36. A Oeste de Plutão, de Myriam Verreault e Henry Bernadet – O que Esmir Filho fez com um adolescente em “Os Famosos e os Duendes da Morte”, os canadenses estreantes Verreault e Bernadet fazem com uma dúzia deles neste filme menos metido a besta, mas igualmente desinteressante. Primeira parte do filme traz uma série de colagens de apresentações escolares dos adolescentes, que tinham como tarefa falar para seus colegas sobre qualquer tema que achassem interessante. É a forma encontrada pelos cineastas de apresentar seus personagens, onde vemos os jovens expressando suas opiniões e temores diante da vida, com o mais que obrigatório (e batido) não julgamento da câmera diante de falas ingênuas, engraçadas e tolas. Aos poucos, um enredo vai se formando, com uma típica loser dando uma festa em sua casa (aproveitando ausência dos pais) para agradar os colegas que a desprezam e, claro, nem tudo sai como deveria. A narrativa é frágil, há muitos personagens e as conexões entre eles não sustentam o filme, que é bem curtinho (95min) para toda sua pretensão. (Nota 3/10)
37. Adam, de Max Mayer – Comédia romântica bobinha sobre homem com Síndrome de Asperger (espécie de autismo que dificulta seu relacionamento com outras pessoas) que conhece nova vizinha, que lhe ensinará sobre o amor. Mas, claro, ela também irá aprender um bocado (é o que nos diz a narração no início do filme). Baseando-se todo na construção deste relacionamento, de forma leve e bem-humorada, o filme carece de boas piadas e até mesmo consistência na “condição” do protagonista, que vez ou outra parece não corresponder aos sintomas de sua síndrome, de acordo com a conveniência do roteiro. A dupla protagonista até se esforça: Hugh Dancy, meio afetado e engraçado tentando demonstrar as peculiaridades do Asperger, e Rose Byrne um pouco diferente de sua personagem de “Damages”, mas claramente uma atriz limitada. Coadjuvantes nesse tipo de filme costumam roubar a cena, mas são bem fracos, com exceção de Peter Gallagher, que me fez notar como gosto dele. Enfim, trama boba e nem sempre bem conduzida que se salva pelo final, que foge do lugar comum. (Nota 5/10)
38. Vencer, de Marco Belocchio – Aparentemente uma cinebio sobre Benito Mussolini, acabei surpreendido por se tratar de uma parte de sua vida que não consta da história oficial, protagonizada por Ida Dalser, mulher que Mussolini amou e com quem teve um filho, mas os renegou quando ascende ao poder. A primeira hora de “Vencer” é absolutamente espetacular, narrando esta história de amor com energia e força extraordinárias. Belocchio usa imagens de arquivo que se mesclam à sua narrativa, palavras impressas na tela e trilha sonora grandiosa dão um tom de ópera que realmente impressiona. Tudo tão vigoroso e estimulante como cinema, que acaba sendo um choque como a segunda parte surpreendentemente se transforma num determinado filme de gênero e, embora seja muito bom, já não tem a força vista anteriormente. A atriz Giovanna Mezzogiorno domina o filme do início ao fim e é uma pena que o mesmo não pode se aplicar a Filippo Timi, tão incrível e operístico inicialmente, como Mussolini. Ainda assim, um dos grandes filmes exibidos até aqui. (Nota 9/10)
39. O Que Resta do Tempo, de Elia Suleiman – Quem já conhece a obra-prima de Suleiman “Intervenção Divina” sabe que o cineasta faz um cinema político sobre os conflitos na Palestina de forma muito peculiar: carrega nos simbolismos e metáforas, de onde extrai humor irreverente, ácido e inteligente. Aqui, mais “comportado” que no filme anterior, Suleiman conta a história de sua própria família, com linha narrativa bem mais fácil de se acompanhar, narrando episódios cotidianos em momentos distintos da história do país. É um projeto de cinema lindo o de Suleiman, com câmera frontal e fixa, cortes secos e fazendo da forma um posicionamento ético e político diante de tema tão espinhoso. E ainda é engraçado. Vejam, por exemplo, como o diretor filma a falta de liberdade dos “árabes-israelenses”: um homem sai de casa para pegar o jornal; um tanque acompanha seu curto trajeto. É simples, silencioso, cheio de significado e hilário. Seu cinema é assim. No final, a beleza de um cineasta que observa a vida que segue, ao som de “Stayin´ Alive”. (Nota 9/10)
40. Irene, de Alain Cavalier – Tudo é memória nesta bela (e dificílima de se acompanhar) homenagem de Cavalier à sua esposa Irene, que faleceu há mais de 30 anos. O cineasta descobre os diários dela e resolve filmá-lo, visitando os locais que fizeram parte de suas vidas. Todo em primeira pessoa (o filme é Cavalier com câmera digital na mão, sob a perspectiva desta câmera unicamente), “Irene” deve ter sido o recordista em fazer o público dormir. Vi várias pessoas cochilando na sessão em que estive. Não é pra menos, porque a voz melancólica e entediante do diretor é onipresente, filmando objetos e lugares que, é inegável, são carregados de significado emocional para ele. Cabe a cada um sentir empatia ou não pelo seu projeto, que tem momentos mais interessantes que outros. (Nota 7/10)
41. O Dia da Transa, de Lynn Shelton – Um dos mais novos subgêneros criados pela comédia americana atual, o “bromance” é levado ao extremo neste muito simpático filme, que traz uma história aparentemente absurda (que, embora faça parte da sinopse, não conto aqui porque vi sem saber e fui surpreendido). Uma das enormes qualidades do filme é fazer com que esta história se torne verossímil, graças a um texto afiado e na forma como a diretora consegue captar a verdade de seus personagens via aproximação que os tornam bem reais para o espectador. É um filme delicioso de se ver e ouvir, especialmente porque não apresenta aquele ranço que os independentes americanos possuem quando o assunto é sexo. Infelizmente, o clímax deixa a desejar, menos pela resolução em si (que cabe boa discussão, mas não antes do filme estrear), e mais pelo fato de se prolongar, mas não necessariamente aumentar a tensão. Ainda assim, um pequeno grande filme. (Nota 8,5/10)
1 comentários:
Olá, Meu nome é Thays Py e trabalho na Agência de Comunicação Núcleo da Idéia.
Gostaria de ter o seu e-mail para que possamos fazer contato para parceria.
Desde já agradeço.
Thays Py
mkt7@nucleodaideia.com.br
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