Filminho agradável este “Amor Sem Escalas”. Durante boa parte dele, comenta sobre um certo estado das coisas, mas sem fazer drama com isso ou, pior, com sarcasmo e ironia típicos dos filmes espertinhos de nosso tempo. Quer dizer, você tem aquele protagonista vazio que tem um único objetivo na vida (chegar a certa quantidade de milhagem aérea) enquanto demite pessoas Estados Unidos afora. Não é fácil lidar com um personagem desses, mas a coisa toda funciona por ser discreta. E porque George Clooney é muito bom.
O comentário social existe, mas fica ali ao fundo. Porque é um filme de personagens e as mulheres que entram no mundo de Clooney são bem interessantes. A personagem de Anna Kendrick podia cair fácil no estereótipo da jovem megera gananciosa, mas ganha força pela possibilidade de estar aberta à mudança, a partir dos encontros que realiza durante a trajetória. E Vera Farmiga é um furacão, interessantíssima, misteriosa, um encanto. Acompanhar o movimento desses três num mundo sem referências, fragmentado, complicado é uma delícia. E esse mundo é visto assim por uma câmera que não acha importante enfatizar certas coisas, demonizar o personagem do Jason Bateman, por exemplo, ou apelar para técnicas que elevem ainda mais o drama de situações já dramáticas em si.
Uma pena, então, que tudo fique tão ruim já na parte final do filme, claramente destoante do todo e com toda pinta de “dedo de produtor”. A começar pelo desenvolvimento final da personagem de Farmiga, tudo vai ladeira abaixo até o cúmulo com uma constrangedora colagem de depoimentos reforçando a importância da família para aqueles que perderam o emprego. Extremamente moralista, ainda percebe-se o cuidado de Reitman (que curiosamente tem na conclusão de “Juno” uma de suas maiores qualidades) no material que está mexendo, tentando evitar ao máximo o embaraço. Mas não dá pra fazer milagre. Ainda assim, vale à pena.
2 comentários:
Acho o filme bem bobinho, com um tipo de liçãozinha de moral simplória e fraquinha. O texto é um tanto raso e não sei o que a Academia vê no Jason Reitman. A direção dele é tão pobre... Gosto muito de Juno, mas muito por causa do texto. Os atores aqui são ótimos mesmo, Clooney e Fariga estão sensacionais, mas quem não me desce é a Anna Kendrick e sua personagem bobinha e frágil. Acho um saco!
Olá!
Você poderia enviar seu e-mail para mkt4@nucleodaideia.com.br para futuro contato? Desde já agradeço pela atenção. Aguardo resposta.
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