No mês de junho, este blog foi abandonado e o cinema também. Alcancei nova marca história, com incríveis três filmes vistos - embora não tenham sido três filmes incríveis. Um vexame que não se repetirá mais (estamos no dia 7 de julho e já vi o triplo disso este mês).
Quanto ao blog, espero postar em breve previsões e opiniões sobre as indicações ao Emmy, que saem na semana que vem. Exercício de futilidade que adoro, então os filmes, ao menos neste espaço, vão esperar um pouco mais.
Como o mês foi fraco, ao invés de apenas listar o que vi, brevíssimos comentários sobre os três filmes legais que vi:
Operação Valquíria, de Bryan Singer (2008) - filme muito do competente, em que Singer mostra suas qualidades (e limitações) na narrativa de um evento histórico extraordinário. O filme, por sua vez, não parece sair do ordinário, mas a decupagem é de um classicismo invejável para um operário padrão de hollywood. Singer deixa a gente ver o filme, os planos respiram e a montagem cria momentos de suspense e tensão muito bons. Muito bom também o início, com uma narração em alemão dando lugar, sutilmente, ao inglês e o rosto do galã Tom Cruise. Há aí um inusitado respeito histórico e expõe o artifício que todo mundo conhece, alguns reclamam, mas que no fundo não importa: as tramas dos outros que os americanos tomam pra si e de repente você vê todo um povo estrangeiro falando em inglês. E com gente bonita demais no papel. Cruise, aliás, mostra mais uma vez o grande ator que é. Espero que tenha recuperado sua sanidade.
Pagando Bem, Que Mal Tem?, de Kevin Smith (2008) - Não sou fã do Kevin Smith, cujos melhores momentos são uns diálogos "ixpertos" que vez por outra existem em seus filmes, mas no geral tem uma visão nerd e adolescente da vida. Este último começa bem e engraçado, e as presenças de Rogen e Robinson mostram uma certa influência da trupe do Apatow. Mas do meio para o fim, o romance se insinua e o sexo vira uma questão de moral para os protagonistas. Smith acaba mostrando mais uma vez ser bem "ousado" no linguajar, mas careta na hora de resolver os conflitos. Fatou coragem. De qualquer forma, Elizabeth Banks é uma gracinha, é bom ver Jason Mewes engraçado não sendo Jay e Justin Long rouba as poucas cenas que tem, fazendo a gente lamentar seu pouco tempo de tela. Punheteiros dos anos 80 e 90 também poderão relembrar os velhos tempos com a participação da ex-estrela pornô Traci Lords, no papel de Bubbles.
Coraline, de Henry Selick (2009) - Não morro de amores por animações, nem mesmo com algo tão simpático como esta, influência direta de Tim Burton. Coraline é o tipo de coisa que mostra o quanto Dreamworks e Fox ainda estão longe de fazer animações inteligentes, traz mensagens bem claras e interessantes (a vida não é feita apenas de prazeres, há as responsabilidades e necessidade de conviver com o outro, aceitando-o como esse outro é), o choque entre realidade e fantasia cria momentos bonitos de terror (para crianças menores, certamente) e a criação visual e simbólica é muito boa (a "Outra Família" com botões no lugar de olhos, por exemplo). No entanto, vejo isso tudo com distanciamento, realmente não consigo me envolver. Mas é altamente recomendável.
Quanto ao blog, espero postar em breve previsões e opiniões sobre as indicações ao Emmy, que saem na semana que vem. Exercício de futilidade que adoro, então os filmes, ao menos neste espaço, vão esperar um pouco mais.
Como o mês foi fraco, ao invés de apenas listar o que vi, brevíssimos comentários sobre os três filmes legais que vi:
Operação Valquíria, de Bryan Singer (2008) - filme muito do competente, em que Singer mostra suas qualidades (e limitações) na narrativa de um evento histórico extraordinário. O filme, por sua vez, não parece sair do ordinário, mas a decupagem é de um classicismo invejável para um operário padrão de hollywood. Singer deixa a gente ver o filme, os planos respiram e a montagem cria momentos de suspense e tensão muito bons. Muito bom também o início, com uma narração em alemão dando lugar, sutilmente, ao inglês e o rosto do galã Tom Cruise. Há aí um inusitado respeito histórico e expõe o artifício que todo mundo conhece, alguns reclamam, mas que no fundo não importa: as tramas dos outros que os americanos tomam pra si e de repente você vê todo um povo estrangeiro falando em inglês. E com gente bonita demais no papel. Cruise, aliás, mostra mais uma vez o grande ator que é. Espero que tenha recuperado sua sanidade.
Pagando Bem, Que Mal Tem?, de Kevin Smith (2008) - Não sou fã do Kevin Smith, cujos melhores momentos são uns diálogos "ixpertos" que vez por outra existem em seus filmes, mas no geral tem uma visão nerd e adolescente da vida. Este último começa bem e engraçado, e as presenças de Rogen e Robinson mostram uma certa influência da trupe do Apatow. Mas do meio para o fim, o romance se insinua e o sexo vira uma questão de moral para os protagonistas. Smith acaba mostrando mais uma vez ser bem "ousado" no linguajar, mas careta na hora de resolver os conflitos. Fatou coragem. De qualquer forma, Elizabeth Banks é uma gracinha, é bom ver Jason Mewes engraçado não sendo Jay e Justin Long rouba as poucas cenas que tem, fazendo a gente lamentar seu pouco tempo de tela. Punheteiros dos anos 80 e 90 também poderão relembrar os velhos tempos com a participação da ex-estrela pornô Traci Lords, no papel de Bubbles.
Coraline, de Henry Selick (2009) - Não morro de amores por animações, nem mesmo com algo tão simpático como esta, influência direta de Tim Burton. Coraline é o tipo de coisa que mostra o quanto Dreamworks e Fox ainda estão longe de fazer animações inteligentes, traz mensagens bem claras e interessantes (a vida não é feita apenas de prazeres, há as responsabilidades e necessidade de conviver com o outro, aceitando-o como esse outro é), o choque entre realidade e fantasia cria momentos bonitos de terror (para crianças menores, certamente) e a criação visual e simbólica é muito boa (a "Outra Família" com botões no lugar de olhos, por exemplo). No entanto, vejo isso tudo com distanciamento, realmente não consigo me envolver. Mas é altamente recomendável.
6 comentários:
Só vi OPERAÇÃO VALQUÍRIA, que achei bonzinho, mas nada mais que isso... o que é uma pena, vindo de alguém como o Singer, de quem gosto muito.
PAGANDO BEM, QUE MAL TEM? está na minha lista das férias...
Ah, eu adoro o cinema do Kevin Smith, mesmo que ele seja completamente subestimado. Gostei desse seu último trabalho, apesar de não ser grande coisa. Foi o único que conferi dos três ;-)
"Coraline" é meu preferido dos três. "Operação Valquíria" logo depois. E o divertido filme de Kevin Smith em terceiro.
Acho "Operação Valquíria" e "Pagando Bem, Que Mal Tem?" filmes medianos, mas que possuem alguns aspectos interessantes...
Eu assisti aos três filmes comentados e não gostei muito de nenhum deles, especialmente "Coraline". "Operação Valquíria" é um filme de guerra com bons momentos de tensão, mas não gostei da maneira como Coronel Claus von Stauffenberg é tratado no filme. "Pagando Bem, Que Mal Tem?" é um filme que me fez rir bastante, só que o filme é todo dos coadjuvantes. E este é o problema, pois eles não são aproveitados como deveriam. Já "Coraline" eu só gostei mesmo do terceiro ato, que achei até que bem aterrorizante.
Abraços!
Caramba, tu acha o Cruise bom ator? Para mim ele tá péssimo aqui como sempre, passa o filme todo com a mesma expressão, aquela cara de "eu-sou-bonito-bravo-forte-destemido-e-carrego-o-filme-nas-costas". Ele tá cada vez pior, e só me lembro de ter gostado de sua atuação em Magnólia. E Operação Valquíria é mediano, a história pelo menos é bem contada e sem exageros.
Não só gosto de animações como adoro O Estranho Mundo de Jack, filme anterior do Selick, mas que tinha a mão do Burton. Aqui, a história é cativante desde o começo e a construção daquele mundo paralelo é bizarro, além de super criativo.
Abraço!
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