Estou bastante atrasado com os comentários sobre os filmes vistos em São Paulo, já que a Mostra acabou faz quase uma semana (sem contar a repescagem) e só fiz mini resenhas de 41 obras - falta falar ainda sobre mais 31 sessões de cinema. Não é pra menos: a maratona lá foi pesada e, já em minha terra natal, há as maratonas de faculdade, séries de tv e, claro, mais filmes.
Peço desculpas pelos comentários curtos e superficiais, mas infelizmente não só falta tempo, mas também só faço anotações mentais quando vejo os filmes e tenho escrito apenas com o que puxo da memória de filmes vistos há dias. Em alguns casos, sem o acesso à net, nem acesso a ficha técnica do filme em questão eu tinha. Mas como prometi escrever sobre todos, ainda termino isso.
De qualquer forma, queria falar logo sobre como foi o evento, fazer um resumão e postar meus prediletos, esquema meio americano de premiação:
Em São Paulo, foram 72 sessões de cinema, sendo 66 filmes da Mostra e mais 4 filmes do circuito comercial. As outras duas sessões foram revisões de um filme da Mostra, e outro do circuito. Destes, apenas duas desistências: saí com mais da metade do filme visto ("Os Dispensáveis") e outro com apenas meia hora de projeção ("Síndrome de Pinocchio"). Também saí da sessão de "Belair", mas só fui vê-lo porque cobria o horário exato que eu tinha sobrando até o próximo filme. Infelizmente, um atraso de 20 minutos para seu início fez com que eu saísse antes do fim, ou perderia "Cabeça a Prêmio".
Da lista de prioridades que eu tinha, não consegui ver apenas "Polícia, Adjetivo". Quanto aos demais, a maioria correspondeu às expectativas, sendo que as grandes frustrações vieram do cinema nacional - nenhum entra para meu top 10 da Mostra.
Os prêmios dados pela organização foram bem estranhos: o público selecionou seus dez filmes prediletos (algo nunca confiável) e o júri, composto por gente que supostamente teria um gosto mais "apurado", iria selecionar o melhor dentre eles (só valiam filmes de diretores estreantes). Ganhou um coreano chamado "Voluntária Sexual", que não ouvi um único comentário elogioso de todas as pessoas boas que conheço, quando concorria também o belíssimo "A Família Wolberg". O filme que abandonei por estar achando desastroso, "Os Dispensáveis", ficou com prêmio de direção e ator. Já o prêmio da crítica (e eu nem sei que crítica é esta) considerou que o melhor longa-metragem estrangeiro, DE TODA A MOSTRA, foi o iraniano "Ninguém Sabe dos Gatos Persas", que é muito simpático (mas melhor?!) e o melhor longa-metragem nacional foi o meia-boca "O Sol do Meio-Dia".
Em relação à organização do evento, pareceu bastante pior em relação ao ano anterior. É verdade que presenciei poucos atrasos (o mais grave foi mesmo o de "Belair"), mas houve outros tantos problemas:
- Projeções ruins: muitas em dv-cam e, principalmente, o digital que matou um dos grandes filmes da Mostra - Ervas Daninhas;
- Alterações na programação: a maior palhaçada foi cancelar todas as exibições de Lebanon para fazê-lo o filme de encerramento - por que não pensaram nisso ANTES de programá-lo?
- Programação infeliz: havia dias em que os principais filmes passavam ao mesmo tempo, enquanto em outros somente desconhecidos já negativamente comentados. Os últimos dias de Mostra, então, foi um horror;
- Cabines para imprensa: este ano, consegui ver os filmes que eram exibidos para a imprensa pela manhã, o que permite ver mais obras durante o dia. Mas as escolhas foram horríveis e o único nome de peso que vi foi o filme do Manoel de Oliveira. Outros dois de importãncia foram desastrosos: Soul Kitchen, de Fatih Akin, teve sessão cancelada, enquanto o novo de Christophe Honoré, falado em francês, passou SEM LEGENDA NENHUMA, fazendo com que a maioria dos presentes se retirassem (o normal é que se o filme não tiver áudio em inglês, ao menos tenha as legendas);
- Yuki & Nina: Filme que eu havia escolhido para encerrar meu dia de Mostra, acabou tendo sessão cancelada, pois a cópia havia ficado presa no equipamento. Antes, nos fizeram esperar por quase uma hora, informando que uma nova cópia estava a caminho, para depois vir a informação que não havia outra cópia.
- Repescagem: a Mostra fez uma programação horrorosa para a repescagem. A intenção deveria ser exibir os principais filmes do evento, os mais requisitados e elogiados. O que vimos foi pouca coisa de interesse e eu, que esperava rever algumas coisas, acabei pegando apenas dois filmes.
E como este post já está bem grandinho, encerro com minha lista de melhores. Mais ou menos em ordem de preferência, porque não houve nada que tenha se destacado muito dos demais. Muita coisa excelente, num nível mais ou menos equivalente de qualidade. A preferência vai pelo momento em que escrevo e é bom lembrar que se trata apenas dos filmes QUE PARTICIPARAM DA MOSTRA, já que meu filme predileto que vi em São Paulo esteve fora dela (Bastardos Inglórios).
Melhor Filme
1. A Religiosa Portuguesa, de Eugéne Green
2. Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues
3. A Família Wolberg, de Axelle Ropert
4. O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman
5. Mother, de Bong Joon-Ho
6. Abraços Partidos, de Pedro Almodovar
7. Vício Frenético, de Werner Herzog
8. Shirin, de Abbas Kiarostami
9. Ervas Daninhas, de Alain Resnais
10. Vencer, de Marco Belocchio
Melhor Diretor
1. João Pedro Rodrigues, por Morrer Como um Homem
2. Eugéne Green, por A Religiosa Portuguesa
3. Elia Suleiman, por O Que Resta do Tempo
4. Alain Resnais, por Ervas Daninhas
5. Werner Herzog, por Vício Frenético
Melhor Ator
1. André Dussollier, por Ervas Daninhas
2. François Damiens, por A Família Wolberg
3. Filippo Timi, por Vencer
4. Alex Descas, por 35 Doses de Rum
5. Emmanuel Mouret, por Faça-me Feliz
Melhor Atriz
1. Leonor Baldaque, por A Religiosa Portuguesa
2. Krystyna Janda, por Alga Doce
3. Kim Hye-Ja, por Mother
4. Giovanna Mezzogiorno, por Vencer
5. Penelope Cruz, por Abraços Partidos
Melhor Roteiro
1. Mother
2. A Família Wolberg
3. O Dia da Transa
4. Vício Frenético
5. Ricky
Melhor Ator Coadjuvante
1. Gonçalo Ferreira de Almeida, por Morrer Como um Homem
2. Bin Won, por Mother
3. Ewan McGregor, por I Love You, Phillip Morris
4. Michael Fassbender, por Fish Tank
5. João Miguel, por Hotel Atlântico
Melhor Atriz Coadjuvante
1. Sabine Azéma, por Ervas Daninhas
2. Valérie Benguigui, por A Família Wolberg
3. Alycia Delmore, por O Dia da Transa
4. Alice Braga, por Cabeça a Prêmio
5. Imelda Staunton, por Aconteceu em Woodstock
Os Piores Filmes (apenas os vistos por completo)
1. Eu Matei Minha Mãe, de Xavier Dolan
2. Sedução, de Lone Scherfig
3. O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant
4. Insolação, de Felipe Hirsch e Daniella Thomas
5. Samson and Delilah, de Warwick Thornton
6. Os Famosos e os Duendes, de Esmir Filho
7. Lymelife, de Derick Martini
8. Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee
9. Perseguição, de Patrice Chéreau
10. Selvagens, de Lawrence Gough
Peço desculpas pelos comentários curtos e superficiais, mas infelizmente não só falta tempo, mas também só faço anotações mentais quando vejo os filmes e tenho escrito apenas com o que puxo da memória de filmes vistos há dias. Em alguns casos, sem o acesso à net, nem acesso a ficha técnica do filme em questão eu tinha. Mas como prometi escrever sobre todos, ainda termino isso.
De qualquer forma, queria falar logo sobre como foi o evento, fazer um resumão e postar meus prediletos, esquema meio americano de premiação:
Em São Paulo, foram 72 sessões de cinema, sendo 66 filmes da Mostra e mais 4 filmes do circuito comercial. As outras duas sessões foram revisões de um filme da Mostra, e outro do circuito. Destes, apenas duas desistências: saí com mais da metade do filme visto ("Os Dispensáveis") e outro com apenas meia hora de projeção ("Síndrome de Pinocchio"). Também saí da sessão de "Belair", mas só fui vê-lo porque cobria o horário exato que eu tinha sobrando até o próximo filme. Infelizmente, um atraso de 20 minutos para seu início fez com que eu saísse antes do fim, ou perderia "Cabeça a Prêmio".
Da lista de prioridades que eu tinha, não consegui ver apenas "Polícia, Adjetivo". Quanto aos demais, a maioria correspondeu às expectativas, sendo que as grandes frustrações vieram do cinema nacional - nenhum entra para meu top 10 da Mostra.
Os prêmios dados pela organização foram bem estranhos: o público selecionou seus dez filmes prediletos (algo nunca confiável) e o júri, composto por gente que supostamente teria um gosto mais "apurado", iria selecionar o melhor dentre eles (só valiam filmes de diretores estreantes). Ganhou um coreano chamado "Voluntária Sexual", que não ouvi um único comentário elogioso de todas as pessoas boas que conheço, quando concorria também o belíssimo "A Família Wolberg". O filme que abandonei por estar achando desastroso, "Os Dispensáveis", ficou com prêmio de direção e ator. Já o prêmio da crítica (e eu nem sei que crítica é esta) considerou que o melhor longa-metragem estrangeiro, DE TODA A MOSTRA, foi o iraniano "Ninguém Sabe dos Gatos Persas", que é muito simpático (mas melhor?!) e o melhor longa-metragem nacional foi o meia-boca "O Sol do Meio-Dia".
Em relação à organização do evento, pareceu bastante pior em relação ao ano anterior. É verdade que presenciei poucos atrasos (o mais grave foi mesmo o de "Belair"), mas houve outros tantos problemas:
- Projeções ruins: muitas em dv-cam e, principalmente, o digital que matou um dos grandes filmes da Mostra - Ervas Daninhas;
- Alterações na programação: a maior palhaçada foi cancelar todas as exibições de Lebanon para fazê-lo o filme de encerramento - por que não pensaram nisso ANTES de programá-lo?
- Programação infeliz: havia dias em que os principais filmes passavam ao mesmo tempo, enquanto em outros somente desconhecidos já negativamente comentados. Os últimos dias de Mostra, então, foi um horror;
- Cabines para imprensa: este ano, consegui ver os filmes que eram exibidos para a imprensa pela manhã, o que permite ver mais obras durante o dia. Mas as escolhas foram horríveis e o único nome de peso que vi foi o filme do Manoel de Oliveira. Outros dois de importãncia foram desastrosos: Soul Kitchen, de Fatih Akin, teve sessão cancelada, enquanto o novo de Christophe Honoré, falado em francês, passou SEM LEGENDA NENHUMA, fazendo com que a maioria dos presentes se retirassem (o normal é que se o filme não tiver áudio em inglês, ao menos tenha as legendas);
- Yuki & Nina: Filme que eu havia escolhido para encerrar meu dia de Mostra, acabou tendo sessão cancelada, pois a cópia havia ficado presa no equipamento. Antes, nos fizeram esperar por quase uma hora, informando que uma nova cópia estava a caminho, para depois vir a informação que não havia outra cópia.
- Repescagem: a Mostra fez uma programação horrorosa para a repescagem. A intenção deveria ser exibir os principais filmes do evento, os mais requisitados e elogiados. O que vimos foi pouca coisa de interesse e eu, que esperava rever algumas coisas, acabei pegando apenas dois filmes.
E como este post já está bem grandinho, encerro com minha lista de melhores. Mais ou menos em ordem de preferência, porque não houve nada que tenha se destacado muito dos demais. Muita coisa excelente, num nível mais ou menos equivalente de qualidade. A preferência vai pelo momento em que escrevo e é bom lembrar que se trata apenas dos filmes QUE PARTICIPARAM DA MOSTRA, já que meu filme predileto que vi em São Paulo esteve fora dela (Bastardos Inglórios).
Melhor Filme
1. A Religiosa Portuguesa, de Eugéne Green
2. Morrer Como um Homem, de João Pedro Rodrigues
3. A Família Wolberg, de Axelle Ropert
4. O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman
5. Mother, de Bong Joon-Ho
6. Abraços Partidos, de Pedro Almodovar
7. Vício Frenético, de Werner Herzog
8. Shirin, de Abbas Kiarostami
9. Ervas Daninhas, de Alain Resnais
10. Vencer, de Marco Belocchio
Melhor Diretor
1. João Pedro Rodrigues, por Morrer Como um Homem
2. Eugéne Green, por A Religiosa Portuguesa
3. Elia Suleiman, por O Que Resta do Tempo
4. Alain Resnais, por Ervas Daninhas
5. Werner Herzog, por Vício Frenético
Melhor Ator
1. André Dussollier, por Ervas Daninhas
2. François Damiens, por A Família Wolberg
3. Filippo Timi, por Vencer
4. Alex Descas, por 35 Doses de Rum
5. Emmanuel Mouret, por Faça-me Feliz
Melhor Atriz
1. Leonor Baldaque, por A Religiosa Portuguesa
2. Krystyna Janda, por Alga Doce
3. Kim Hye-Ja, por Mother
4. Giovanna Mezzogiorno, por Vencer
5. Penelope Cruz, por Abraços Partidos
Melhor Roteiro
1. Mother
2. A Família Wolberg
3. O Dia da Transa
4. Vício Frenético
5. Ricky
Melhor Ator Coadjuvante
1. Gonçalo Ferreira de Almeida, por Morrer Como um Homem
2. Bin Won, por Mother
3. Ewan McGregor, por I Love You, Phillip Morris
4. Michael Fassbender, por Fish Tank
5. João Miguel, por Hotel Atlântico
Melhor Atriz Coadjuvante
1. Sabine Azéma, por Ervas Daninhas
2. Valérie Benguigui, por A Família Wolberg
3. Alycia Delmore, por O Dia da Transa
4. Alice Braga, por Cabeça a Prêmio
5. Imelda Staunton, por Aconteceu em Woodstock
Os Piores Filmes (apenas os vistos por completo)
1. Eu Matei Minha Mãe, de Xavier Dolan
2. Sedução, de Lone Scherfig
3. O Amor Segundo B. Schianberg, de Beto Brant
4. Insolação, de Felipe Hirsch e Daniella Thomas
5. Samson and Delilah, de Warwick Thornton
6. Os Famosos e os Duendes, de Esmir Filho
7. Lymelife, de Derick Martini
8. Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee
9. Perseguição, de Patrice Chéreau
10. Selvagens, de Lawrence Gough
2 comentários:
Bem, parece que a Mostra esse ano foi mais proveitosa em quantidade de filmes e menos em qualidade, embora já se vislumbra dessa sua lista de melhores uns bons filmes para se ficar de olho. E desde já fica aqui minha intenção encaminhada de ir para a Mostra ano que vem. Dessa vez eu vou me esforçar para tanto.
E sobre o que você tava comentando lá no Moviola Digital, tô sabendo sim dessa mostra no Sesc, uma pena que as pessoas não estão participando, mas isso já era de se esperar, infelizmente. Meus maiores interesses são os filmes de Mia Hansen-Love e de Nicolas Philibert, devo começar a ir a partir desse próximo fim de semana. E claro que eu fui ver o Bastardos, até porque já deve tá saindo de cartaz. Foda, foda demais, queria muito rever, mas acho que não dá. Sobre A Teta Assustada, realmente a cena inicial é ótima e concordo que o filme enfraquece demais no decorrer. Uma pena, porque tinha um ótimo potencial de uma história mais consistente.
É isso. Abraço!!
Sou louca para assistir uma mostra desses, mas infelizmente é bem dificil pra mim...
Mas aprece que foi bem proveitoso pra você, né? Assisti "Abraços partidos" e é muito bom...
Beijos ;*
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