sábado, 11 de abril de 2009

Melhores Episódios de Março

Sempre listo os filmes vistos no mês, mas não faço o mesmo com as séries. Também pudera, se já é difícil uma ordem de preferência para 20 filmes, imaginem hierarquizar mais de 40 episódios das mais variadas e diferentes séries.



Mas fazendo uma visita ao blog do Vinicius, acabei decidindo roubar sua idéia de listar, pelo menos, os 10 melhores episódios vistos no mês. Acho que vou manter uma regra de limitar para apenas os episódios exibidos pela primeira vez no mês em questão. Assim, ficam de fora séries que não estou atualizado ou já finalizadas. Não estou atualizado, por exemplo, com "How I Met Your Mother", "Chuck" ou "House". A primeira porque a descobri tardiamente - e vendo agora a fantástica 3ª temporada, vai ser o jeito uma menção honrosa pra série no mês que vem. As outras duas porque não fiquei empolgado para continuar, faltando uns 4 ou 5 episódios de cada para me atualizar.



"House" passa pelo seu pior ano, disparado, enquanto "Chuck" tem me irritado profundamente com seus risíveis personagens da Buy More e uns roteiros capengas tão distantes da esperteza que vários episódios desta temporada já mostraram. Vejo muitos elogios para os episódios mais recentes, mas como falaram bem do último que vi e que eu achei bem fraco ("Chuck vs. The Best Friend"), dei um tempo. Quem sabe ainda este mês eu tiro o atraso.


Mas voltando ao tema do tópico, os melhores episódios que vi em Março, em ordem crescente de qualidade:



10. 24 7x12 - "7:00pm-8:00pm"

Uma temporada aparentemente exclusiva para os fãs hards da série. Os diálogos estão sendo os piores possíveis (embora a atriz Cherry Jones seja muito boa, a presidente é uma inútil que só fala o óbvio), muitos personagens irritantes de tão burros e algumas situações que forçam a barra legal. Ainda assim, como fã absoluto da série (apesar da excrescência que foi a 6ª temporada) me mantenho tenso do início ao fim de cada episódio. Talvez o que a torne tão interessante seja a gravidade dos atentados num nível frenético que só esta série pode nos dar. Neste episódio 12 chegamos ao ápice com um atentado dentro da própria Casa Branca, com a presidente dos EUA sendo refém. A clássica pergunta "E agora, Jack?" foi respondida satisfatoriamente. Vamos ver se o nível de satisfação também será bom com a atual situação do nosso torturador predileto.



9. Lost 5x08 - "LaFleur"

Uma temporada focada em viagens do tempo tinha tudo pra dar errado. Por enquanto não deu. Os inevitáveis paradoxos estão sendo cuidadosamente trabalhados (com Hurley mais uma vez sendo o porta voz dos autores numa divertida discussão com Miles em "Whatever Happened, Happened") e a série não perdeu o que tem de melhor: o tratamento dado a seus personagens e a capacidade de liberar revelações em pequenas doses, em detalhes, ao mesmo tempo que acumula mais questionamentos, enriquecendo e tornando mais divertida sua mitologia - é só pararmos de pensar no quanto tudo é ridículo, já nos alertou Eloise Hawkins. "LaFleur" deu uma pausa nas grandes revelações e focou no incrível amadurecimento de Sawyer, meu personagem favorito da série depois de Ben. E o fato deste amadurecimento ter vindo acompanhado de um relacionamento sério e duradouro seu com a minha terceira personagem favorita da série, Juliet, só tornou a coisa melhor. Nem mesmo o retorno da estraga-prazeres Kate diminuiu a qualidade do episódio. Na verdade, seria muito melhor se a Juliet se preocupasse com Jack: a troca de olhares entre o doutor e o golpista no final de "LaFleur" foi muito mais legal que entre este e a Sardenta.



8. Dollhouse 1x06 - "Man on the Street"

Uma pena que "Dollhouse" corre o risco de ser cancelada. Os problemas que podem levar a isso são vários e totalmente compreensíveis. Mas o principal é algo que me interessa na série: o incômodo que causa o fato de os mocinhos serem marionetes sem a menor idéia do que está acontecendo, enquanto os vilões são os únicos "conscientes" da trama. Isso acaba com qualquer possibilidade comercial e de fidelizar o telespectador. Os outros problemas realmente são terríveis: a dificuldade de articular tramas empolgantes, a mitológica Dollhouse sendo uma empresa incompetente em todo episódio e, principalmente, uma protagonista PÉSSIMA como a tal Dushku. Ainda assim, as entrelinhas de Joss Whedon às vezes são fascinantes e "Man on the Street" é uma prova de que o potencial está ali, só não está sendo utilizado. A idéia da reportagem com a população comentando sobre o mito da Dollhouse rendeu ótimos momentos cômicos e de reflexão crítica, um cliente transformando uma ridícula idéia de uso dos serviços da Dollhouse em algo comovente e triste (a incapacidade de superar a morte de um grande amor), além de revelações surpreendentes no final do episódio após boas sequencias de luta (que obviamente lembrou "Alias"). Até a Dushku esteve razoável aqui, inclusive me fazendo rir ("Porn!"). Mesmo assim, acredito que não durará muito. Uma pena.



7. South Park 13x03 - "Margaritaville"

Stan ganha 100 dólares de uma tia e seu pai o obriga a abrir uma poupança e, assim, aprender suas primeiras lições de economia. Mas no mesmo segundo em que aplica seu dinheiro no banco, ele some da conta. O mesmo acontece com várias pessoas, causando pânico geral. Óbvio que a crise financeira logo seria alvo do humor corrosivo de "South Park" e, numa iluminação divina, surge esse "Margaritaville" em forma de parábola bíblica, onde a Economia é o deus da modernidade que talvez tenha sido insultado e agora se vinga de seu povo. Alguns profetas surgem para explicar esta tragédia, entre eles Kyle, o Jesus Cristo do episódio, e Cartman que obviamente culpa os judeus pela crise (e será o Judas Escariotes, traindo Kyle em troca do GTA: Chinatown Wars para Nintendo DS). O episódio é cheio de grandes sacadas, com uma anarquia que, nos melhores momentos, lembra Monty Phyton: a tentativa de Stan em vender o Margaritaville de seu pai o leva até o Departamento do Tesouro em Washington DC, onde ele descobre como o governo toma decisões econômicas a partir de uma tabela e uma galinha, é absolutamente genial.



6. Battlestar Galactica 4x19 - "Daybreak, part 1"

Com apenas 3 episódios para o fim e tantas questões para se resolver, "Daybreak, part 1" surpreende com boa parte do tempo utilizado para flashbacks de alguns dos principais personagens ainda em Cáprica, antes do extermínio da civilização humana. Uma ousadia que deixa clara a mensagem dos autores: a limitação imposta para o fim da série não significa que os mistérios tomarão o espaço do que é principal na série, seus seres humanos. Sequências como a de Roslin entrando numa fonte após a trágica morte de sua família não existem em qualquer série. O restante do episódio foi uma preparação para o ataque suicida à colônia Cylon, culminando naquela linda sequência de "cross the line". Mais arrasador, impossível.



5. The Office 5x19 - "Two Weeks"

A quinta temporada de "The Office" está tão maravilhosa, que eu gostaria de colocar a série em posição mais alta neste top. Mas os episódios que mais me empolgaram não foram os do mês de março (os primeiros episódios da temporada, com Holly, "Moroccan Christmas", "The Duel", sequências isoladas de "Stress Relief"). Nada contra "Golden Ticket", "New Boss" e, principalmente, "Blood Drive". São ótimos, mas tive que escolher "Two Weeks", por representar um ponto dramaticamente empolgante da temporada. É sempre um prazer de ver desenvolvimento de personagens nessa série, porque são construídos tão cuidadosamente que a coerência nunca se perde (e nem o humor). É óbvio que Pam iria com Michael. Tudo no episódio e na série toda corrobora isso. Um mês em que a série se destacou pelas aberturas (Jim fingindo ser Michael em "Blood Drive", a KGB em "Golden Ticket"), "Two Weeks" se destaca pelo maravilhoso final. E como eles conseguem criar tantas gags rápidas e às vezes sutis para todos os coadjuvantes (em especial Creed)?



4. South Park 13x01 - "The Ring"

"Margaritaville" talvez seja mais interessante como roteiro e idéias, mas o season premiere "The Ring" é tão ofensivo e grosseiro que, desde já, é um dos meus episódios favoritos do ano de qualquer série. Kenny arranja uma namorada mais velha e descobre que ela já fez um boquete em um rapaz após ouvir os Jonas Brothers. Ao invés de terminar com a menina, ele quer mesmo é levá-la para um show da banda, mesmo com o conselho de Cartman de que a boca da mulher americana é um dos locais mais cheios de bactérias. Mas a banda força o casal a usar o "anel da pureza", que proíbe sexo antes do casamento, além de outros comportamentos de gente chata, como ver "Grey´s Anatomy". Na verdade, o anel é uma jogada de marketing da Disney Channel para vender sexo para pré-adolescentes sem serem processados, afinal os Jonas Brothers deixam todas as meninas excitadas (uma garotinha no show sente "lá embaixo formigar"). O episódio segue extremamente engraçado, com Mickey Mouse sendo o chefão da empresa e que, dentre outras coisas, espanca um Jonas Brother por questionar sua autoridade e diz ganhar muito dinheiro há décadas em cima dos cristãos, que são retardados. O nível de gargalhadas é realmente alto e ver os Jonas Brothers segurando enormes mangueiras que jorram espuma branca no rosto das fãs pré-adolescentes realmente não tem preço.



3. Breaking Bad 2x04 - "Down"

A segunda temporada de "Breaking Bad" está com um início arrasador, indo fundo nas consequências das escolhas feitas por Walt. "Down" tem um clima digno do título do episódio, acompanhando a descida ao inferno dos protagonistas, que certamente ainda não acabou. A série tem um aspecto sujo fascinante, cheirando a realidade em cada plano, muitas vezes desagradável, muitas vezes com humor negro, e sempre interessante. Claro que ajuda o fato de Bryan Cranston, Anna Gunn e Aaron Paul serem fantásticos (elenco desde já recomendado para os Emmys), mas os roteiros tem criado situações desesperadoras (o que foi aquele Tio de Tuco em "Grilled"?) e confrontos dramáticos tão intensos, que o desconforto em assistir ao desmoronamento de uma família é grande. E isso é muito bom.



2. 30 Rock 3x16 - "Apollo, Apollo"


Um mês inspirado para "30 Rock": o bonitinho "Goodbye, My Friend", o hilário "Funcooker" (com Dr. Spaceman medicando Jenny e a explicação para o título), a ótima idéia do "The Bubble" (encerrando a engraçada participação de Jon Hamm) e este "Apollo, Apollo", um primor em tudo que a série está devendo. Sim, porque apesar do bom mês, a terceira temporada não faz jus ao fenômeno de prêmios que se tornou (e eu sempre gostei mais de "The Office"), com episódios que sobrevivem de momentos isolados, onde nem mesmo algumas esperadas participações renderam grande coisa (a decepção que foi Jennifer Aniston, a pior atuação de Salma Hayek ever). Mas "Apollo, Apollo" não só teve grandes momentos, como todas as subtramas se cruzaram num roteiro que tem sido raramente bem amarrado. Ao contrário dos filmes, não revejo episódios, mas este mês acabei fazendo isso duas vezes: com o final de "Battlestar Galactica" e com este episódio de "30 Rock". E tenho certeza que não consegui pegar todas as piadas. Destaque absoluto para as visões de mundo de Kenneth (Muppets! Musical! Liz caminhando como um Muppet), Tracy e Jack (Kenneth vale 7 dólares!), Liz nomeando algumas reações fisiológicas ("I´m Lizzing!", "He´s gonna Jack!"), a lista de desejos de Jack com 10 anos de idade (que inclui espancar um russo e atropelar sua mãe), as pessoas que acham que Jack está convidando-os para uma entrevista de emprego, a leitura labial ("eu estava encarando sua boca!"), a aparição de Denny como viciado em sexo, a preocupação de Jenny se Liz a imitou com sotaque britânico, Grizz como o agente de Adam West, Kenneth fazendo sons (Star Wars?) para enganar Tracy, o comercial de tele-sexo feito por Liz, as absurdas e hilárias reações de Frank e Lutz ao vômito de Jack ("He´s mortal!", "What just happened??")... sem dúvida um dos melhores episódios de toda a série e desde já um favorito ao Emmy.



1. Battlestar Galactica 4x20 - "Daybreak, part 2"

O grande final de uma grande saga. Metade do que senti já foi escrito e está aqui. A outra metade não dá pra explicar em palavras. É para isso que séries e filmes existem.



Gostaria de ter feito um top 10 com apenas um episódio de cada série, mas não deu pra incluir, por exemplo, "The Big Bang Theory", que acho muito simpática e com algumas grandes risadas aqui e ali, e nem mesmo "Damages", que encerrou sua segunda temporada no mês de março. Foi um pouco decepcionante comparando com a temporada anterior, e os episódios seguiram um padrão semelhante de qualidade, com mesmos defeitos e acertos. De modo geral, acho que terminou melhor do que começou, conseguindo dar sentido a toda aquela bagunça cronológica. Ainda assim, as séries listadas acima tiveram todas melhores episódios que o melhor de "Damages".

3 comentários:

Alex Gonçalves disse...

Faz tantos meses que não vejo um seriado que não tenho nem o que comentar, rs...

Abraços, boa semana.

Kamila disse...

Das séries citadas, só assisto mesmo "30 Rock" e "Lost". Enquanto a primeira alterna bons e maus momentos nesta terceira temporada, "Lost" vem caindo de nível totalmente... Espero que a série do JJ Abrams termine logo.

e.fuzii disse...

Não acredito que você atrasou Chuck. Acho "vs The Best Friend" bom, mas não ótimo. Agora a série atingiu uma crescente bem interessante, vale a pena voltar.

O gancho de "Two Weeks" é realmente genial e como você disse empolgante. Uma pena que os dois próximos episódios deixem um pouco a desejar, principalmente com quem sobrou na Dunder. Só espero que isso leve a algum lugar e não seja só manobra para retomar o status quo.

Já "Apollo, Apollo" é fantástico, um dos poucos pontos altos dessa temporada. Sempre tenho curiosidade para saber como as pessoas enxergam o mundo (literalmente falando) e ver a visão Muppet de Kenneth foi uma das idéias mais geniais da série. O detalhe é que quando ele olha pra baixo, sua própria mão é de pelúcia, ou seja, ele também se enxerga como tal. HAHA!

Dei uma pausa em Damages, acho que esperar semana após semana é frustrante demais, devo assistir tudo de uma vez agora que acabou. E não sabia que acompanhava tão de perto South Park. Bacana.

Abraços.