quinta-feira, 28 de maio de 2009

Season Finales - Parte 1

Mês de maio se encerrando e praticamente todas as séries que vejo já tiveram suas temporadas encerradas. Ainda atrasado em algumas, segue breves comentários do que já vi:



24 Horas – Um ótimo final para uma temporada apenas boa. Toda a trama fez sentido desta vez, ao contrário da bagunça que foi a temporada anterior. O problema esteve o tempo todo nos diálogos risíveis, no número excessivo de personagens irritantes (o que diabos era Janeane Garofalo?!) e na insistência do ultra batido “há algo maior por trás disso tudo”. Além do mais, um total desastre a Presidente Taylor, cuja única grande decisão foi justamente no season finale. Cherry Jones é uma grande atriz, mas sua personagem se resumiu a uma inútil que não parava de repetir o óbvio na Casa Branca: “Você está me dizendo blablabla?”, “É prioridade blablabla!” Troque blablabla por toda situação que ocorreu nessa temporada e que o espectador já sabia que estava acontecendo.


De qualquer forma, tivemos vários episódios tensos e ideologicamente os autores traçaram um caminho interessantíssimo do início ao fim da temporada, deixando claro seu posicionamento diante de temas polêmicos habituais da série como a tortura e o pragmatismo sem limites. Se o que fizeram com Tony Almeida ao final da temporada foi meio duro de engolir, não faltou coerência no reestabelecimento da CTU ou no trajeto de Renee Walker para se tornar uma Jack Bauer de saias. E se a série a todo momento parecia legitimar os atos de Bauer, o próprio protagonista dá um precioso conselho a Walker no último episódio que, junto com a decisão da Presidente Taylor, traz uma boa discussão sobre a responsabilidade do indivíduo e do Estado. E pra quem chama a série de reacionária e fascista, basta como resposta aquela ótima sequência em que Jack pede pelo apoio espiritual, não de um líder religioso cristão, mas de um muçulmano. No fim, a série manteve o que há de melhor nas suas entrelinhas desde a primeira temporada, mas não alcançou os níveis de adrenalina e de brilhantismo das tramas de conspiração que fizeram sua fama.



The Big Bang Theory – Não é sempre que os roteiristas acertam nessa sitcom. Na verdade, com exceção de Sheldon, não há nada a se gostar em “Big Bang Theory”. Talvez uma ou outra participação de Raj, mas no geral as piadas que sobram para os demais personagens são tolas, infantis e repetitivas. Por exemplo, é só Sheldon falar de algo que o incomoda que lá está Leonard com algum comentário bobo insinuando que Sheldon o incomoda. Aliás, os atores que fazem Leonard e Penny são muito fracos e nas raras vezes que fazem rir é por conta de um diálogo inspirado e não por suas atuações. O season finale não trouxe gancho nenhum (ao contrário da temporada anterior que iniciava um romance entre Penny e Leonard – que acabou não resultando em nada interessante também). O que fica mesmo de aproveitável é o Jim Parsons como uma grata surpresa vivendo o neurótico-obssessivo-compulsivo-ultra-mega-nerd-brilhante Sheldon. Sempre divertido de se ver, essa temporada trouxe alguns momentos realmente marcantes do personagem (com destaque absoluto para sua reação ao ganhar de Penny um autógrafo do Leonard Nimoy). De qualquer forma, a série não pode sobreviver por muito tempo dependendo de Sheldon. Sitcons sobrevivem de personagens carismáticos e diálogos engraçados também.



Chuck – Ao contrário de muitos, não morri de amores pela fase final desta segunda temporada. Na verdade, o melhor de “Chuck” ficou mesmo no início, com episódios como “Chuck vs. The Seduction” e o arco que envolvia Jill. Mas os dois últimos episódios foram bem melhores do que os anteriores, que me irritavam profundamente com a repetição de situações (Chuck se mete em enrascadas exatamente da mesma forma em quase todos os episódios) e do drama do protagonista que insistia em choramingar que Orion era a única pessoa que poderia tirar o Intersect da sua cabeça. Zachary Levi é excelente comediante, mas os momentos de seriedade realmente me incomodavam. Junta-se, claro, ao maldito segmento Buy More, onde nada se salvava. Como as pessoas acham graça em Morgan, Big Mike e a dupla Jefster é algo tão misterioso pra mim quanto pessoas que se divertem com Zorra Total ou A Turma do Didi. Juro que não consigo ver diferença de uma coisa pra outra. Com tanta chatice, salva-se, além de Levi, Adam Baldwin e Ryan McPartlin (a participação de Awesome nos últimos episódios foi nada menos do que... err... awesome), e a incrível beleza de Sarah Lancaster (tá, Yvonne Strahovski é linda também). O big fuckin' twist do season finale promete dar um novo gás a série que, a princípio, só retorna ano que vem com uma temporada mais curta de 13 episódios.



How I Met Your Mother – Season finales de How I Met Your Mother inevitavelmente voltam a abordar o tema que dá nome a série. Durante a temporada, pouco se desenvolve e se fala na mãe misteriosa dos filhos de Ted, o que permite focar histórias em Barney, Marshal, Lily e Robin, todos mais engraçados e interessantes que o protagonista. Então, season finales acabam não sendo os melhores momentos da temporada, porque simplesmente o grande mistério não interessa tanto quanto as gargalhadas provocadas pelos demais personagens. Acho que a melhor solução é apresentar logo esta mãe dos meninos e continuarmos com histórias divertidas envolvendo todos. E dane-se o título da série. Prison Break manteve o seu nome mesmo depois dos personagens saírem da prisão. O season finale finalmente trouxe uma das histórias mais aguardadas pelos fãs, que é aquela em que envolvia uma cabra. Havia tanta expectativa criada, que pra mim acabou sendo um pouco frustrante, simplesmente por ter vindo em um episódio que não foi tão engraçado como o da temporada anterior em que Ted confundia o envolvimento da cabra com seu aniversário de um ano antes. Seja como for, a temporada foi excelente, com poucos episódios inspirados, e um número enorme de gargalhadas que supera em muito outras comédias que assisto. E se Neil Patrick Harris não ganhar prêmios desta vez (seu timing cômico no papel de Barney foi insuperável nesta terceira temporada), não ganha mais nunca.



Lost – Season finales de Lost sempre me deixam apreensivo. Desde sempre a série segue uma linha narrativa difícil de se prever, não apenas surpreendendo no que acontece, mas como acontece e quando acontece, tornando a experiência de ver seus finais de temporada (momento que a série toma novos rumos) sempre algo fascinante, mesmo que aqueles caminhos tomados não sejam do nosso agrado (a roda de burro na quarta temporada o exemplo mais chamativo). A abertura de “The Incident”, com dois homens travando um diálogo que revela uma relação misteriosa e amarga entre os dois, enquanto vêem um navio chegando à ilha, é um destes momentos que só Lost pode nos dar: novos e inesperados personagens surgem, mudam a configuração das coisas, expande a mitologia da série e, claro, traz mais mistérios para os fãs especularem bastante.


Acho que foi meu season finale predileto depois de “Through the Looking Glass” e não apenas porque o que foi revelado retoma aspectos presentes na primeira temporada (a luta entre dois lados, como Locke mostra a Walt o gamão no episódio piloto) dando uma coerência necessária ao todo e um tom mítico e grandioso ao que realmente se passa naquela ilha, mas porque este conflito encontra ressonância nos dilemas dos personagens que parecem se encontrar no meio de uma disputa milenar entre forças que parecem testar e experimentar a humanidade. Esse fator religioso está presente não só no que o homem sem nome diz sobre o círculo vicioso de exploração e violência dos homens (rebatido por Jacob com a certeza de que tudo é aprendizado), mas na ótima participação de Bernard e Rose, que aparecem em perfeita comunhão com a natureza. O porém do episódio fica por conta do quadrado amoroso que teve mudanças repentinas de comportamento e que quase quebrou o ótimo clímax do fim do episódio. Pode-se criticar a explosão final por não ser algo surpreendente, mas ao contrário do final da primeira temporada (quando também já sabíamos que a escotilha seria aberta), fica um forte clima de “e agora?”, especialmente por conta da suposta morte de Jacob, cuja últimas palavras foram “eles estão chegando”. E tenho certeza que a explicação para isso (com o contato físico de Jacob e os losties, mais os objetos dados a eles) será bem satisfatória.



The Office – Um season finale que não foi tão brilhante quanto os melhores episódios da temporada, mas que fecha com chave de ouro este que talvez seja o melhor momento da série. E isso não é pouco, já que The Office se tornou a minha comédia predileta da tv desde sua fantástica segunda temporada. Depois de uma quarta temporada infeliz, a atual vem desde o início, com a grande participação de Amy Ryan, surpreendendo pela impressionante capacidade de aliar humor inteligente e pequenos momentos dramáticos com perfeição, devendo-se muito ao desenvolvimento de todos os personagens que, a esta altura, o espectador fiel já sabe identificar todas as características que lhe são peculiares – e muitas vezes a graça vem exatamente desta identificação. Será lamentável se a série e Steve Carrell perderem os prêmios este ano para 30 Rock e Alec Baldwin, por melhor que estes sejam. Michael Scott teve um desenvolvimento incrível nesta temporada, tanto na sua relação com Holly, quanto no genial arco envolvendo a Michael Scott Company Paper, tendo comportamentos hilários e inesperados, ao mesmo tempo com total coerência com a personalidade construída ao longo da série. Sem dúvida, uma das melhores séries da atualidade, entre dramas e comédias.


Estou bastante atrasado com outras séries, mas pretendo escrever uma parte 2 envolvendo Breaking Bad, In Treatment, House, 30 Rock e Dollhouse.

3 comentários:

Wally disse...

LOST é a fascinação no seu termo mais bruto. Mesmo quando os episódios não dizem nada, eles dizem algo. Morro de paixão por esta obra de arte!

Ciao! ;)

Kamila disse...

Não assisti a nenhum dos season finales do post, até agora...

André C. disse...

Olá Hélio!
O HIMYM teve para mim nesta quarta temporada, a mais fraca de todas. Ainda é uma comédia inteligente e bacana, mas esta quarta temporada viveu mas da fama das outras do que dela mesmo.

Já Lost teve uma temporada melhor, mas para mim, na minha humilde opinião, Lost viajou demais e se afastou do que já foi.

Abraços,
André C.