domingo, 4 de janeiro de 2009

JCVD



Um filme protagonizado por Jean Claude Van Damme não apenas bom, mas com uma ótima atuação do ex-astro do cinema de ação e artes marciais, a ponto de ter sido a 2ª melhor atuação do ano, de acordo com a revista Time (perdendo apenas para Heath Ledger)?



“JCVD” traz Van Damme no papel de Van Damme, numa surpreendente espécie de ficção com autobiografia. No filme, o ator passa por um momento delicado de sua vida, com dificuldades para conseguir participar de bons filmes, problemas financeiros e um processo judicial em que tenta ganhar a custódia de sua filha. Tudo fica pior quando ele se envolve num assalto a banco. Mas como refém ou como assaltante?


O filme tem vários elementos de um policial moderno, com estrutura narrativa fragmentada (idas e vindas no tempo para explicar situações), tensão crescente entre assaltantes, reféns e polícia, mas o que torna a obra realmente interessante é o auto retrato de Van Damme, brincando com sua persona, ao mesmo tempo que faz uma avaliação séria de sua vida. E aí é impossível não se simpatizar com o ator: é um retrato triste de quem um dia chegou a ser um astro renomado, de filmes de sucesso – ainda que nunca levados a sério, e que hoje tem dificuldades para “atuar” em longos planos seqüências (por conta da idade), perde trabalhos para Steven Seagal (“Ele prometeu tirar o rabo-de-cavalo para o filme!”) e, em um dos momentos mais tristes do filme, luta pela custódia da filha em um processo onde o advogado de sua ex-mulher usa contra ele os próprios filmes que fez (violentos, amorais, sem utilidade) e sua filha confessa ter vergonha do pai, pois os colegas estão sempre fazendo piadas sobre ele.


“JCVD” acaba parecendo um retrato auto piedoso, com o astro pedindo o tempo todo para ser compreendido e até reconhecido – por mais de uma vez somos lembrados que Van Damme foi quem levou John Woo para Hollywood, em diálogos bem engraçados (“Mas O Alvo é uma porcaria”, e Van Damme retruca “Ao menos depois ele fez A Outra Face”). Mas se há uma busca por empatia, tudo é feito com muita criatividade e coração: numa das cenas mais incríveis do filme, Van Damme se vira para câmera e expõe alguns de seus sentimentos, numa sequência que vem do nada, com algumas frases tão ingênuas, que só podemos acreditar que ele está sendo muito sincero ali. De quebra, o ator está muito bem, interpretando na sua língua materna uma versão de si mesmo. Sim, uma versão, porque além do evento principal (o assalto) não ter ocorrido, Van Damme não tem uma filha (e sim um filho) e outros tantos elementos que devem ter sido alterados. No fim, o que fica mesmo é algo de sua essência, numa obra curiosa sobre representação e verdade, e que no final acaba sendo também uma boa narrativa de filme policial.


O diretor é o desconhecido (por mim) Mabrouk El Mechri que, além de conseguir uma boa atuação de Van Damme, reformulou o roteiro que inicialmente tratava o protagonista como um palhaço, caprichando nos toques de humor. Por sorte, o cineasta achou por bem dar um tratamento mais sério a coisa toda e resultou nesse filme surpreendente.

3 comentários:

Vinícius P. disse...

Dizem que o Van Damme está muito bem nesse filme mesmo, o que é algo surpreendente visto seus trabalhos anteriores. Sem dúvida pretendo conferir esse "JCVD" em breve. Abs!

Bolacha disse...

O filme é bom mesmo. Assisti nesse final de semana e achei inovador, mixando estilos de documentario e ficação. Bom. Aconselho.

Anônimo disse...

Velho, a parte que ele "sai" de cena e desafafa par ao publico foi genial! Fala sobre sua ida para US, fama, sucesso, drogas etc.. Muito maneiro o filme. Recomendo.