
Como disse no post anterior, gosto muito desta continuação de As Panteras, filme que é categoricamente descartado como porcaria. O diretor McG é tido por muitos como um capataz incompetente de Hollywood, que fez uma continuação caça-níqueis (muita gente até acha o primeiro divertido) sem pé nem cabeça. Mas ouvindo as faixas de comentário dos dois filmes em dvd, o mínimo que se pode perceber de McG é que se trata de um cinéfilo esperto, plenamente consciente do que fez.
Primeiro, uma conclusão que me parece importante: roteiros, tramas, histórias em cinema são superestimados. É um problema, às vezes, de boa parte da crítica e do gosto médio de quem vai ao cinema. Os filmes parecem servir apenas para contar uma boa história, quando na verdade deveriam ser admirados pela união de fatores que envolvem a imagem e som, independente do que se conta, sendo o como se conta, inclusive, mais importante. Porque, afinal, e quando não se tem muito o que contar?
Pense bem: todo ano, hollywood nos empurra seus blockbusters onde algum mocinho salva o dia e fica com alguma mocinha. Os roteiros são meros pretextos para a ação, que é o que realmente importa. Não há profundidade, aquilo certamente já vimos melhor em outras ocasiões e todo o drama e emoção tirados da trama são tão risíveis como esquecíveis.
E aí McG resolve radicalizar em "As Panteras: Detonando" e parte pra um pós-tudo, onde só a ação existe e importa. Inventa uma bobagem de anéis que devem ser recuperados (o seu McGuffin), uma motivação para cada pantera e cria sequências que mais parecem esquetes, eletrizantes e divertidas por si sós, mas que não formam um conjunto tão coeso assim. E tome-lhe referências de todo tipo: o filme abre estilo Gangues de Nova York, Bruce Willis aparece só para ser morto e um corte imediatamente nos leva para as panteras dançando em uma homenagem a Cantando na Chuva.
Acredito que sem as pré-concepções de que filmes devem se sustentar em histórias e um olhar mais atento ao impressionante trabalho de montagem, o filme de McG se torna um excelente divertimento, surpreendente na sua anarquia. Você nunca sabe o que virá a seguir, exceto que do ponto de vista da narrativa não fará muito sentido, que a ação não vai parar, nem as referências pop, nem as cores deixarão de chamar a atenção, seja pela falta de harmonia,. seja pela alegria insana. E talvez aí, o ponto de encontro com Showgirls, de Verhoeven: há um padrão de qualidade imposto, que deve ser respeitado e tudo que não se encaixa, torna-se necessariamente ruim.
Não posso dizer muito mais do que está nesta excelente crítica, onde o autor chama a obra de esquizopop art. Recomendo enfaticamente a leitura:
http://www.contracampo.com.br/criticas/aspanterasdetonando.htm
De fato, As Panteras: Detonando é um filme esquizofrênico, que sai da normalidade muitas vezes chata imposta pelos blockbusters americanos. E, diabos, como diverte!
2 comentários:
É filme p/ divertir mesmo!
Acho que esse eu pulei, o primeiro não havia me deixado boas lembranças. Quem sabe eu reveja? Provavelmente não será por agora!!!
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