sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Invictus, de Clint Eastwood (2009)

Basta apenas 10 segundos de “Invictus” para Clint Eastwood mostrar sua genialidade: o movimento que a câmera faz, do campo onde os brancos jogam para o campo onde os negros jogam, é um procedimento tão simples e bonito para sintetizar um contexto, mas ninguém mais faz isso. Só Eastwood.

O “filme de esporte” é gênero mais que batido e Eastwood não foge das convenções. O que o torna incomum é que, enquanto a convenção é trazer histórias de superação e motivação, o cineasta continua refletindo sobre o que o interessa a partir dos mesmos clichês de sempre desse tipo de coisa. Pois “Invictus” comenta sobre a violência, seus efeitos e os meios possíveis de combatê-la com a mesma propriedade que “Gran Torino” ou “Sobre Meninos e Lobos”, e se não ressoa como estas obras, isso se deve mais pelas próprias limitações do gênero.

Talvez o mais interessante seja notar as reações que o filme tem causado nas pessoas. Os mais cínicos (talvez os mesmos que acusam “A Troca” de ser maniqueísta?) se incomodam bastante com a “cena do ingresso pra empregada” ou “a cena do garoto negro e os policiais”, ou ainda “as cenas que criam um suspense gratuito”. Curiosamente, tenho visto muita gente admirar e se emocionar com estas mesmas sequências – bom, exceto a cena da empregada.

De minha parte, se estes não foram momentos que me “pegaram”, também não impedem de apreciar o classicismo e a simplicidade de Eastwood, seja naquela bela abertura, ou na relação construída entre os seguranças, ou a forma delicada com que conduz a crescente admiração do personagem de Matt Damon por Mandela. Nada disso, repito, tem a força e potência dos melhores filmes do cineasta nesta década, mas Clint segue tranqüilo fazendo o cinema que lhe interessa, comentando nossa época a partir de filmes de gênero de toda espécie.

2 comentários:

Rafael Carvalho disse...

É, por mais que eu goste do cinema clássico feito pelo Eastwood, não tenho me animado muito com os últimos filmes dele. E não consigo enxergar Invictus senão como um filme de superação. Sim, porque, inexplicavelmente, aquele time passa de equipe chulé a grande promessa do rúgbi justamente através da força da... superação. Que bonito!

E eu acho bonito mesmo, mas não deixa de ser batido. Batido também é o sentimento de justiça, destemor e integridade vindo do protagonista, mas não há como negar que o Mandela não seja exatamente assim. Mas na tela, isso ainda soa simplório e idealista demais.

E não acho o gênero limitado, na verdade acredito que nenhum gênero é limitado. É só espremer que sai algo de bom!

Sobre as cenas que você cita, é engraçado porque adoro a do garoto com os policiais, mas a da empregada é difícil de engolir mesmo.

Anderson Siqueira disse...

Vale como registro histórico e pelas belas atuações.
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Abraço.
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