
(Texto escrito longe da internet, daí a ausência de nomes dos atores e outras informações mais técnicas)
Uma ótima surpresa esse “Watchmen – O Filme” de Zack Snyder. Nunca me satisfiz com a idéia vendida de que a graphic novel de Alan Moore seria infilmável, até porque a obra é recheada de elementos bastante cinematográficos desde o zoom out da sua primeira página. E o filme comprova isso com certa competência, apesar de muitos poréns que facilmente podem ser usados contra ele.
O roteiro consegue habilmente narrar todos os principais eventos dos principais personagens da HQ, eliminando praticamente tudo que era secundário (e que enriquecia absurdamente a obra), com fortíssima dose de fidelidade e coerência interna, atento aos detalhes que poderiam deixar buracos na trama caso fossem esquecidos. Para a complexidade do todo – que inclui inúmeros flashbacks dos protagonistas – foi um feito e tanto.
Essa proeza, aliada à parte técnica de encher os olhos e um senso de narrativa que Snyder já havia mostrado em “Madrugada dos Mortos” e (queiram ou não) no fraco “300”, faz do filme algo estimulante de se ver e ouvir. Para o fã de “Watchmen”, há um certo prazer na fidelidade de diálogos e situações que transforma em imagens de cinema muitos dos “planos” da HQ de Moore. E esta é a maior qualidade do filme: a competência em não estragar algo tão bom (algo que poderia ter ocorrido facilmente), fiel ao máximo possível.
Isso também acaba sendo seu pior defeito, já que, como obra cinematográfica, era de se esperar uma visão particular do cineasta diante do material a se filmar. Isso existe muito pouco. O exemplo maior é a tão comentada sequência de abertura (após o dispensável prólogo de ação), fazendo uma síntese da história dos heróis mascarados e dessa realidade alternativa, ao som de Bob Dylan. É o grande momento do filme, já se desprendendo das páginas do original, mas que infelizmente não veremos mais, exceto pela conclusão da trama.
Outro problema é a “marca” que Snyder insiste em deixar pelo filme: os tais efeitos de imagem congelada e acelerada. Eu não consigo imaginar alguém achando isso cool e queria muito saber o que se passa na cabeça do diretor a respeito disso. Felizmente ele usa este recurso bem menos do que o trailer dava a entender, mas quando usado torna as cenas de ação mais desinteressantes do que já pareciam ser (algo que o cineasta parece não saber filmar bem).
O filme também peca pelo seu elenco. Vendo o ator que faz Ozymandias em cena, só posso concluir que ele não passou por nenhum teste e foi escalado por outro motivo que não o talento. Os outros não comprometem tanto, mas também não ajudam. O que mais gosto é o que faz o Comediante (que fez o Danny, o moribundo boa gente de “Grey´s Anatomy”) e, em menor escala, o ator que faz o Rorschach, melhor de máscara e sem ela claramente inspirado em Clint Eastwood. O restante vai de mal a pior.
Mas embora tenha todos estes defeitos, como disse no início, gostei muito do que vi. A fidelidade à obra de Moore foi o bastante para me entreter, especialmente no que diz respeito aos flashbacks que mostram as cruéis ações do Comediante, culminando na piada sobre o palhaço Paggliacci. Tudo muito bem montado, e o texto cria impacto, o que só comprova que a HQ merecia mesmo parar nos cinemas.
A conclusão, diferente do original, a princípio me irritou, mas foi uma boa solução. Para manter o mesmo fim da HQ, seria preciso usar um precioso tempo para explicar em detalhes a criação “daquilo”, além de uma possibilidade muito grande de ficar ridículo na telona. O efeito da nova versão acabou sendo igualmente eficaz.
Infelizmente, o filme foi visto numa sala de cinema ruim, mas fiquei com a impressão de que “Watchmen – O Filme” será uma das grandes experiências do ano em blu-ray.
7 comentários:
Realmente é um filme muito bom, até não concordo direito com os defeitos que você achou, rs, mas na linha geral concordamos bastante... Muito bom...
O melhor da sessão não estava na grande tela... estava ao meu lado.
; )
"Watchmen" é um bom filme, do ponto de vista visual; e, claramente, tem uma história interessantíssima. Mas, achei que o filme não soube equilibrar bem as situações e quis mostrar tudo ao mesmo tempo. O diretor poderia ter feito um filme mais enxuto.
É um ótimo filme mesmo, e um trabalho de adaptação primoroso. E tenho a impressão que está destinado a se tornar cult ...
Também me surpreendi com a adaptação, embora conheço pouquíssimo do material original. Mas o rico texto de Alan Moore parece fielmente adaptado e é daí que provém o grande trunfo do filme. Uma narrativa de super-herois com conteúdo e complexidade. As tentativas do Snyder em incluir ação na trama não chegam a atrapalhar, mas já seria pedir demais para que elas não existissem num produto hollywoodiano. Do elenco, meu preferido é o Jack Earle Haley que interpreta o Rorscharch e o Billy Cruddup como DR. Manhattan.
Eu gostei dos atores, tirando aquele Coruja que é chato pra burro. Adorei o 'Roch...' e o Comediante.
Ebnfim, um filme maravilhoso na minha opinião, fique falando dele por dias!! :D
Que bom que viu virtuosidade além das imagens. Adorei este filme. Quero muito rever.
Ciao!
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