastwood saísse com o prêmio, mas acho difícil.


Melhor Trilha Sonora: O Curioso Caso de Benjamin Button (Slumdog Millionaire)

Como não faço idéia, tasco os dois favoritos a tudo mesmo.


Melhor Filme Estrangeiro: Gomorra (Valsa para Bashir)

Não fiquei nem um pouco impressionado com Gomorra ou o doc animado Valsa para Bashir, mas parecem ser os queridinhos da crítica. So...


Nas categorias de televisão, os indicados são bem melhores:


Melhor Série de TV - Drama: In Treatment (Mad Men)

Mad Men é a favorita, mas quero acreditar que o GG adorou In Treatment tanto quanto o número de indicações mostra. Até porque Mad Men já ganhou ano passado, e como eles não são de repetir vencedor...


Melhor Série de TV - Comédia: 30 Rock (Entourage)

30 Rock e Tina Fey são os fenômenos e queridinhos de todos. E a série ainda não venceu o prêmio principal... Entourage seria a segunda opção, por todos concordarem que está em um grande momento. Minha opção seria The Office, que começou divinamente sua quinta temporada.


Melhor Ator Série de TV - Drama: Gabriel Byrne (Michael C. Hall)

Todo fã de Dexter (e A Sete Palmos) espera o dia em que Michael C. Hall será premiado pelo GG e pelo Emmy. Quem sabe seja hoje. Ainda acredito no favoritismo de In Treatment para tudo. E convenhamos, o que Byrne faz na série com olhares, gestos, entonações e o diabo é pra ganhar todos os prêmios do mundo.


Melhor Atriz Série de TV - Drama: January Jones (Sally Field)

Puro chute. Com exceção de Anna Paquin (True Blood), não conheço o trabalho de nenhuma das indicadas. E Paquin não merece nem um pouco...


Melhor Ator Série de TV - Comédia: Alec Baldwin (Steve Carell)

Como Duchovny já tem um merecido Globo no bolso (e eu daria de novo por seu trabalho em Californication), aposto no momento de 30 Rock. E seria muito bom ver Carell ganhar de novo (última vez foi pela primeira temporada de The Office).


Melhor Atriz de Série de TV - Comédia: Tina Fey (Christina Applegate)

Não faço idéia de que caminho irao seguir. Discordo totalmente de prêmios dados a Fey nesta categoria, mas Sarah Palin deve dar este pra ela. Mary Louise Parker ganharia sempre, na minha opinião, mas nem ela ou America Ferrera tiveram suas séries em grande momento este ano.


Melhor Ator Coadjuvante: Neil Patrick Harris (Jeremy Piven)

Talvez seja o ano de Patrick Harris, especialmente por conta do ótimo Dr. Horrible´s Sing-Along Blog. Ou talvez seja mais uma vez o ano de Piven. Vai saber... meu voto iria fácil pro Blair Underwood, que tem um trabalho muito mais difícil em In Treatment do que as pessoas parecem perceber.


Melhor Atriz Coadjuvante: Dianne Wiest (Laura Dern)

Tive que apostar em duas deusas do cinema. Wiest já ganhou o Emmy pela atuação linda em In Treatment. Dern eu não vi no telefilme Recontagem. Foi por intuição.



Os melhores atores de telefilme e mini série eu deixo pra lá, já que tirando o Jack Bauer, não conheço nenhum trabalho.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Crepúsculo



“Crepúsculo” nem merece um post só para si, mas como prometi a mim mesmo que tentaria escrever o máximo possível sobre os primeiros filmes que estou vendo em 2009, é o jeito destinar algumas linhas a este filme tão chinfrim.


Não vou me alongar: a mitologia dos vampiros é usada para fins bem malignos com essa história de puritanismo e virgindade adolescente que deve ser mantida a qualquer custo. Pra piorar, nada de presas, a luz do sol deixa os mortos vivos cheios de purpurina (ao invés de mortos), não dormem e nem precisam ser convidados para entrar na casa de alguém. O que acrescenta de interessante? Absolutamente nada. São vampiros, mas poderiam ser mutantes, já que cada um pode ter uma habilidade específica.


Do elenco, a protagonista até tenta fazer alguma coisa, mas o rapaz é péssimo ator. O resto é resto, afinal o filme não se interessa por mais ninguém. A vampira vilã parecia até ser interessante, mas deve ficar para a continuação. Aliás, falando em vilões, antagonistas que surgem do nada com propósitos nenhum faltando meia hora pro filme acabar é de doer. O roteiro é péssimo e terrivelmente mal adaptado (não li o livro, mas não é possível que trama tão esburacada não seja explicada pelo romance que deu origem ao filme), investindo em clichês adolescentes sem o mínimo de inspiração ou graça.


Surpreendente que isso tenha sido realizado por Catherine Hardwicke, que até abordou o mundo teen com mais interesse e vitalidade (embora sem muita sutileza) em “Aos Treze” e aqui faz um trabalho burocrático, chegando ao ápice da mediocridade na sequência do baseball para vampiros, onde caprichou nos efeitos especiais e de câmera mais babacas do universo.


Como antídoto pra “Crepúsculo”, vejam “Deixe Ela Entrar”, filme muito melhor e com tratamento mais apurado e curioso sobre as agruras de ser adolescente e de ser vampiro também.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Apenas um Sonho (Revolutionary Road)




“Revolutionary Road”, com o péssimo título em português “Apenas um Sonho”, é uma decepção vinda de Sam Mendes, diretor que já havia trabalhado com mesma temática (sonho americano, comportamentos que devem se adaptar às normas, tentativas de fugir de padronizações) com muito mais talento em “Beleza Americana”.


Este novo filme é uma nulidade, que não traz nada de novo ou interessante à discussão, embora seja muito bem atuado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que dividem a cena pela primeira vez desde “Titanic”. Ambos fazem um casal apaixonado, classe média, que tenta se encaixar nos sonhos que todo casal dos anos 50 tem: filhos, uma boa casa em um bairro chique, onde as aparências devem ser mantidas acima de tudo, um bom emprego para ele, a vida doméstica para ela.


Só que isso não é o suficiente para ambos, que sentem que falta algo em suas vidas. Ambos brigam constantemente, ele não gosta do trabalho burocrático que faz, ela acha que poderia fazer algo mais pelos dois. É quando decidem que o melhor é ir para Paris descobrir o que realmente querem, abandonando toda a boa vida que tem na América, para perplexidade de seus amigos mais próximos. Mas o sonho é muito mais difícil de se realizar.


O problema do filme não está apenas na obviedade das idéias defendidas, mas também na superficialidade do roteiro, que acrescenta elementos à trama de acordo com a conveniência para seu desenvolvimento (filhos, promoção no emprego, o personagem de Michael Shannon). Ou seja, um típico filme de ação e reação. Mendes dirige tudo com muita discrição, apoiando-se numa bela trilha sonora e nos seus atores, e tira muito proveito de sua experiência com o teatro: as discussões em cena são puramente teatrais, o que não contribui em nada com uma narrativa cinematograficamente já não muito interessante. Também não há espaço para humor, e a obra é de uma seriedade e solenidade de dar medo.


O maior elogio que se pode fazer a “Apenas um Sonho” é ao ator Michael Shannon, que infelizmente não tem tempo suficiente em cena para desenvolver um personagem que tinha tudo para ser bem mais interessante que todo o filme. Shannon, excelente ator de “Possuídos”, faz o papel do anormal: aquele que é expressão viva das angústias dos protagonistas, considerado louco, recém saído de tratamento psiquiátrico, com a desagradável mania de falar a verdade e expor a hipocrisia do sonho americano. É basicamente uma personagem óbvia e necessária nesse tipo de filme, mas a atuação de Shannon é enérgica e traz vida às duas sequencias em que participa.


O pior do filme, no entanto, fica para o final, excessivamente dramático e serve apenas para concluir o óbvio. É como uma tese que reforça uma mesma idéia o tempo todo para no fim não chegar a lugar nenhum, sem dar espaço para possibilidades ousadas, criativas, ou seja lá o que for. Os personagens acabam ficando reféns da estrutura travada do filme.


Ainda assim, bem atuado e realizado com certa competência técnica, “Apenas um Sonho” deve agradar muita gente. Deve fazer um certo sucesso com o público “de arte”. Mas quem espera um pouco mais de Mendes ou que deseja ver na tela mais cinema e discussões mais amplas sobre o tema, com certeza vai se decepcionar.

domingo, 4 de janeiro de 2009

JCVD



Um filme protagonizado por Jean Claude Van Damme não apenas bom, mas com uma ótima atuação do ex-astro do cinema de ação e artes marciais, a ponto de ter sido a 2ª melhor atuação do ano, de acordo com a revista Time (perdendo apenas para Heath Ledger)?



“JCVD” traz Van Damme no papel de Van Damme, numa surpreendente espécie de ficção com autobiografia. No filme, o ator passa por um momento delicado de sua vida, com dificuldades para conseguir participar de bons filmes, problemas financeiros e um processo judicial em que tenta ganhar a custódia de sua filha. Tudo fica pior quando ele se envolve num assalto a banco. Mas como refém ou como assaltante?


O filme tem vários elementos de um policial moderno, com estrutura narrativa fragmentada (idas e vindas no tempo para explicar situações), tensão crescente entre assaltantes, reféns e polícia, mas o que torna a obra realmente interessante é o auto retrato de Van Damme, brincando com sua persona, ao mesmo tempo que faz uma avaliação séria de sua vida. E aí é impossível não se simpatizar com o ator: é um retrato triste de quem um dia chegou a ser um astro renomado, de filmes de sucesso – ainda que nunca levados a sério, e que hoje tem dificuldades para “atuar” em longos planos seqüências (por conta da idade), perde trabalhos para Steven Seagal (“Ele prometeu tirar o rabo-de-cavalo para o filme!”) e, em um dos momentos mais tristes do filme, luta pela custódia da filha em um processo onde o advogado de sua ex-mulher usa contra ele os próprios filmes que fez (violentos, amorais, sem utilidade) e sua filha confessa ter vergonha do pai, pois os colegas estão sempre fazendo piadas sobre ele.


“JCVD” acaba parecendo um retrato auto piedoso, com o astro pedindo o tempo todo para ser compreendido e até reconhecido – por mais de uma vez somos lembrados que Van Damme foi quem levou John Woo para Hollywood, em diálogos bem engraçados (“Mas O Alvo é uma porcaria”, e Van Damme retruca “Ao menos depois ele fez A Outra Face”). Mas se há uma busca por empatia, tudo é feito com muita criatividade e coração: numa das cenas mais incríveis do filme, Van Damme se vira para câmera e expõe alguns de seus sentimentos, numa sequência que vem do nada, com algumas frases tão ingênuas, que só podemos acreditar que ele está sendo muito sincero ali. De quebra, o ator está muito bem, interpretando na sua língua materna uma versão de si mesmo. Sim, uma versão, porque além do evento principal (o assalto) não ter ocorrido, Van Damme não tem uma filha (e sim um filho) e outros tantos elementos que devem ter sido alterados. No fim, o que fica mesmo é algo de sua essência, numa obra curiosa sobre representação e verdade, e que no final acaba sendo também uma boa narrativa de filme policial.


O diretor é o desconhecido (por mim) Mabrouk El Mechri que, além de conseguir uma boa atuação de Van Damme, reformulou o roteiro que inicialmente tratava o protagonista como um palhaço, caprichando nos toques de humor. Por sorte, o cineasta achou por bem dar um tratamento mais sério a coisa toda e resultou nesse filme surpreendente.