Algumas coisinhas do meu mundo audiovisual:
Maldito Coração - Dia desses, Michele e um amigo (Tulião!) estavam assistindo a "Maldito Coração" da Asia Argento e acabei revendo uns trechos. É um filme impressionante sobre uma criança e sua mãe porra-louca. O menino é espancado, drogado, esquecido pelas ruas, abusado pelos namorados da mãe. Num período de "descanso", vai morar com o avô fundamentalista cristão que o torna um vendedor da palavra divina pelas ruas. Enfim, é o inferno só. A grandiosidade da obra está em não tornar o garoto uma vítima miserável e nem fazer desse inferno astral um fetiche escandaloso. Argento e sua camera conseguem captar com maestria todo esse jorro de sensações e experiências aterradoras que a criança prematuramente conhece (os atores que vivem o garoto são fantásticos) e as formas que ela usa para sobreviver a isso, além de estabelecer no fim das contas uma bizarra e bela história de amor entre mãe e filho. Sim, porque no fundo há uma relação de dependência e amor louco muito crível. O título original, aliás, é muito mais poético do que a suposta maldição que o título brasileiro quis dar: o coração é traiçoeiro acima de todas as coisas. Um grande filme.
How I Met Your Mother - No mês de abril, eu e Michele vimos a terceira e quarta temporadas dessa série hilária. As comparações com "Friends" são inevitáveis, por se tratar de um grupo de amigos encarando relacionamentos, empregos, etc, e que passam boa parte do tempo num bar tomando cerveja (há um episódio, inclusive, em que eles tentam curtir num café, mas acham entediante, numa clara alusão aos velhos tempos do Central Perk). Mas HIMYM tem muitos méritos próprios, usando e abusando do fato de suas histórias serem contadas em flashback por Ted, que em 2038 conta a seus dois filhos adolescentes como conheceu a mãe deles. É o pretexto para inúmeras sacadas geniais com o tempo narrativo (flashbacks dentro de flashbacks dentro de flashbacks), alterações dos acontecimentos de acordo com as intenções e percepções do narrador, etc. Outra grande atração é Neil Patrick Harris que torna fascinante e engraçadíssimo um personagem altamente desprezível (que comete as maiores barbaridades com uma infinidade de mulheres, além de um emprego de muitas atividades obscuras). Harris tem se superado nas muitas facetas de Barney (atualmente apaixonado por uma personagem) e nem os piores momentos da série consegue tirar a graça do sujeito, que sempre nos traz brilhantes teorias e métodos de se dar bem com uma mulher. E se os outros personagens não são tão legen... wait for it... dary!!, também são muito engraçados e vividos por grandes atores: Marshall e Lilly (o fantástico Jason Segel e Alyson Hannigan) formam o casal mais fofo da tv e Cobie Smulders no papel de Robin melhorou bastante em relação às primeiras temporadas. Apenas Josh Radnor, justamente o protagonista Ted, que não se destaca, mas também não compromete.
Taiwan - Amigo me abastece de filmes (inexistentes em dvd no Brasil, mas disponíveis nos EUA para quem quiser se esbaldar no Amazon) dos taiwaneses Hou Hsiao-Hsien e Tsai Ming-Liang, considerados dois dos maiores nomes do cinema atual. De Hou, até agora vi "Millenium Mambo", que junto com "A Viagem do Balão Vermelho" (único filme que eu já tinha visto do cara), me mostra qual é a do diretor: um perfeito timing para captar momentos das vidas de seus personagens. A camera se movimenta de pontos específicos, acompanhando o vai e vem de pessoas em seus cotidianos, numa precisão cirúrgica de enquadramentos que impressiona não apenas pela beleza plástica, mas também pelo efeito causado. O espectador consegue sentir a vida pulsar ali na tela (e a abertura de "Millenium Mambo" é um espetáculo a parte). Já o cinema de Tsai é bem mais incômodo. Sua camera é muitas vezes fixa, de planos prolongados em ambientes fechados. Facilmente podem causar irritação ou esgotamento de quem assiste, não apenas por uma suposta lentidão, mas por trazer gente com vidas tediosas e sem saber relacionar umas com as outras, especialmente em família. No meio disso, água em abundância, como elemento de opressão ou simbólico de desejos e emoções prestes a aflorar. Em "Rebeldes do Deus Neon", a água que vem de baixo e inunda o apartamento de um protagonista; em "O Rio", a água que vem de cima, da chuva que não pára de pingar no quarto do pai, além do rio que causa no filho uma dor misteriosa que o faz andar como um morto-vivo pela cidade. São filmes cruéis, com um quê de desesperança, e que fascinam justamente pelo incômodo que causam. Verei mais em breve.
The Tudors - Comecei a ver a segunda temporada e se alguém me perguntar porque vejo essa série, não saberei responder. Fraca, com atores e texto ruins, insistindo numa suposta narrativa de eventos históricos (com muitos erros grosseiros) sem um aprofundamento devido (nem de tramóias políticas ou de personagens) ou mesmo com alegorias para os nossos tempos. A abertura é muito engraçada, com o elenco lançando olhares sérios e gravíssimos para a camera. E ainda assim eu assisto. Vai entender.
Verão Americano - A temporada de filmes barulhentos que movimentam muito dinheiro começou com o lançamento mundial de "Wolverine" neste fim de semana. E que não verei no cinema, como muitos outros filmes: o moviecom de minha cidade (única rede de cinemas daqui), como se não bastasse as péssimas projeções de imagem e som, gosta de exibir o maior número possível de filmes dublados. Então o jeito é esperar o dvd (ou se a crise financeira deixar, o blu-ray). Só para constar, a minha listinha de filmes aguardados desse período, em ordem de lançamento: Terminator Salvation (porque ao contrário do que muitos acham, McG é um puta diretor), Drag Me to Hell (porque Sam Raimi volta ao genero que o lançou), Year One (porque é Harold Ramis dirigindo Jack Blak e Michael Cera), Public Enemies (porque tem tudo pra ser um dos melhores filmes do ano), Funny People (Judd Apatow diz alguma coisa?) e, se final de agosto ainda conta, Inglorious Basterds (porque Tarantino deve ser o cineasta americano que mais fez obras-primas nos últimos 15 anos, com 100% de aproveitamento). Não acrescentei o novo de Woody Allen porque não é bem a cara de verão americano. E apesar de gostar de quase tudo da Pixar, nunca fico empolgado para ver suas novas animações.
7 comentários:
Leio seu blog já faz um tempo e só hoje me dei conta que você é o Hélio da Michele (midocarmo). Também leio e curto o blog dela.
Parabéns ao casal.
Abraços, Lívia
Aguardo muitos dos filmes que você para este Verão e não sou a telespectadora mais assídua de "How I Met Your Mother", mas adoro todos os episódios que vi do programa.
1 - Por causa de Maldito Coração Tulio cortou o cabelo.
2- HIMYM - Best ever! papapapapa-papapapa-papapapapapapaaaaaaaaa.
(Equipe Insubs - Qualidade é InSUBStituivel)
3 - ZZzzzzzzzzzzzzzzz
4 - ou The Nadars.
5- Inverno Brasileiro - aquece meu pé?
Dos tópicos eu destaco o primeiro, sobre o filme "Maldito Coração". É de fato um filme muito impressionante e cercado de interpretações e pontas sensacionais (acho a psicóloga de Winona Ryder algo hilário!). Eu só não gosto do desfecho da obra, embora simbolize mesmo essa coisa doentia que há entre a mãe e o filho.
Hehe, preciso de um amigo assim, para me abastecer com esses filmes ... então, acho que só posso comentar sobre o verão americano, que começou mal com a bomba Wolverine. Também tenho boas expectativas quanto a T4, não tanto pelo McG, mas pela qualidade da série e pelos trailers, e quanto a Public Enemies, porque Michael Mann é sinônimo de filmaço (apesar de não ter me empolgado com o trailer). E, claro, Bastardos Inglórios, porque Tarantino é gênio!
Engraçado que vi agora no blog do Alex que, em comemoração ao dia das mães, ele fez uma lista de filmes sobre mãe e selecionou bem a Asia Argento de Maldito Coração. Provavelmente como mãe nada exemplar, mas tá valendo mesmo assim. Não vi o filme, mas falam muito bem e agora fique a fim de ver.
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