segunda-feira, 30 de março de 2009

Watchmen - O Filme



(Texto escrito longe da internet, daí a ausência de nomes dos atores e outras informações mais técnicas)




Uma ótima surpresa esse “Watchmen – O Filme” de Zack Snyder. Nunca me satisfiz com a idéia vendida de que a graphic novel de Alan Moore seria infilmável, até porque a obra é recheada de elementos bastante cinematográficos desde o zoom out da sua primeira página. E o filme comprova isso com certa competência, apesar de muitos poréns que facilmente podem ser usados contra ele.



O roteiro consegue habilmente narrar todos os principais eventos dos principais personagens da HQ, eliminando praticamente tudo que era secundário (e que enriquecia absurdamente a obra), com fortíssima dose de fidelidade e coerência interna, atento aos detalhes que poderiam deixar buracos na trama caso fossem esquecidos. Para a complexidade do todo – que inclui inúmeros flashbacks dos protagonistas – foi um feito e tanto.




Essa proeza, aliada à parte técnica de encher os olhos e um senso de narrativa que Snyder já havia mostrado em “Madrugada dos Mortos” e (queiram ou não) no fraco “300”, faz do filme algo estimulante de se ver e ouvir. Para o fã de “Watchmen”, há um certo prazer na fidelidade de diálogos e situações que transforma em imagens de cinema muitos dos “planos” da HQ de Moore. E esta é a maior qualidade do filme: a competência em não estragar algo tão bom (algo que poderia ter ocorrido facilmente), fiel ao máximo possível.




Isso também acaba sendo seu pior defeito, já que, como obra cinematográfica, era de se esperar uma visão particular do cineasta diante do material a se filmar. Isso existe muito pouco. O exemplo maior é a tão comentada sequência de abertura (após o dispensável prólogo de ação), fazendo uma síntese da história dos heróis mascarados e dessa realidade alternativa, ao som de Bob Dylan. É o grande momento do filme, já se desprendendo das páginas do original, mas que infelizmente não veremos mais, exceto pela conclusão da trama.




Outro problema é a “marca” que Snyder insiste em deixar pelo filme: os tais efeitos de imagem congelada e acelerada. Eu não consigo imaginar alguém achando isso cool e queria muito saber o que se passa na cabeça do diretor a respeito disso. Felizmente ele usa este recurso bem menos do que o trailer dava a entender, mas quando usado torna as cenas de ação mais desinteressantes do que já pareciam ser (algo que o cineasta parece não saber filmar bem).




O filme também peca pelo seu elenco. Vendo o ator que faz Ozymandias em cena, só posso concluir que ele não passou por nenhum teste e foi escalado por outro motivo que não o talento. Os outros não comprometem tanto, mas também não ajudam. O que mais gosto é o que faz o Comediante (que fez o Danny, o moribundo boa gente de “Grey´s Anatomy”) e, em menor escala, o ator que faz o Rorschach, melhor de máscara e sem ela claramente inspirado em Clint Eastwood. O restante vai de mal a pior.




Mas embora tenha todos estes defeitos, como disse no início, gostei muito do que vi. A fidelidade à obra de Moore foi o bastante para me entreter, especialmente no que diz respeito aos flashbacks que mostram as cruéis ações do Comediante, culminando na piada sobre o palhaço Paggliacci. Tudo muito bem montado, e o texto cria impacto, o que só comprova que a HQ merecia mesmo parar nos cinemas.




A conclusão, diferente do original, a princípio me irritou, mas foi uma boa solução. Para manter o mesmo fim da HQ, seria preciso usar um precioso tempo para explicar em detalhes a criação “daquilo”, além de uma possibilidade muito grande de ficar ridículo na telona. O efeito da nova versão acabou sendo igualmente eficaz.




Infelizmente, o filme foi visto numa sala de cinema ruim, mas fiquei com a impressão de que “Watchmen – O Filme” será uma das grandes experiências do ano em blu-ray.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Battlestar Galactica

Infelizmente, sem tempo para postar. Queria escrever sobre alguns filmes e séries que tenho visto nas poucas horas vagas, mas vai ficar pra outra ocasião. No momento, só registrando aqui que acabo de postar um pequeno texto sobre o magnífico final de "Battlestar Galactica" no blog Comentários em Série. Quem conhece a série, dá um pulinho lá. Quem nunca viu.... bem, tá esperando o que pra começar?

domingo, 15 de março de 2009

Lady Chatterley e XXY

"Lady Chatterley", de Pascale Ferran, é um desses filmes que parecem já nascerem clássicos. E uma bela aula do que significa adaptar uma obra para o cinema. Embora eu nao tenha lido "O Amante de Lady Chatterley", é fácil reconhecer quando um filme faz uma adaptação ruim, quando você sente que aquela narrativa de alguma forma está travada, dependente de algo externo à ela (pra citarmos algo recente, caso de "O Leitor", por exemplo). E quando já lemos a obra original, as evidências de um trabalho ruim ficam mais óbvias (caso de "Cegueira", por exemplo). O que "Lady Chatterley" mostra é que, numa adaptação, interessa é filmar idéias e não páginas de um livro.


Daí o belíssimo trabalho ao contar a história de uma jovem casada que, vivendo numa propriedade rural com seu marido (preso a uma cadeira de rodas por conta da I Guerra), conhece o guarda-caça do local, ambos se apaixonam e vivem um romance proibido. A diretora usa de enquadramentos, duração dos planos, fotografia, uso de som e dos corpos de seus atores (em especial a bela e excelente Marina Hands, que domina o filme de ponta a ponta) para transmitir sentimentos e sensações vividos por seus personagens. Ou seja, sua força vem de aspectos essencialmente cinematográficos. Não é o texto que lhe dá vida.


Nos primeiros 20 minutos de filme, por exemplo, a diretora filma o tédio e a monotonia da vida da protagonista de forma hipnotizante, estabelecendo a frieza do seu casamento, com pouco uso de música e enquadramentos (que incluem closes) que representam muito bem a tristeza deste relacionamento - e quando a lady Chatterley acorda adoecida, já compreendemos muito bem o porquê. A partir daí, o que vemos é o calmo e crescente desenvolvimento de sua relação com o amante, de uma desajeitada intimidade ao mais completo contato e (re)conhecimento entre seus corpos.


E o filme é sobre isso. Conseguir através da câmera captar sensações que desabrocham da protagonista à medida em que ela faz descobertas na intimidade com um homem. A sequência em que os protagonistas correm nus na chuva é um desses momentos mágicos que só o cinema pode oferecer.




Não tão grandioso, mas de muito interesse, é o argentino "XXY", que traz a história da adolescente Alex, espécime raro que possui características sexuais de macho e fêmea, e seu contato com um adolescente, Alvaro, que chega à sua casa com os pais para passar uns dias. Na verdade, o pai do jovem é um cirurgião que, a pedido da mãe de Alex, vem para investigar as possibilidades de uma cirurgia que tornaria Alex "normal".


Se eu me referi a Alex com palavras como espécime, macho e fêmea, é porque a diretora Lucía Puenzo tenta fazer esta aproximação de Alex com elementos da natureza: não são poucas as vezes que a protagonista é enquadrada pela câmera com o oceano ao fundo, ao mesmo tempo que seu pai, biólogo, cuida de enormes tartarugas marinhas machucadas e deslocadas de seu habitat natural.


Mas a natureza de Alex é constantemente confrontada pelo que nos diferencia das outras espécies: nosso sentido de sociedade que, dentre inúmeros aspectos, atribui significados às coisas e com isso, cria um padrão de normalidade e normatização. Ao se encontrar fora deste padrão, Alex reage ao meio quase que por instinto, ignorando as tais regras sociais: convidando Alvaro para uma relação sexual na primeira vez que se encontram, ou perguntando ao jovem sobre sua afeição pelos pais (cuja resposta padrão "são meus pais" gera uma outra pergunta que ignora tais regras "e daí?").


O espectador talvez sinta uma fragilidade no todo ao se deparar com um final desinteressante. Também há os momentos clichês desse tipo de filme (como a agressão sofrida por Alex quando jovens descobrem sua natureza), mas as boas idéias de "XXY" sobrevivem e colocam o nome de Lucía Puenzo (filha do diretor Luis Puenzo) em destaque no atual (e forte) cinema argentino.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Filmes vistos em Fevereiro

Tempo curto, o mês de fevereiro foi ainda pior que janeiro em quantidade: apenas 12 filmes vistos (dois a menos que o mês anterior) e 35 episódios de várias séries de tv (três a menos que em janeiro). Mesmo com faculdade, estágios e blablabla, março tem que ser um mês de recuperação - neste mesmo período ano passado, eu já tinha visto o dobro de filmes.


E os filmes foram (mais ou menos em ordem de preferência):


A obra-prima

1. O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene (1920)


Os grandes

2. Lady Chatterley, de Pascale Ferran (2006)
3. Shadows, de John Cassavetes (1959)
4. O Lutador, de Darren Aronofsky (2008)


Os legais

5. Encounters at the End of the World, de Werner Herzog (2008)
6. Hunger, de Steve McQueen (2008)
7. Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins (2008)
8. Busca Implacável, de Pierre Morel (2008)
9. Frost/Nixon, de Ron Howard (2008)


Os medíocres

10. Corrida Mortal, de Paul W S Anderson (2008)
11. O Leitor, de Stephen Daldry (2008)
12. The Visitor, de Thomas McCarthy (2007)